Martim Vasques I de Soverosa

Martim Vasques I de Soverosa (c. 1165 - Plasência, 1196) foi um nobre medieval português, rico-homem na corte de Sancho I, exercendo, na sua corte, o destacado cargo de Alferes-mor[2].

Martim Vasques I de Soverosa
Rico-homem/Senhor
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Alferes-mor do Reino de Portugal
Reinado 1193-1195
Predecessor Rodrigo Mendes de Sousa
Sucessor Rodrigo Mendes de Sousa
Nascimento 1165
  El Bierzo, Reino de Leão
Morte 1196 (31 anos)
  Plasência, Cáceres, Reino de Castela
Nome completo  
Martim Vasques [de Soverosa][1]
Dinastia Soverosa
Pai Vasco Fernandes, Senhor de Soverosa
Mãe Teresa Gonçalves de Sousa
Religião Catolicismo romano
Brasão

BiografiaEditar

Martim era filho do rico-homem Vasco Fernandes de Soverosa e de Teresa Gonçalves de Sousa, filha de Gonçalo Mendes de Sousa, padroeiro do Mosteiro de Pombeiro, e de Dórdia Viegas. Foi através deste matrimónio que o pai trouxe a honra de Soverosa para a posse da família. Martim era, portanto, bisneto materno de Egas Moniz IV de Ribadouro, o célebre aio de Afonso Henriques.

Primogenitura duvidosaEditar

Martim Vasques permaneceu junto dos pais nas terras galegas de O Bierzo, onde a família recebe recebem algumas doações de Fernando II de Leão[3]. A morte do pai, por volta de 1194, pode ter levado Martim à chefia da família. Assume-se que Martim era o filho primogênito de Vasco Fernandes e Teresa Gonçalves, por ser o primeiro a surgir na corte com cargos palatinos. Se assim foi, deteve apenas momentaneamente a chefia da família, dado que falece na sequência da Batalha de Alarcos (1196). Contudo, nem sempre o primeiro filho a deter cargos na corte é o primogénito, como é o caso da Casa de Baião[4][5].

Na corteEditar

O regresso dos Soverosas à corte portuguesa, depois da saída de Vasco Fernandes de Soverosa, dá-se em 1193, quando Martim foi nomeado Alferes-mor de Portugal. Confirma, com esse cargo, dois diplomas da cúria em maio desse mesmo ano. Pode ter deixado momentaneamente o cargo, pois confirma um documento de agosto de 1193 sem que se faça referência a qualquer cargo palatino. Volta a aparecer como alferes em janeiro de 1194, e assim se manterá na documentação até abril de 1195[6].

Confronto de Plasência: morteEditar

O seu destino não varia muito nos Livros de Linhagens: o Livro Velho de Linhagens afirma que "cativaram-no os mouros em Palemça e nunca souberam del parte", ao passo que o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro apenas refere que o mataram "os mouros em Prasença".

O facto é que a partir de abril de 1195, Martim desaparece da documentação, o que sugere que faleceu pouco depois. As afirmações dos livros de linhagens parecem sugerir que Martim participou na luta entre as tropas cristãs e as almóadas, que decorreu em Plasência, na sequência da derrota das tropas cristãs na Batalha de Alarcos. Esta pequena campanha estava relacionada com a aliança de Afonso IX de Leão a Miramolim. O rei de Leão pretendia aproveitar o enfraquecimento militar do Reino de Castela, depois da derrota, para o invadir. Ficara estabelecido que o leonês atacaria Tierra de Campos e o muçulmano partiria de Sevilha para invadir a Extremadura. As tropas muçulmanas avançaram sobre Monsánchez em abril, e depois sobre Trujillo e Santa Cruz, antes de chegarem a Plasência. Segundo uma carta de Almançor, o castelo resistiu uma noite, antes de capitularem. Enquanto que a Primeira Crónica Geral de Espanha afirma que o bispo, os cânones e todos os cristãos da cidade foram mortos, uma fonte árabe, o Rawd al-mi'tar, refere que o alcaide e cento e cinquenta indivíduos notáveis foram enviados para trabalhos forçados, participando da construção da mesquita de Rabat[3].

O facto de ter sido morto por mouros coloca Martim Vasques do lado castelhano, embora, dadas as suas ligações familiares e económicas à Galiza; Pode também ter chefiado uma horda portuguesa enviada por Sancho I de Portugal para se aliar à fação castelhana. Pode ter perdido a vida em batalha, ou ter sido um dos enviados para Rabat[3].

Referências

  1. O epíteto de Soverosa é uma designação posterior dada aos membros desta linhagem, uma vez que nenhum deles é é mencionado por fontes contemporâneas com este apelido. Cf. Calderón Medina, 2018, p.209
  2. Ventura 1992.
  3. a b c Calderón Medina 2018, p. 96.
  4. Ventura 1992, p. 599.
  5. Sottomayor-Pizarro 1997, p. 293-295.
  6. Calderón Medina 2018, p. 94.

BibliografiaEditar

  • Calderón Medina, Inés (2018). Los Soverosa - Una parentela entre tres reinos - Poder y parentesco en la Edad Media hispana (ss.XI-XIII). Valladolid: Universidad de Valladolid 
  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - 50 vols. , Vários, Editorial Enciclopédia, Lisboa. vol. 16-pg. 887.
  • Sottomayor-Pizarro, José Augusto (1997). Linhagens Medievais Portuguesas: Genealogias e Estratégias (1279-1325). I. Porto: Universidade do Porto 
  • Ventura, Leontina (1992). A nobreza de corte de Afonso III. II. Coimbra: Universidade de Coimbra