Abrir menu principal

Igreja de Santa Comba de Bande

Igreja de Santa Comba de Bande
Igrexa de Santa Comba de Bande
Imagem do conjunto.
Estilo dominante Visigótico
Construção Século VII
Geografia
País Espanha
Concelho Bande
Comunidade Autónoma Galiza

Santa Comba de Bande é uma pequena igreja visigótica da segunda metade do Século VII, a única deste período que se conserva na sua integridade. Trata-se do único edifico conservado de um mosteiro pré-românico aonde se trouxeram as relíquias de São Trocado, discípulo do Apóstolo Santiago, a quem esteve dedicada.

SituaçãoEditar

 
Interior da igreja

Está situada no concelho de Bande, na comarca da Baixa Limia. Encontra-se perto do núcleo municipal em direção a Os Baños, antigo balneário romano, no lugar de Santa Comba.

HistóriaEditar

No lugar existiu uma igreja com anterioridade ao século VII que foi construída por volta de 680 e abandonada após a invasão muçulmana - embora não seja segura a data de construção e a fatura visigótica propriamente, senão no âmbito de poder afirmar somente que é de época suevo-goda-. Em 872, Afonso III encomendou ao seu irmão Odoario que restaurasse a igreja e este fez com que seu primo Odônio estabelecesse um mosteiro no lugar. Além do masculino, também criou outro para mulheres no qual entraram sua mãe com as suas donzelas. Quando a morte da mãe, Odônio nomeou abadessa a Onega, com a que vivia maritalmente. Esta passaria mais tarde ao mosteiro de Vimaráns e Odônio ao de Celanova, com o qual Santa Comba passou a pertencer a este último.

DescriçãoEditar

 
Capela da cabeceira

Tem planta de cruz grega, inscrita num cerramento retangular do qual sobressai pela cabeceira do retângulo a capela-mor e, aos pés, o pórtico e com câmaras autônomas aos lados das quais só fica a do Noroeste. O tratamento que se faz do espaço no templo simboliza o sentido da espacialidade de origem oriental, quebrada e descontínua como fruto de uma agrupação de volumes graduais.[1] Deste jeito a planta baseia-se nos panteões paleo-cristãos como o Mausoléu de Gala Placídia. Construiu-se utilizando a medida da época, a vara visigótica, equivalente a 0,80 metros, em cantaria a osso,[2] com ornamentações feitas com a técnica a bisel e o uso de arcos de ferradura com certa superelevação.

São contemporâneas a esta, entre outras, a portuguesa Capela de São Frutuoso de Montélios ou a burgalesa Ermida de Santa María de Quintanilla de las Viñas.

O templo é ao mesmo tempo o exemplo mais antigo da política restauradora de templos da monarquia asturiana de finais do século IX. Nesta intervenção levantaram-se abóbadas de tijolo, com a alternância da cantaria e a alvenaria seguindo a técnica asturiana própria da época.

InteriorEditar

 
Pinturas do interior
 
Pinturas do interior

À Capela-mor, de planta quadrada, tem-se acesso através de um arco triunfal de ferradura sustentado por dois pares de colunas de mármore cujos fustes procedem de um templo romano-alguns historiadores expõem a hipótese de ser o lugar de um templo ao deus Bandua, daí o término toponímico, e ter este deus nas suas representações um torque como atributo, portanto a devoção a São Trocado ou Torquato somente seja uma variação religiosa por parte da igreja[3]-. Os arcos de ferradura são montados sobre um capitel tardo-romano, outro hispano- visigodo e os dois remanescentes correspondentes a intervenção durante o reinado de Afonso III, com motivos de sogueado próprio do pré-românico asturiano.

Na abóbada da abside conservam-se pinturas murais do século XVI.[4] Na abside também encontramos uma janela fechada com gelosia de mármore.

O perímetro retangular fica desenhado por estâncias a ambos os lados do pórtico que comunicavam com este, outras com o transepto e as da cabeceira com a nave. A capela-mor ficava unida a um dos braços da cruz, nos quais havia duas dependências laterais das quais só se conserva a esquerda. No trecho dos pés desapareceram outros dois aposentos. A função de cada uma destas estâncias estaria vinculada ao caráter monástico do templo, regido pela Regula Monachorum de são Frutuoso.

Nas capelas laterais há uma ara romana e o ataúde, vazio, de São Trocado. É provável que fosse levado para o mosteiro de Celanova em 1601. Tanto em planta como em alçado conjuga a cruz grega inscrita num quadrado, cujo ponto central se eleva mediante o zimbório.

ExteriorEditar

 
Exterior da igreja
 
Exterior da igreja

O escalonamento dos volumes do templo, do mais alto ao mais baixo, vai assim do zimbório à capela-mor, passando pela altura média dos braços da cruz.

Cobre-se com abóbada de canhão na nave e no transepto, com abóbada de aresta no trecho central do cruzeiro e arco de ferradura na capela-mor.

Tem duas portas. A principal reformou-se em 1650 ao acrescentar-lhe o pórtico. A do lado Sul também se abriu mais tarde. Anteriormente o batistério estava no lado Sul, mas retirou-lhe o telhado, se bem que fica a pia batismal.

Seu aparelhamento é de bom perpianho granítico e ao exterior apresenta grande austeridade e limpeza de volumes só com o acrescentado tardio do pórtico.

CuriosidadesEditar

 
Ataúde de San Trocado

Em cima da tampa do caixão de São Trocado há uma pedra em forma de ara. As pessoas recolhem o que se acumula nele para curar as doenças dos olhos.

Parte do caixão de São Trocado desgastou-se pela devoção dos fiéis. Do mesmo jeito é um dos poucos ataúdes de uma só peça de mármore branco.

Galeria de imagensEditar

Referências

  1. Soraluze Blond, José Ramón. Guía da Arquitetura Galega, p.13 Guías Galáxia.(1999) Editorial Galaxia. ISBN 84-8288-186-8
  2. Sistema de construção em cantaria com blocos de pedra cortados com exatidão para seu melhor encaixe sem argamassa.
  3. *Blog de Arte na Galiza:Santa Comba de Bande
  4. Ponce Couce, Leandro e Sánchez García, Jesús. Galiza. Guía do Patrimônio Arquitetônico.(1998).pã. 47 e 48. Vía Láctea Editorial. Guías. ISBN 84-89444-50-1

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar