Khawal

dançarino egípcio travestido

Khawal (plural: khawalat) (em árabe: خول) era o nome dado a um dançarino egípcio tradicional do sexo masculino vestido com trajes femininos e foi popular até o final do século XVIII e início do século XIX.

Cartão postal representando um khawal (pré-1907).

NomeEditar

De acordo com o dicionário árabe mais antigo, Kitab al-'Ayn, a palavra "al-khawal" era sinônimo de servo ou escravo. Os Khawalat foram adquiridos por meios desconhecidos, talvez comprados como um saque de guerra. No entanto, eram diferentes do resto dos escravos clássicos porque a compra de um khwal não significava sua posse enquanto propriedade.[1]

HistóriaEditar

Após proibições de mulheres dançando em público, garotos e homens crossdressers tomaram seu lugar em todo o Oriente Médio; e em alguns países árabes, esses dançarinos eram conhecidos como gawwal, e no Egito, eles eram conhecidos pelo termo relacionado khawal.[2] O khawal imitava as ghawazi dançando com o acompanhamento de castanholas, pintando as mãos com henê, trançando seus cabelos longos, arrancando seus pelos faciais, usando maquiagem e adotando os modos das mulheres.[2]

Como se fazem passar por mulheres, suas danças são exatamente da mesma descrição das Ghawazee [dançarinas]... Sua aparência geral... é mais feminina do que masculina: eles deixam os cabelos crescerem, e geralmente os trançam, à maneira das mulheres... eles imitam as mulheres também aplicando kohl e henê em seus olhos e mãos como as mulheres.[3]

Os Khawal se distinguiram das mulheres por usar uma mistura de roupas masculinas e femininas.[2] Eles desempenhavam várias funções, como casamentos,[4] nascimentos, circuncisões e festivais.[5]

Nos séculos XVIII e XIX, eles também costumavam se apresentar para visitantes estrangeiros, chocando-os ou encantando-os de várias maneiras.[6][7] Os khawalat eram considerados sexualmente disponíveis; seu público masculino achava sua ambigüidade sedutora.[8]

Na gíria egípcia moderna, o termo é pejorativo e refere-se a um homem gay passivo.[9]

Veja tambémEditar

Referências

  1. Ennaji, Mohammed. Slavery, the State, and Islam [Escravidão, o Estado e o Islã] (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press. p. 182 
  2. a b c Lynne Hanna, Judith (1988). Dance, Sex, and Gender: Signs of Identity, Dominance, Defiance, and Desire [Dança, sexo e gênero: sinais de identidade, domínio, desafio e desejo] (em inglês). [S.l.]: University of Chicago Press. p. 57–58. ISBN 9780226315515 
  3. A. Boone, Joseph (2014). The Homoerotics of Orientalism [Os Homoeróticos do Orientalismo] (em inglês). [S.l.]: Columbia University Press. p. 188. ISBN 9780231521826 
  4. William Lane, Edward (1842). An Account of the Manners and Customs of the Modern Egyptians [Um relato das maneiras e costumes dos egípcios modernos] (em inglês). 1. [S.l.]: London: Charles Knight & Co. p. 260 
  5. L. Russell, Mona (2013). Middle East in Focus: Egypt [Oriente Médio em foco: Egito] (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO. p. 335. ISBN 9781598842340 
  6. van Nieuwkerk, Karin (2010). A Trade like Any Other: Female Singers and Dancers in Egypt [Um ofício como qualquer outro: cantoras e dançarinas no Egito] (em inglês). [S.l.]: University of Texas Press. p. 33. ISBN 9780292786806 
  7. Haggerty, George; Zimmerman, Bonnie (2003). Encyclopedia of Lesbian and Gay Histories and Cultures [Enciclopédia de histórias e culturas lésbicas e gays] (em 2003). [S.l.: s.n.] p. 952. ISBN 1135578710 
  8. Shay, Anthony (2014). The Dangerous Lives of Public Performers: Dancing, Sex, and Entertainment in the Islamic World [As vidas perigosas de artistas públicos: dança, sexo e entretenimento no mundo islâmico] (em inglês). [S.l.]: Palgrave Macmillan. p. 160. ISBN 9781137432384 
  9. Rights Watch, Human (2004). In a Time of Torture: The Assault on Justice in Egypt's Crackdown on Homosexual Conduct [Em tempos de tortura: o ataque à justiça na repressão egípcia à conduta homossexual] (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 6. ISBN 1564322963