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Luiz Eduardo Merlino

pessoa morta ou desaparecida na ditadura brasileira
Luiz Eduardo da Rocha Merlino
Nascimento 18 de outubro de 1948
Santos, Brasil
Morte 19 de julho de 1971 (22 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Cônjuge Ângela Mendes de Almeida
Ocupação Jornalista
Filiação Zeno Merlino e Iracema Rocha da Silva Merlino

Luiz Eduardo da Rocha Merlino (Santos, 18 de outubro de 1948 — São Paulo, 19 de julho de 1971) foi um jornalista e militante brasileiro morto após ser torturado em 1971, durante a ditadura militar. Seu caso é investigado pela Comissão Nacional da Verdade. Ela apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira[1].

O jornalista e militante Luiz Eduardo da Rocha Merlino morreu no ano de 1971 sob tortura[1]. Ele morreu dentro da área do DOI-Codi do II Exército de São Paulo.[1]

BiografiaEditar

É filho de Zeno Merlino e Iracema Rocha da Silva Merlino. Estudou em vários colégios em Santos, e, enquanto secundarista (cursando o ensino médio), participou do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Com dezessete anos, mudou-se para São Paulo e, em 1966, fez parte da primeira equipe de jornalistas do recém-fundado Jornal da Tarde (1966), do grupo O Estado de S. Paulo. Nesse período, escreveu algumas reportagens que tiveram grande repercussão, como a que denunciava as atividades do “mau patrão” Abdala, da Fábrica de Cimento Perus/SP (Jornal da Tarde de 24 de abril de 1967) e as que descreviam a vida dos índios Xavantes no Mato Grosso (Jornal da Tarde, 12/08/67 e 26/08/67).

Continuou a trabalhar como jornalista na Folha da Tarde (1968) e depois no Jornal do Bairro (1969-1970). Participou ainda ativamente da equipe do jornal alternativo Amanhã.

Estudante de História da Universidade de São Paulo (USP), cobriu, em setembro de 1968, o 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, interior de São Paulo, para a Folha da Tarde. Como jornalista, foi um dos poucos presentes que escaparam da prisão e puderam relatar tudo o que realmente tinha acontecido. Nessa época, já havia ingressado no Partido Operário Comunista (POC).[2]

A partir de 1968, com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5) e o endurecimento da ditadura, passou a participar de atividades clandestinas de combate ao regime militar, sem deixar de exercer a profissão de jornalista e cursar a faculdade de História. Nesse também se manifestou contra a visita de Nelson Rockfeller ao Brasil.

Prisão e morteEditar

Com 22 anos, depois de regressar de uma viagem à França feita para estreitar contatos com a IV Internacional, foi preso sem acusações dos órgãos repressivos na casa de sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971.[3] Levado para o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, na Rua Tutóia, para prestar depoimento à Operação Bandeirante (Oban). Conforme o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça, "torturado por cerca de 24 horas ininterruptas e abandonado sem tratamento médico numa solitária, a chamada 'cela-forte', ou 'x-zero'."[4]

De acordo com presos políticos companheiros que viram seu estado após as torturas, como Eleonora de Oliveira Soares, Ricardo Prata Soares, Lauriberto Junqueira Filho e principalmente Guido Rocha, que esteve com ele na cela, Merlino sofreu fortes lesões e gangrena generalizada. Depois de ter seu estado agravado, foi levado ao Hospital Geral do Exército, onde veio a morrer em 19 de Julho de 1971.

Depois de cinco dias desaparecido, em 20 de julho, a família recebeu a notícia de que ele tinha se suicidado, jogando-se embaixo de um carro na BR-116, na altura de Jacupiranga, quando estaria sendo conduzido ao Rio Grande do Sul para “reconhecer” companheiros. O laudo necroscópico atestando essa versão foi assinado pelos médicos legistas Isaac Abramovitc e Abeylard de Queiroz Orsini. Uma segunda versão dada pelos órgãos repressivos é a de que ele teria morrido por "auto-atropelamento". Porém, seus familiares localizaram o corpo, após uma longa espera, no IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo, com marcas de tortura, em uma gaveta, sem nome.

Depois disso o caixão foi entregue à família lacrado. Diversos militantes denunciaram, na Justiça Militar e em várias ocasiões, sua tortura e seu abandono, particularmente Guido Rocha.

Amigos jornalistas foram verificar o local em que Luiz Eduardo havia se suicidado, mas nenhum indício foi encontrado, e nem boletim de ocorrência foi registrado. A imprensa foi proibida de dar a notícia sobre a morte do militante, porém, um mês após o acontecido, o jornal O Estado de São Paulo convidou as pessoas para uma missa em homenagem ao brasileiro. A cerimônia aconteceu na Catedral da Sé, em São Paulo.[5]

A mãe de Merlino, Iracema Merlino, em 1979 entrou com uma ação contra a versão oficial dada para a morte do filho, mas Iracema faleceu em 1995 e nunca soube a verdadeira história por trás do falecimento de seu filho. O caso foi esclarecido oficialmente um ano depois.[5]

Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como mandante da prisão e torturas sofridas por Luiz Eduardo Merlino, foi condenado a pagar R$ 100 mil para os familiares do militante.[5]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c «LUIZ EDUARDO DA ROCHA MERLINO - Comissão da Verdade». comissaodaverdade.al.sp.gov.br. Consultado em 15 de outubro de 2019 
  2. Garcia, Janaina (17 de outubro de 2018). «TJ vê prescrição e barra indenização de Ustra a família de jornalista morto na ditadura». UOL. Consultado em 17 de outubro de 2018 
  3. «Justiça paulista extingue condenação por tortura contra coronel Ustra». Agência Brasil. Consultado em 28 de outubro de 2018 
  4. Boehm, Camila (10 de outubro de 2018). «Acervo — Mortos e desaparecidos políticos». Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Consultado em 28 de outubro de 2018 
  5. a b c «Luiz Eduardo Merlino». Memórias da ditadura. Consultado em 10 de outubro de 2019 

Ligações externasEditar