Joos de Momper


Joos de Momper ou Joost de Momper (1564–1635) foi um dos principais pintores flamengos de paisagens no período que medeia entre Pieter Brueghel e Peter Paul Rubens. A influência de Brueghel é claramente evidente em muitas das pinturas de Momper.

Joos de Momper
Retrato de Joos de Momper (c. 1632-1641), por Anthony van Dyck
Nascimento 1564
Antuérpia
Morte 1635 (71 anos)
Antuérpia
Nacionalidade Flamengo
Ocupação pintor
Movimento estético Renascimento

VidaEditar

 
Paisagem de Montanha (1625 - 1630), Fundação Banco Santander

Momper nasceu numa família de artistas de Antuérpia e recebeu o nome do seu avô, que era um pintor de paisagens.[1] Aprendeu a pintar com o seu pai Bartolomeu de Momper que era um pintor e editor de impressões.[2] Em 1581 tornou-se mestre da Guilda de São Lucas de Antuérpia com apenas 17 anos de idade.[1] Crê-se que na década de 1580 viajou para a Itália para estudar.[2]

De Momper beneficiou de patrocínio de alto nível como é demonstrado pelo facto da arquiduquesa Isabel Clara Eugénia, governadora da Flandres, ter enviado em 1616 uma carta ao magistrado de Antuérpia exigindo-lhe para isentar de Momper do pagamento de impostos e taxas. As suas obras foram frequentemente apresentados em prestigiadas galerias de pintura a partir do início do século XVII.[2]

Teve como alunos Louis de Caullery e o seu filho Philippe de Momper[1] e como seguidores Frans de Momper e Hercules Seghers.[1]

De Momper foi mencionado por Karel van Mander no seu conhecido Livro dos Pintores (Schilder-boeck) e as suas feições foram objecto de uma gravura de Anthony van Dyck.[3]

ObraEditar

 
Paisagem de Verão com Ceifeiros (1610), Museu de Arte de Toledo

De Momper pintou principalmente paisagens, gênero com que foi sobremaneira apreciado durante a sua vida. Apenas um pequeno número das 500 pinturas atribuídas a de Momper estão assinadas e apenas uma está datada. A grande produção aponta para uma substancial ajuda do seu ateliê. Ele colaborou com frequência com pintores de figuras humanas como Frans Francken II, Pieter Snayers, Jan Brueghel, o Velho e Jan Brueghel, o Jovem, usualmente em largas paisagens montanhosas, e enquanto os outros pintores pintavam a staffage de Momper pintava a paisagem.[2]

Pintou tanto paisagens imaginárias, vistas dum ponto de vista elevado e empregando uma convencional transição de cor maneirista de castanho, em primeiro plano, para verde e finalmente para azul ao fundo, como paisagens mais realísticas, com um ponto de vista mais baixo e cores mais naturais. Os seus amplos panoramas também apresentavam grupos de pequenas figuras.[4]

As obras de Momper são principalmente inspiradas pelas íngremes encostas dos Alpes e dos maciços rochosos altaneiros representados nas pinturas de Pieter Brueghel. A sua proximidade com Jan Brueghel, o Velho, filho de Pieter, deve ter influenciado a sua exposição à linguagem deste. Isso pode também ser apreciado em alguns dos motivos da obra de de Momper que se reportam às invenções de Pieter Bruegel, como as paisagens invernais e as colheitas de cereais. Uma das suas obras que representa uma Tempestade no Mar foi inicialmente atribuída a Pieter Brueghel, mas é agora geralmente atribuída a de Momper. Outra influência sobre de Momper foi a do especialista em paisagem Lodewijk Toeput, que foi fazer carreira em Itália. De Momper priorizava a estilização aos efeitos naturalistícos e usava profundidade e atmosfera para atingir o seu objetivo de construção espacial.[2]

A obra de de Momper, como a do pintor de paisagem contemporâneo Abel Grimmer, tem sido com frequência desvalorizada pela repetição de motivos animais e da apresentação enquanto as suas grandes obras têm sido interpretadas como simples versão aumentada da paisagem do mundo de Joachim Patinir, um século após a sua primeira formulação. Ele é considerado como representando o fim de uma tradição, mais do que uma revitalização ou uma inovação da pintura de paisagem, como foi acontecendo na República Holandesa no século XVII. Por outro lado, a grande dimensão das suas obras e a sua colaboração com outros artistas importantes sugerem a não preocupação com custos e a estima pelo refinamento pictórico.[2]

Obras notáveisEditar

  • Extensive Mountainous Landscape
  • Dune landscape with travellers and cattle - National Museum, Varsóvia
  • Helicon or Minerva's Visit to the Muses (com Hendrik van Balen para as figuras de pessoas e Jan Breughel para as flores - Museu Real de Belas Artes de Antuérpia
  • Flemish Market and Washing Place - Museu do Prado, Madrid
  • Landscape with the Temptation of Christ - National Gallery, Praga
  • Mountain Scene with Bridges - Wallraf-Richartz Museum, Colónia
  • Winter Landscape - Musée des Beaux-Arts et d'Archéologie de Châlons-en-Champagne

Ver tambémEditar

 
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Notas e referênciasEditar

  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Joos de Momper».
  1. a b c d Joos de Momper[ligação inativa] no Netherlands Institute for Art History
  2. a b c d e f Larry Silver, Peasant Scenes and Landscapes: The Rise of Pictorial Genres in the Antwerp Art Market, University of Pennsylvania Press, 2012, p.193-195
  3. Joos de Momper Biography em: Arnold Houbraken, De groote schouburgh der Nederlantsche konstschilders en schilderessen, 1718
  4. Irene Haberland, "Momper, de" Grove Art Online. Oxford University Press.

Ligações externasEditar