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Mikasa (couraçado)

(Redirecionado de Mikasa (navio))
Mikasa
Japanese battleship Mikasa.jpg
Carreira  Japão
Operador Marinha Imperial Japonesa
Fabricante Vickers, Barrow-in-Furness
Homônimo Monte Mikasa
Data de encomenda 26 de setembro de 1898
Batimento de quilha 24 de janeiro de 1899
Lançamento 8 de novembro de 1900
Comissionamento 1º de março de 1902
Descomissionamento 23 de setembro de 1923
Estado Navio-museu
Características gerais
Tipo de navio Couraçado pré-dreadnought
Deslocamento 15 380 t
Maquinário 2 motores de tripla expansão
25 caldeiras
Comprimento 131,7 m
Boca 23,2 m
Calado 8,2 m
Propulsão 2 hélices
- 15 000 hp (11 200 kW)
Velocidade 18 nós (33 km/h)
Autonomia 9 000 milhas náuticas a 10 nós
(17 000 km a 19 km/h)
Armamento 4 canhões de 305 mm
14 canhões de 152 mm
20 canhões de 76 mm
12 canhões de 47 mm
4 tubos de torpedo de 450 mm
Blindagem Cinturão: 102 a 229 mm
Convés: 51 a 76 mm
Torres de artilharia: 203 a 254 mm
Barbetas: 203 a 356 mm
Torre de comando: 102 a 356 mm
Casamatas: 51 a 152 mm
Tripulação 836

Mikasa (三笠?) é um couraçado da Marinha Imperial Japonesa, lançado à água na Grã-Bretanha em 1900. Ele foi a capitânia do almirante Tōgō Heihachirō durante a Batalha do Mar Amarelo em 10 de Agosto de 1904 e na Batalha de Tsushima em 27 de Maio de 1905, durante a Guerra Russo-Japonesa. ELe encontra-se preservado como navio-museu em Yokosuka. O Mikasa é, no mundo, o único couraçado pré-dreadnougth existente.

O seu nome provém do monte Mikasa em Nara no Japão

EncomendaEditar

 
Planos do Mikasa como construído, Jane's Fighting Ships 1906-07

A seguir à primeira Guerra sino-japonesa em 1894-1895, e como consequência do retorno da península de Liaodong à China resultado de pressões por parte do Império Russo, o Japão começou a reforçar-se militarmente de modo a precaver confrontações futuras. No caso da sua Marinha, foi promulgado um programa de construção naval a 10 anos, que incluía, como linha de acção a construção de 6 couraçados e 6 cruzadores protegidos

O último destes couraçados, foi o Mikasa, encomendado ao estaleiro Vickers em Barrow in Furness, Inglaterra no final de 1898 para entrega em 1902 a um custo de £880 000 (8 800 000 ienes)

Nesse mesmo ano de 1902, o Japão também garantiu apoio diplomático e estratégico da Grã-Bretanha (A maior potência naval na altura) através da assinatura de um tratado de aliança. À Grã-Bretanha, tal como ao Japão, interessava conter o expansionismo russo no Extremo-oriente

ProjectoEditar

Na sua entrega, o Mikasa era o “estado da arte” da era pré-Dreadnougth, mas não representava o zénite do poder de fogo e protecção.
O seu desenho foi adaptado da Classe Majestic da Marinha Real Britânica, aumentando o seu deslocamento (15 140 toneladas contra 14 900 do Majestic), velocidade (18 nós contra 17), ligeiro aumento de poder de fogo (mais duas peças de 6‘’) e melhor blindagem (Blindagem Krupp contra blindagem Harvey). No entanto, o Mikasa era já inferior aos Couraçados da Classe Canopus comissionados em 1899 e aos da Classe Formidable comissionados em Setembro de 1901

CarreiraEditar

Guerra Russo-JaponesaEditar

 
Almirante Togo na ponte do Mikasa, antes da batalha de Tsushima

Graças ao seu desenho, no qual as armas principais agrupadas em torres numa posição central, permitiu ao resto do navio ser uniformemente protegido com as chapas blindadas Krupp, o Mikasa foi capaz de resistir um grande número de impactos directos, 20 na Batalha do Mar Amarelo em Agosto de 1904 e cerca de 30 na Batalha de Tsushima com danos mínimos. O poder de fogo, o longo alcance dos canhões, os artilheiros altamente treinados ajudados pelos mais avançados telemetros[1] da altura, provaram ser letais para a armada imperial Russa.

Na batalha de Tsushima o Mikasa liderou a frota combinada japonesa numa das batalhas navais mais decisivas da história moderna. A esquadra russa foi quase totalmente aniquilada: De 38 navios, 21 foram afundados, 7 capturados e 6 desarmados. 4 545 marinheiros e oficiais russos foram mortos e 6 106 feitos prisioneiros. A Marinha Japonesa perdeu 116 homens e 3 torpedeiros

O feito da Marinha Imperial Japonesa foi observado e analisado pelas potências ocidentais, e teve um papel importante na definição da nova geração de couraçados (O HMS Dreadnougth, pois o conflito confirmou a eficácia dos canhões de elevado calibre e a importância do grande alcance dos mesmos[2]

Afundamento e reconstruçãoEditar

 
O Misaka, como navio-museu, em Yokosuka (2010).

Pouco após a assinatura do tratado de paz com a Rússia, a 11 de Setembro de 1905,quando fundeado no porto de Sasebo, o Mikasa afundou-se após um incêndio, seguido de uma explosão no paiol das munições, que lhe arrancou uma secção do casco, matando 339 homens e ferindo cerca de 300 outros. O navio afundou 11 m, assentando no fundo do porto. A sua recuperação foi difícil, sendo apenas conseguida em 8 de Agosto de 1906. As reparações foram realizadas no Arsenal naval de Maizuru.

Após dois anos de reparações, reparações essas que incidiram também na substituição das peças de 305 mm x 40 calibres que se encontravam com problemas de corrosão, por novos canhões, mais eficazes de 305 mm x 45 calibres, o Mikasa reentrou ao serviço em 1908.

Fim de carreira activaEditar

Com a entrada ao serviço do HMS Dreadnougth e a corrido ao armamento que se lhe seguiu, o Mikasa tornou-se obsoleto sendo desclassificado para couraçado de 2ª classe e mais tarde para 3ª classe. A 1 de Setembro de 1921, recebeu a classificação de navio de defesa costeira de 1ª classe

A 16 de Stembro de 1921, o Mikasa encalhou, no canal de Askold, durante a intervenção que o Exército Japonês fez na Sibéria, durante a Guerra Civil Russa, que se seguiu à revolução de Outubro. Ele foi socorrido pelo couraçado Fuji, pelo cruzadores Kasuga e Yodo e reparado em Vladivostok, que se encontrava sob ocupação japonesa. Após o seu retorno a Maizuru, a sua utilização no activo terminou, sendo colocado na frota de reserva. Hoje em dia é um monumento histórico no porto militar de Yokosuka.

ReferênciasEditar

Revista Historia y vida, nº466 (Janeiro 2007)

Ligações externasEditar

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Mikasa (couraçado)

Referências

  1. Thorpe, David (2007). «Scottish Links with Japan» (em inglês). Scottish Enterprise. Arquivado do original em 4 de março de 2012 
  2. John Arthur, Roberts (2002). The battleship Dreadnought. Anatomy of the ship (em inglês) 1ª ed. Londres: Conway Maritime Press. ISBN 9780851778952