Igreja Católica no Djibuti

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Djibuti
Catedral de Nossa Senhora do Bom Pastor (Djibuti)
Ano 2016[1]
População total 872.932[1]
Cristãos 50.000 (6%)[2]
Católicos 5.000 (0,6%)[1]
Paróquias 5[1]
Presbíteros 3[1]
Diáconos permanentes 0[1]
Religiosos 2[1]
Religiosas 24[1]
Presidente da Conferência Episcopal Pierbattista Pizzaballa, O.F.M.[3]
Núncio apostólico Sede vacante[4]
Códice DJ

A Igreja Católica no Djibuti faz parte da Igreja Católica Apostólica Romana em todo o mundo, sob a liderança espiritual do Papa e da Cúria, em Roma.

HistóriaEditar

O cristianismo foi introduzido no país após a chegada dos franceses em 1883, quando a Igreja Católica enviou seu primeiro sacerdote da Arábia para o Djibuti.[5] Em 28 de abril de 1914, foi estabelecida a Prefeitura Apostólica do Djibuti, desmembrando-se do Vicariato Apostólico de Galla. Em 14 de setembro de 1955 a Prefeitura Apostólica foi elevada a Diocese do Djibuti. Na região está a Catedral de Nossa Senhora do Bom Pastor.[6]

AtualmenteEditar

Dom Giorgio Bertin, bispo do Djibuti e administrador apostólico de Mogadíscio, na vizinha Somália, afirma que ao contrário da intensa perseguição que a Igreja Católica somali, "nós somos deixados em paz lá; não há perigo e a Igreja é respeitada", e ainda que "a maior tarefa da Igreja são as escolas e o trabalho da Caritas. [...] Nosso trabalho pastoral é muito limitado, e mesmo que não tenhamos convertido pessoas ou estabelecido esse trabalho, estamos, no entanto, semeando o Evangelho entre o povo, dado que 99% dos alunos de nossas escolas são muçulmanos, eles sabem que nós somos sinceros e que os respeitamos, eles então nos respeitam em troca". Ainda segundo ele, com dados de 2016, havia mais ou menos 5000 católicos no país, sendo a maioria de franceses ou etíopes residentes lá, e que há alguns católicos nativos do país, por tradição familiar ou órfãos levados às instituições da Igreja, "mas são a minoria".[7]

 
Catedral do país, com destaque para a torre.

Alguns dados de 2006 dizem que havia por volta de 7.000 católicos no país, e isso representa 0,9% da população djibutiana. Os católicos chegaram a ser 10,5% da população,[8] mas como houve um grande aumento de muçulmanos na região, que nos anos atuais representam 94% da população,[9] hoje a população católica representa menos de 1%.[8] Embora este seja um país onde o islamismo é a religião do Estado, a sociedade djibutiana e o islã estão hoje em dia mais estreitamente interligadas do ponto de vista político-institucional do que o que estava previsto na Constituição original de 1992, na qual o Djibuti descreve-se como uma "república democrática". Algumas liberdades fundamentais foram concedidas a outras religiões. De acordo com o artigo 1.º, todos os cidadãos são iguais, "sem distinção de língua, origem, raça, sexo ou religião".[10]

Apesar de as normas e costumes sociais no Djibuti não preverem a renúncia ao Islamismo, as conversões são desencorajadas, e quando ocorrem são alvo de assédio. Foi reportado que, no campo de refugiados Markazi onde vivem refugiados iemenitas, um residente convertido ao Cristianismo foi sujeito a intimidação e insultos por parte dos outros refugiados. Também se reportam discriminação no local de trabalho, atos de vandalismo contra as igrejas por parte de pessoas individuais e destruição de bens da Igreja, estes últimos foram revelados pelos próprios líderes das igrejas cristãs. A Igreja Católica djibutiana também vem ajudando a Igreja Católica do Iêmen e os católicos refugiados da guerra civil.[10]

Dom Giorgio Bertin também viu com muito otimismo a normalização das relações entre Djibuti e Eritreia, após 10 anos de relações interrompidas. Ele afirmou ser um passo importante para alcançar a paz, o desenvolvimento econômico e a estabilidade no Chifre da África, assim como a retomada das relações entre Eritreia e Etiópia que, em 9 de julho passado, assinaram um acordo de paz que pôs fim à guerra entre os dois países, iniciada em 6 de maio de 1998, pela demarcação de fronteiras.[11][12]

Organização territorialEditar

 
Mapa do país. De forma que o Djibuti forma uma única dioceses, o mapa do país e da própria diocese são o mesmo.

O Djibuti é formado por apenas uma diocese, a Diocese do Djibuti, que é responsável por cinco paróquias. O rito litúrgico utilizado é o rito romano.[6]

Conferência EpiscopalEditar

Foi estabelecida em 31 de março de 1967, e além do Djibuti, inclui a administração da Igreja Católica Romana em Chipre, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Palestina, Síria e Somália.[3]

Nunciatura ApostólicaEditar

A delegação apostólica para o Djibuti foi criada em 1992, e no dia 23 de dezembro de 2000 foi elevada à nunciatura apostólica.[4]

Referências

  1. a b c d e f g h «Diocese of Djibouti». Catholic-Hierarchy. Consultado em 7 de março de 2019 
  2. «Catholic Church in Republic of Djibouti». GCatholic. Consultado em 7 de março de 2019 
  3. a b «Conférence des Evêques Latins dans les Régions Arabes». GCatholic. Consultado em 7 de março de 2019 
  4. a b «Apostolic Nunciature Djibouti». GCatholic. Consultado em 7 de março de 2019 
  5. «Djibuti». Missão Portas Abertas. Consultado em 10 de março de 2019 
  6. a b «Diocese of Djibouti, Djibouti» (em inglês). Gcatholic.com. Consultado em 5 de agosto de 2012 
  7. «A presença arriscada da Igreja na Somália». Ajuda à Igreja que Sofre. 24 de outubro de 2016. Consultado em 10 de março de 2019 
  8. a b «Djibouti (Diocese) - Catholic-Hierarchy» (em inglês). Ccatholic-hierarchy.org. Consultado em 5 de agosto de 2012 
  9. «Djibouti CIA World Factbook» (em inglês). CIA.gov. Consultado em 5 de agosto de 2012 
  10. a b «Djibuti». Ajuda à Igreja que Sofre. Consultado em 10 de março de 2019 
  11. «Chefe da ONU celebra a assinatura do acordo de paz entre Eritreia e Etiópia». Organização das Nações Unidas. 17 de setembro de 2018. Consultado em 10 de março de 2019 
  12. «Natal de paz no Chifre da África». Vatican News. 18 de dezembro de 2018. Consultado em 10 de março de 2019 

Ver tambémEditar