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José Joaquim Lopes de Lima
José Joaquim Lopes de Lima
Governador de Timor e Solor Flag of Portugal (1830).svg
Período 23 de junho de 1851
até 8 de setembro de 1852
Antecessor António Olavo Monteiro Tôrres
Sucessor Manuel de Saldanha da Gama
Governador Provisório da Índia Flag of Portugal (1830).svg
Período 24 de setembro de 1840
até 1842
Antecessor 19.º Conselho de Governo do Estado da Índia
Sucessor 20.º Conselho de Governo do Estado da Índia
Dados pessoais
Nascimento 1797
Flag of Portugal (1750).svg Porto
Morte 8 de novembro de 1852 (55 anos)
Batávia
Nacionalidade Portuguesa
Profissão Militar
Serviço militar
Serviço/ramo Marinha de Portugal
Graduação Intendente

José Joaquim Lopes de Lima (Porto, cerca de 1797Batávia [actual Jacarta], 8 de novembro de 1852) foi um militar português. Atuou como administrador colonial a serviço do Reino, sendo Governador da Índia Portuguesa, entre 1840 e 1842[1] e Governador e comissário régio sobre o que devia ser o Timor e Solor, entre 1851 e 1852[2].

BiografiaEditar

Lopes de Lima morava no Brasil, quando ocorre a Revolução de 1820. Nesta mesma década, acontece a Revolução Liberal.[desambiguação necessária] Através dela, o país que era uma monarquia constitucional em 1822 passou a ter uma Constituição democrática. Em 1826, Dom Pedro IV outorgou a partir do Rio de Janeiro uma nova Constituição, chamada de Carta Constitucional, mais conservadora do que a Constituição de 1822.

Como Dom Pedro IV era também Imperador do Brasil, não poderia governar os dois países ao mesmo tempo, abdicou da coroa portuguesa em favor de Dona Maria II casando-a com seu tio, Dom Miguel, que assumiu a regência em 1826. Mas então Miguel desrespeitou a Constituição e passou a governar de forma absolutista, estabelecendo-se como Miguel I em 1828, destronando sua sobrinha-esposa, segundo aclamação das Cortes. Assim, vem em socorro de sua filha Dom Pedro IV. Enquanto isso, Lopes de Lima era um oficial da Marinha e 67.º Capitão-Mor de Cacheu entre 1829 e 18??[3][4][5] e retornou a Portugal, no decurso da qual ascendeu a capitão, lutando ao lado das forças pedristas. Em 1834, Dom Miguel I foi forçado ao exílio e a abdicar. Dona Maria II voltou ao trono e a Carta Constitucional voltou a vigorar. Lopes de Lima estava do lado dos cartistas.

Os setembristas assumem o poder em 1836 e Lopes de Lima escreveu sobre isso uma série de panfletos e artigos nas revistas A Carta, A Matraca e O Estudante. Entretanto, em 1842, António Bernardo da Costa Cabral volta ao poder. Durante esse período, Lopes de Lima assume vários cargos na Corte e atua como representante em várias colônias portuguesas.

Governo da Índia PortuguesaEditar

Era intendente da Marinha e do Arsenal em Goa quando, em 1840, foi nomeado governador interino, após a morte do Barão do Candal, passando a exercer o cargo em 24 de setembro[6][7].

No governo, realizou grandes investimentos na área de educação, reformou o sistema aduaneiro, transferiu o Hospital Militar de Panelim para Pangim, renovou o Farol da Aguada, organizou o correio interno e fez outro melhoramentos[7].

Entretanto, criou várias inimizades, seja pela sua falta de justiça, seja pela sua tirania no governo. Criou vários impostos à revelia do Reino, contudo dobrou o endividamento da Colônia, por conta de algumas reformas tidas como inúteis[7]. Em 1842, ocorre uma revolta no Estado Indiano. Para seu auxílio, mandou o Reino um batalhão, mas como este servia para atrapalhar-lhe em suas coisas, retalhou o batalhão em várias companhias, mandando uma para Macau e outra para o Timor português[7]. Como os militares tiveram má vontade com esta ordem, voltaram para Pangim e juntaram-se a outras tropas revoltosas, cercando o Palácio de Governo. Assim, teve que fugir para Bombaim, onde ainda tentou a ajuda dos britânicos, sem sucesso[6][7].

Governador do Timor portuguêsEditar

Em 23 de junho de 1851, Lopes de Lima foi nomeado Governador de Timor e Solor português, que na época ainda incluía o arquipélago de Flores e Sunda. Assim, deu início às tratativas para um acordo fronteiriço com os Países Baixos, que dominava o restante do Arquipélago Indonésio[8].

Mais uma vez, marca seu governo pelas reformas impostas ao local, aliadas a uma forma tirânica de governo. Como endividou-se da mesma forma como ocorrera na Índia Portuguesa antes, acabou por vender as ilhas de Flores, Alor, Pantar e Solor por cerca de 200 mil florins[9], sem a anuência do Reino. Por fim, seria assinado o Tratado de Lisboa de 1859, estabelecendo as fronteiras entre o Timor Neerlandês e o Timor Português, com a perda daquelas ilhas. Pelo referido tratado, Portugal cedeu Larantuca, Sicca e Payas, na ilha das Flores, Wouré, na ilha de Adonara, e Pamung Kaju, na ilha de Solor. Em contrapartida, os Países Baixos cederam o reino de Maubara e renunciaram a Ambeno, na ilha de Timor, assim como renunciaram a Ataúro.

Seu sucessor, Manuel de Saldanha da Gama, chegou em 8 de setembro de 1852 com ordens de prender Lopes de Lima e mandar levá-lo para Lisboa. Com as mudanças políticas em Portugal, o grupo ao qual Lopes de Lima pertencia foi defenestrado do poder, o que explica as medidas mais duras contra ele. Veio a falecer em Batávia, atual Jacarta, de uma febre, no dia 8 de novembro de 1852.

Colaborou no jornal Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras [10] (1836).

Referências

  1. Lista de Governadores da Índia Portuguesa
  2. Lista de Governadores do Timor Português
  3. Rulers.org - Guinea-Bissau
  4. worldstatesmen.org - Guinea-Bissau
  5. African States and Rulers, John Stewart, McFarland
  6. a b José Joaquim Lopes de Lima, Francisco Maria Bordalo (1862). Ensaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania. escriptos. [S.l.]: Imprensa Nacional. 131 páginas 
  7. a b c d e Manoel José Gabriel Saldanha (1990). História de Goa: História política 2.ª ed. [S.l.]: Asian Educational Services. pp. 270–272. ISBN 9788120605909 
  8. Monika Schlicher (1996). Portugal in Ost-Timor (em alemão). 4. [S.l.]: Abera. ISBN 9783931567088 
  9. TELES, Miguel Galvão. Timor Leste in Separata do II Suplemento do Dicionário Jurídico da Administração Pública
  10. Helena Roldão (16 de Abril de 2013). «Ficha histórica: Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras (1836)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 2 de Dezembro de 2014 
Precedido por
19.º Conselho de Governo do Estado da Índia
 
Governador Interino da Índia Portuguesa

1840 - 1842
Sucedido por
20.º Conselho de Governo do Estado da Índia
Precedido por
António Olavo Monteiro Tôrres
 
Governador de Timor e Solor

18511852
Sucedido por
Manuel de Saldanha da Gama