Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores

Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores
Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores Fachada II.jpg
Fachada da Igreja
Construção 1743-1766
Diocese Rio de Janeiro
Local Bandeira do Município do Rio de Janeiro.png Rio de Janeiro,  Brasil

A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores localiza-se na rua do Ouvidor, entre as ruas do Mercado e 1º de Março, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

HistóriaEditar

O templo remonta a um pequeno oratório erguido em 1743 por comerciantes e moradores da área, na esquina de uma casa no trecho em frente à rua da Cruz (atrás da atual Igreja de Santa Cruz dos Militares), sob a invocação de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores.[1] Poucos anos mais tarde, a 20 de junho de 1747, esses comerciantes reuniram-se e constituíram uma irmandade para a edificação de um templo sob a invocação de Nossa Senhora da Lapa, também conhecida por "Igreja dos Mercadores".

A provisão-régia para a sua edificação foi expedida a 4 de novembro do mesmo ano e, em dezembro seguinte, foram lançadas as fundações do templo. As obras progrediram rapidamente, de modo que, a 6 de agosto de 1750, a parte do templo pronta para o culto foi consagrada. De 1753 a 1755, os trabalhos prosseguiram até à sua conclusão. A decoração interna ficou pronta em 1766.

Na segunda metade do século XIX, entre 1869 e 1879, o templo sofreu extensas obras de remodelação.

Quando da eclosão da Segunda Revolta da Armada brasileira, um tiro disparado pelo Encouraçado Aquidabã atingiu a torre sineira desta igreja (25 de setembro de 1893), derrubando a estátua alusiva à Religião, que, apesar da queda de mais de 25 metros de altura, sofreu poucos danos, sendo o fato considerado milagroso à época. Tanto a estátua quanto o projétil que a atingiu encontram-se, hoje, expostas na sacristia. Na torre, mais tarde, foi instalado o primeiro carrilhão da cidade, anterior ao da Igreja de São José.

CaracterísticasEditar

De pequenas dimensões, apresenta planta elíptica.

Quando da remodelação do século XIX, a entrada passou a ser feita por uma galilé de três arcos fechada por grades de ferro, tendo sido erguida a torre sineira ao centro. Na mesma ocasião, a capela-mor foi grandemente ampliada. Durante essa intervenção foi encontrado enterrado, atrás da igreja, um grande medalhão circular em lioz, representando a coroação da Virgem. Acredita-se que ele estivesse originalmente destinado à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, proprietária do terreno e que, por razões desconhecidas, não foi aproveitado. A peça foi recuperada e afixada à fachada principal, sobre a janela do coro. Duas esculturas, em vulto redondo de santos, também em lioz, feitas em Portugal, foram colocadas em nichos, adornando a fachada. Uma terceira, representando a Religião, foi colocada na torre.

Na decoração interior, de vivo colorido como ao gosto da classe comercial, em estilo rococó tardio, a talha de madeira, de autoria de Antônio de Pádua e Castro, confunde-se com o estuque, executado por Antônio Alves Meira. Este último era de uma família de estucadores, cujo irmão trabalhara no interior da Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

O seu carrilhão é formado por um conjunto de doze sinos fundidos em Lisboa e teve, como sineiro, por mais de trinta anos, Luís Augusto da Silva.

Notas

  1. De acordo com a lenda, aterrorizadas com a invasão muçulmana da Península Ibérica, as freiras de um convento da região de Quintela decidiram fugir. Antes, porém, esconderam uma imagem de Nossa Senhora em uma pequena gruta (lapa). Os anos passaram-se até que uma pastora muda encontrou a imagem e recuperou a fala. Tendo ocorrido outros milagres em torno da imagem, a devoção alastrou-se, e a Senhora da Lapa passou a ser a protetora dos comerciantes.
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