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Disambig grey.svg Nota: Se procura o bairro de mesmo nome, veja Mooca (bairro de São Paulo).

A Mooca é um tradicional distrito de classe média e classe média alta da Zona Leste da cidade de São Paulo, no Brasil. Pertence ao Centro expandido de São Paulo e à Subprefeitura da Mooca.[1][2]

Distrito paulistano da
Mooca
VILAREJOSAOPAULO.jpg
Área 7,7 km²
População (71°) 63.133 hab. (2010)
Densidade 81,99 hab/ha
Renda média R$ 4.098,75
IDH 0,909 - muito elevado (22°)
Subprefeitura Mooca
Região Administrativa Sudeste
Distritos de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg

Índice

HistóriaEditar

A sua fundação aconteceu em 17 de Agosto de 1556, 56 anos após o descobrimento oficial do Brasil pelos portugueses. Na época, as terras eram ocupadas por índios que se concentravam próximo ao Tameateí ou Tometeri, hoje o Rio Tamanduateí.[3] O nome do bairro é de origem indígena. Uma versão aventada é a de que ele teria surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas na região, sob o olhar curioso dos índios, que teriam exclamado Moo-oca! Numa tradução livre, algo como "Eles estão fazendo casas!", de moo, fazer e oca, casa.[4]

Além dessa etimologia, no entanto, o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro acrescenta outra possibilidadeː a de que o nome do distrito tenha se originado do termo tupi antigo mũoka, que significa "casa de parente", através da junção dos termos (parente) e oka (casa).[5]

Formação e desenvolvimentoEditar

 
Prédio do antigo Cotonifício Crespi, comprado pela rede Extra Hipermercados.

A Mooca se caracteriza por uma intensa ocupação de italianos, cujos descendentes não abandonaram o distrito. Outras imigrações importantes foram de lituanos e croatas. Um nome intimamente ligado ao bairro é o do italiano Rodolfo Crespi, dono da que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo, o Cotonifício Crespi, fundado em 1896. Sucessivas ampliações da fábrica foram acompanhadas por construção de moradias para seus funcionários. Assim como a família Crespi, boa parte dos operários era de origem italiana. Desde 2006, o complexo fabril do antigo cotonifício é ocupado pelo hipermercado Extra, que promoveu um projeto polêmico e agressivo de reabilitação e ampliação dos edifícios, alterando sua integridade arquitetônica e construtiva.[6]

 
Estádio Conde Rodolfo Crespi, popularmente chamado de estádio da Rua Javari.

A imigração italiana está presente também nas tradições gastronômicas do bairro que, entre muitas cantinas, pizzarias e doçarias, conta com alguns importantes nomes, como a doceria Di Cunto, a pizzaria São Pedro, a Pizzaria do Ângelo e o restaurante Don Carlini. Muitas famílias de origem napolitana ocupam o bairro até hoje. Para citar algumas, temos: Montone, Marano, Carraro, Piagentini, Brissi, Crivelari ,Sapia entre outros menos conhecidos Sendo uma região de passado industrial, foi uma das áreas da cidade onde se concentraram os imigrantes, em especial os italianos, que imprimiram certas marcas características do bairro, como algumas festas típicas, tais como a Festa de San Gennaro.[7] O distrito abriga, hoje, o Memorial do Imigrante, que traz informações sobre a imigração italiana no Brasil. É um distrito que ainda concentra algumas indústrias na cidade, mas é predominantemente residencial de classe média e de serviços. O distrito ainda sedia a Universidade Anhembi Morumbi e Universidade São Judas Tadeu, ambas de de classe média média e alta, e o tradicional clube paulistano, o Clube Atlético Juventus.

Símbolo da imigração italiana, o tradicional Clube Atlético Juventus foi fundado no dia 20 de abril de 1924 por funcionários do Cotonifício Rodolfo Crespi.[8] Os grandes patronos do Clube eram Rodolfo e o seu filho Adriano Crespi, italianos da cidade de Busto Arsizio, na província italiana de Varese, próximo ao Piemonte. Rodolfo era simpatizante da Juventus, time de futebol da cidade italiana de Turim, enquanto o seu filho Adriano gostava da Fiorentina, de Florença. O nome Clube Atlético Juventus nasceu numa homenagem à Juventus, porém utilizando a cor lilás, da camisa da Fiorentina. Com o tempo, aquela cor arroxeada foi passando para o grená (vinho) utilizada até os dias de hoje. Existe uma outra versão que diz que a camisa é grená em homenagem ao Torino, o outro grande clube de Turim. Assim, teriam sido homenageados os dois clubes dessa cidade.

 
Condomínios residenciais.

Ativismo políticoEditar

O bairro foi um dos principais cenários da atividade política e revolucionária no Brasil, decorrente de sua natureza industrial. Seus habitantes, no início do século XX, eram trabalhadores imigrantes, oriundos de países com um emergente pensamento socialista.[carece de fontes?]

Na época, o ativismo comunista e anarquista era intenso. A confluência da avenida Paes de Barros, rua da Mooca, rua Taquari e rua do Oratório era conhecida como Praça Vermelha. Seus moradores também cruzaram o Rio Tamanduateí e puderam participar da "Queda da Bastilha" no bairro do Cambuci, ocorrida em 30 de outubro de 1930, com a finalidade de pôr fim ao tratamento desumano da delegacia da Rua Barão de Jaguara, local onde eram confinados sindicalistas e agitadores.[9]

A Mooca era, então, um bairro valorizado. Juntamente com o Largo de São Francisco e o Largo de São Bento, constituía ponto de passagem de carros puxados por animais.[carece de fontes?]

Na época, esse meio de transporte era uma inovação e, logo, São Paulo começaria a se transformar com a chegada da estrada de ferro inglesa, com um ramal se estendendo pela Rua dos Trilhos até o bairro do Hipódromo.[carece de fontes?]

O bairro foi, aos poucos, se formando. O local, que era cheio de chácaras e de sítios, logo passou a ser ocupado por fábricas e usinas, além de casas de operários. Assim é que, entre 1883 e 1890, instalaram-se, no bairro, algumas fábricas de massas, como a Carolina Gallo, a Rosália Médio, a Romanelli e outras.

Em 1891, o casal Antônio e Helena Zerrenner fundou a Companhia Antarctica Paulista. Não só de trabalho viviam os moradores do bairro. Em 1923, foram inaugurados o Cine Teatro Moderno e o Cine Santo Antônio. Em seguida, o Cine Aliança, o Imperial, o Icaraí (mais tarde Ouro Verde) e o Patriarca.[carece de fontes?]

Outro lazer, aliás, prazer dos mooquenses, era o footing realizado aos sábados e domingos, entre a Rua João Antônio de Oliveira e a Avenida Paes de Barros, onde as moças desfilavam aos grupos, enquanto os rapazes sem namoradas ficavam apreciando e esperando por algum olhar convidativo. Com essa farta oferta de lazer e com um significativo número de boas lojas, o mooquense dificilmente saía do bairro.[carece de fontes?]

Problemática contemporâneaEditar

Atualmente, a região da Mooca enfrenta problemas relacionados à inadequação de parte de sua estrutura urbana aos novos usos e aos novos programas propostos para o bairro pela cidade, assim como questões ligadas à gentrificação, ou seja, à substituição dos perfis populacionais presentes no bairro e à eventual expulsão das populações de mais baixa renda. O primeiro problema citado se refere à estrutura fabril dos tecidos urbanos presentes junto à orla ferroviária que atravessa o distrito do Brás (ao norte do distrito da Mooca) até as cidades do ABC Paulista. Esta estrutura se caracteriza por uma sucessão de quadras urbanas ocupadas por galpões industriais, muitos deles obsoletos, e cuja origem remonta ao início da industrialização de São Paulo, nas primeiras décadas do século XX. Algumas destas quadras foram adquiridas por incorporadores imobiliários e reunidas em grandes empreendimentos privados, levando à degradação do espaço público. O segundo problema se refere à eventual valorização dos imóveis da região e ao ataque do mercado imobiliário que acarreta na expulsão de famílias tradicionais do local, caracterizando gentrificação.

Em 2006 e 2007, a região assistiu ao conflito entre os movimentos de moradia e a população de classes alta e média da região pela definição no local de zonas especiais de interesse social (ZEIS), nas quais é deve predominar a construção de habitação de interesse social. As classes de mais alta renda exigiam a retirada das ZEIS do Plano Diretor Regional da Subprefeitura, as quais haviam sido definidas pela população no processo de elaboração daquele plano durante a gestão de Marta Suplicy em São Paulo. Com a gestão José Serra-Gilberto Kassab, a proteção às Zeis deixou de existir por parte da Prefeitura de São Paulo.

 
Contraste urbano entre as antigas e modernas construções na região do bairro Hipódromo.

Em 2007, o distrito também foi palco de uma disputa entre o CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio) e o mercado imobiliário interessado na construção de torres residenciais de alto e médio padrão na região.[10]

Assim, demonstrando toda essa característica contrastante, podem-se encontrar, ainda hoje, muitos casarões antigos, com suas fachadas em vários estilos, construídas pelos maestri, os mestres construtores, adornadas de guirlandas e de baixos-relevos, objetos de admiração e de estudo de novos arquitetos, ao lado de modernas residências, assim como de estreitas ruas, típicas de velhas cidades da Europa, ao lado de largas avenidas.

Segundo reportagem do Jornal da Tarde:

Hoje, o tradicional distrito é um dos mais valorizados da Zona Leste paulistana.[11] Composto por três bairros (Hipódromo, Parque da Mooca e Mooca), o distrito da Mooca, atualmente, passa por uma grande transformação em toda a sua extensão, com desativação de antigas indústrias, fábricas e demais complexos, dando lugar a novos estabelecimentos comerciais e a imponentes condomínios residenciais.[12]

InfraestruturaEditar

Distritos limítrofesEditar

O Commons possui imagens e outras mídias sobre Mooca

Referências

  1. «ASPECTOS FÍSICOS E TERRITORIAIS». Prefeitura de São Paulo. 18 de abril de 2003. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  2. «Mapa de Mooca» (PDF). Prefeitura de São Paulo. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  3. «História do Bairro». www.portaldamooca.com.br. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  4. «Seu Bairro: Mooca». 17 de junho de 2013. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  5. Navarro, Eduardo de Almeida (1 de janeiro de 1998). Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. [S.l.]: Editora Vozes. ISBN 9788532619532 
  6. «Utilidade venceu valor histórico». 9 de dezembro de 2007. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  7. «Mooca receberá Festa de San Genaro neste sábado». g1.globo.com. G1. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  8. «Clube Atlético Juventus › Clube». 14 de março de 2009. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  9. Fava, Antonio (16 de setembro de 2002). «Memórias políticas da velha Mooca». Memórias políticas da velha Mooca. Jornal da Unicamp. Consultado em 20 de julho de 2016 
  10. «Prefeitura.SP - Conpresp aprova tombamento de imóveis na Mooca». 14 de abril de 2008. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  11. «Notícias sobre mercado de imóveis - Blog de Mercado - Lopes». 9 de novembro de 2009. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
  12. Mattiussi, Luciana. «A Mooca não é mais a mesma». Época. Consultado em 28 de janeiro de 2017 
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