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Kurt Lewin

professor académico alemão
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Kurt Lewin
Nascimento 9 de setembro de 1890
Mogilno
Morte 12 de fevereiro de 1947 (56 anos)
Newtonville
Cidadania Alemanha, Estados Unidos
Alma mater Universidade de Munique, Universidade de Freiburg, Universidade Humboldt de Berlim
Ocupação psicólogo, professor universitário
Empregador Universidade Cornell, Universidade Duke, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Universidade Humboldt de Berlim
Religião Judaísmo

Kurt Lewin (Mogilno, 9 de setembro de 1890Newtonville, 12 de fevereiro de 1947) foi um psicólogo alemão, conhecido como um dos pioneiros modernos da psicologia social, organizacional e aplicada nos Estados Unidos. Exilado da terra de seu nascimento, Lewin ( /ləˈvn/ lə-VEEN-') fez uma nova vida para si mesmo, no qual definiu a si mesmo e suas contribuições dentro de três lentes de análise: pesquisa aplicada, pesquisa-ação e comunicação em grupo, sobretudo no campo da comunicação. Lewin é frequentemente reconhecido como o "fundador da psicologia social" e foi um dos primeiros a estudar a dinâmica de grupo e o desenvolvimento organizacional. Uma pesquisa da revista General Psychology, publicada em 2002, classificou Lewin como o 18º psicólogo mais citado do século XX.[1]

Índice

Teoria do CampoEditar

Para Lewin, a teoria de campo não era uma teoria, mas um método de analisar relações causais e construir conceitos; de trabalhar com a noção de que qualquer evento é o resultado de múltiplos de fatores. Sua concepção de que qualquer comportamento ou mudança no campo psicológico depende somente do campo psicológico naquele tempo, também, introduziu uma perspectiva complexa sobre o tempo (o presente, o futuro no presente e o passado no presente), uma noção de processualidade e também a necessidade de trabalhar no nível tanto macroscópico quanto microscópico, incluindo o que ele chamou de “unidades situacionais” (que aproxima o terreno de médio alcance).

“Temos que conceber a vida do grupo como o resultado de constelações específicas de forças dentro da conjuntura (setting) mais ampla.... o campo como um todo, incluindo seus componentes psicológicos e não psicológicos” (LEWIN, 1952 p.174)

Lewin discutiu a relação entre os espaços psicológicos e não-psicológicos a partir de três noções: o espaço de vida psicológico (ou o equivalente em termos do grupo, instituição ou comunidade); o reconhecimento de que há múltiplos processos no mundo físico e social que não afetam o indivíduo (ou grupo, instituição ou comunidade) neste momento de tempo; e a zona fronteiriça, onde certas partes do mundo físico e social podem afetar o estado do espaço de vida do indivíduo, grupo, instituição ou comunidade naquele momento. Por exemplo, a comida que está atrás da porta não afeta o espaço de vida da pessoa, a não ser que a pessoa saiba o que está lá, ou saiba que a porta é a do armário da cozinha onde são guardados os biscoitos. A noção de zona fronteiriça chama atenção para os horizontes e às maneiras pelos quais horizontes podem ser ampliados ou reduzidos, por exemplo, no processo de exclusão ou inclusão social (CAMAROTTI & SPINK, 2000; SPINK, 2003) e como as “portas” da vida cotidiana podem ser igualmente abertas ou fechadas, conhecidas ou escondidas.

Para Lewin o comportamento humano é resultado de um campo, o individuo e o entorno nunca devem ser vistos como duas realidades separadas. Na prática são duas instancias que sempre estão interagindo entre si e que se modificam mutuamente em tempo real. Assim ele indica que, quando queremos compreender o comportamento humano, devemos considerar todas as variáveis que podem estar em seu espaço vital.

Como Lewin considerava que o comportamento deve ser visto em sua totalidade, ele criou o conceito de grupo. Para ele, não era a soma das características de seus membros, mas algo novo, resultante dos processos que ali ocorreram.[1][2]

= A Investigação em Ação = Kurt Lewin Quando fazemos o que nós chamamos de pesquisa de campo, nós não estamos “indo” ao campo. Já estamos no campo, porque já estamos no tema. O que nós buscamos é nos localizar psicossocialmente e territorialmente mais perto das partes e lugares mais densos das múltiplas interseções e interfaces críticas do campo-tema onde as práticas discursivas se confrontem e, ao se confrontar, se tornam mais reconhecíveis (Long, 2001). Para fazer isso, não há métodos bons ou ruins; há simplesmente maneiras de estar no campo-tema, incluindo a poltrona da biblioteca. Método, nada mais é de que a descrição do “como”, “onde” e “o que”. Ao abrir a noção de método desta maneira, aumentamos e não diminuímos a nossa obrigação de entender as conseqüências de nossa presença no campo-tema. O campo-tema não é um aquário que olhamos do outro lado do vidro; é algo do qual fazemos parte desde o primeiro momento em que dissemos, “estou trabalhando com........”. A investigação em ação, portanto, se refere à ação da Psicologia & Sociedade; 15 (2): 18-42; jul./dez.2003 37 investigação; sua localização como parte do tema. Conversar sobre o que entendemos, ampliar argumentos, narrar e publicar o que parece importante narrar ou publicar, não são atividades eventuais e opcionais. Estamos no campo-tema porque disciplinarmente achamos que podemos ser úteis e é sempre bom lembrar que, ao contrário da posição confortável da separação de problema e solução na famosa frase atribuída ao Lenin – se somos parte da solução, provavelmente somos também parte do problema. Lugares, eventos, pessoas, rostos, artefatos, documentos, impressões, recortes, anotações, lembranças, fotos e sons em partes e em pedaços (muitos pedaços); um confronto de saberes uma negociação de sentidos numa busca de ampliar possibilidades de transformar práticas. Só o mal avisado pode pensar que isso é uma atividade neutra. Por exemplo, ao tirar fotos de mulheres na zona rural e construir uma parede de fotos no lugar onde não tem espelhos e muito menos vitrines, o que fazemos é dialogar; com a identidade urbana e a identidade rural, com a feminilidade, a família, a beleza, as questões de gênero. Dialogamos porque estamos onde estamos, não só fisicamente, mas sócio e psicologicamente. Não há dados nas nossas investigações porque não há fatos empíricos esperando pacientemente e independentemente para serem interpretados. Transformar o agir do outro em “dados” é desqualificar sua presença e reduzi-lo, como Garfinkel (1967) argumentou, ao status de um “idiota social”, ou pior, ao status de uma mercadoria onde a mais valia acadêmica rouba-lhe a sua competência na construção diária da desigualdade. Não há dados, mas há, ao contrário, pedaços ou fragmentos de conversas: conversas no presente, conversas no passado; conversas presentes nas materialidades; conversas que já viraram eventos, artefatos e instituições; conversas ainda em formação; e, mais importante ainda, conversas sobre conversas. Não há múltiplas formas de coleta de dados e, sim, múltiplas maneiras de conversar com socialidades e materialidades em que buscamos entrecruzá-las, juntando os fragmentos para ampliar as vozes, argumentos e possibilidades presentes. 38 Spink, P. K. “Pesquisa de campo em psicologia social: uma perspectiva pós-construcionista”.[2][3]

Formação e início de carreira profissionalEditar

Na Alemanha, estudou em Freiburg, Munique e Berlim, onde se doutorou em 1914, quando foi para a Primeira Guerra Mundial como oficial do Exército alemão trabalhando no Instituto Psicanalítico de Berlim. Foi para os Estados Unidos em 1933, onde se refugiou antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), pois era judeu. Não voltou mais para a Alemanha.

Trabalho nos Estados UnidosEditar

Trabalhou nas universidades de Cornell, Stanford e Iowa, fundou o Centro de Pesquisa de Dinâmica de Grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, (MIT), em 1945. No Instituto fez diversos trabalhos e formou muitos profissionais no campo da psicologia e da Sociologia e fisiologia. Entre os anos de 1946 e 1953, Kurt Lewin integrou o grupo reunido sob o nome de Macy Conferences, contribuindo para a consolidação da teoria cibernética junto com outros cientistas renomados: Arturo Rosenblueth, Gregory Bateson, Heinz von Foerster, John Von Neumann, Julian Bigelow, Lawrence Kubie, Lawrence K. Frank, Leonard J. Savage, Margaret Mead, Molly Harrower, Norbert Wiener, Paul Lazarsfeld, Ralph W. Gerard, Walter Pitts, Warren McCulloch e William Ross Ashby; além de Claude Shannon, Erik Erikson e Max Delbrück.

Teoria psicológicaEditar

A teoria do campo psicológico, formulada por Lewin, afirma que as variações individuais do comportamento humano com relação à norma são condicionadas pela tensão entre as percepções que o indivíduo tem de si mesmo e pelo ambiente psicológico em que se insere, o espaço vital, onde abriu novos caminhos para o estudo dos grupos humanos. Dedicou-se às áreas de processos sociais, motivação e personalidade, aplicou os princípios da psicologia da Gestalt. Lewin desenvolveu a pesquisa-ação (Action-Research), tentando com ela dar conta de dois problemas levantados pela sociedade em sua época: os problemas sociais e a necessidade de pesquisa. Fez isso, pois nem sempre a pesquisa social pode ser levada para os laboratorios. Infelizmente, na época de hoje também, existem muitas fontes de pesquisa que não são confiáveis. Não podemos deixar de falar da teoria de três etapas (descongelamento, movimento e recongelamento) de Lewin que revolucionou a ideia de mudança em organizações.

Algumas prerrogativas da Teoria de campo de Lewin:

- O comportamento deriva da coexistência dos fatos; - Essa coexistência dos fatos criam um campo dinâmico, o que significa que o estado de qualquer parte do campo depende de todas as outras partes; - O comportamento depende do campo atual ao invés do passado ou do futuro.

O campo é a totalidade da coexistência dos fatos que são concebidos como mutualmente interdependentes. Indivíduos se comportam diferentemente de acordo com o modo em que as tensões da percepção do self e do ambiente são trabalhados. O campo psicológico ou espaço vital (lifespace, em inglês), dentro dos quais as pessoas agem precisa ser levado em conta a fim de entender o comportamento. Os indivíduos participam de uma série de espaços vitais (ex: família, escola, trabalho, igreja etc) e esses foram construídos sob a influência de inúmeros vetores de força.

O comportamento é função do campo que existe no momento em que o comportamento ocorre e é representado pela seguinte fórmula:

C = f (P,A)

em inglês estas siglas tornam-se: B = f (P,E)

A fórmula significa que o comportamento de alguém está relacionado as características pessoais da pessoa e à situação social na qual se encontra.

Obras literáriasEditar

  • A Dynamic Theory of Personality (1935; Teoria dinâmica da personalidade)
  • Principles of Topological Psychology (1936; Princípios de psicologia topológica).

Ver tambémEditar

  1. Haggbloom, Steven J.; Warnick, Renee; Warnick, Jason E.; Jones, Vinessa K.; Yarbrough, Gary L.; Russell, Tenea M.; Borecky, Chris M.; McGahhey, Reagan; Powell, John L., III; Beavers, Jamie; Monte, Emmanuelle (2002). «The 100 most eminent psychologists of the 20th century». Review of General Psychology. 6 (2): 139–52. CiteSeerX 10.1.1.586.1913 . doi:10.1037/1089-2680.6.2.139  Parâmetro desconhecido |citeseerx= ignorado (ajuda)
  2. Melo, Armando Sérgio Emerenciano de; Maia Filho, Osterne Nonato; Chaves, Hamilton Viana (2016-04). «Lewin e a pesquisa-ação: gênese, aplicação e finalidade». Fractal : Revista de Psicologia. 28 (1): 153–159. ISSN 1984-0292. doi:10.1590/1984-0292/1162  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Melo, Armando Sérgio Emerenciano de; Maia Filho, Osterne Nonato; Chaves, Hamilton Viana (2016-04). «Lewin e a pesquisa-ação: gênese, aplicação e finalidade». Fractal : Revista de Psicologia. 28 (1): 153–159. ISSN 1984-0292. doi:10.1590/1984-0292/1162  Verifique data em: |data= (ajuda)