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Morada Nova
  Distrito do Brasil  
Praça central da Morada Nova, no entroncamento de três rodovias: BR-155, BR-222 e PA-150
Praça central da Morada Nova, no entroncamento de três rodovias: BR-155, BR-222 e PA-150
Estado Pará Pará
Município Marabá
Criado em 1973
Área
- Total 190,4 km²
População (PMM/2000[1])
 - Total 6 877
    • Densidade 36,10 hab./km²

Morada Nova, ou oficialmente Paraguatins,[2] é um distrito urbano do município de Marabá. Dentre os distritos urbanos do município, é o que se localiza mais distante da área central de Marabá.[3] Apropria-se do nome do bairro homônimo (Morada Nova), que é o mais importante centro comercial do distrito.

O distrito é uma das áreas de ocupação mais recente do município, tendo esta iniciada na década de 1970. O plano diretor de 2006 o definiu como área de expansão demográfica e urbana.[3][4]

Índice

HistóricoEditar

A área onde hoje localiza-se a Morada Nova era até meados da década de 1960 território dos povos Gavião. Os Gavião eram um povo muito aguerrido e hostil ao contato com o colonizador. Este fato repeliu as tentativas de maior penetração nos territórios indígenas e afastou a presença do colonizador que habitava a região (a Velha Marabá fica a aproximadamente 18 km de distância em linha reta) desde os fins do século XIX.[5]

Abertura da PA-70Editar

Em 1969 o governo estadual inaugura a primeira rodovia de integração do sudeste do Pará, a PA-70. Esta ligava a Belém-Brasília ao bairro de São Félix I, em Marabá. A PA-70 (atual BR-222) cortou ao meio, os até então intransponíveis territórios dos Gavião. Os povos Gavião fugiram das áreas próximas à rodovia, permitindo o avanço colonizador.[5]

Com a abertura da rodovia, os primeiros colonos começaram a estabelecer-se na região da Morada Nova, e em pouco tempo esta área já encontrava-se relativamente ocupada. Os colonos faziam pequenos cultivos agrícolas e também ocupavam-se da criação de reses.[6]

Em 1973 é estabelecido o vilarejo Morada Nova na altura do Km 12 da rodovia PA-70 (sentido Ponte Mista de Marabá - Terra Indígena Mãe Maria). Em pouco tempo instalam-se madeireiras e serrarias, que viriam a formar o primeiro parque industrial de Morada Nova, além da atividade madeireira ser motor do primeiro ciclo econômico do distrito. O ciclo da madeira fez explodir demograficamente o distrito, que durante a cinco anos, entre 1975 e 1980, foi a segunda área mais populosa de Marabá, concentrado aproximadamente 12 mil habitantes.[7]

Pecuária e PA-150Editar

 
Escola Arco Íris no bairro Tocantins (popularmente chamado de "Km 11").

Na década de 1980 a pecuária ganha projeção como atividade econômica em Morada Nova, que ainda era considerado um vilarejo de Marabá.[8] Surge neste mesmo período a ocupação do atual bairro do Tocantins (à época, vila do Km 11).[7]

Em 1985 é inaugurado o primeiro trecho da rodovia Paulo Fontelles (PA-150), sendo esta ligada à PA-70, constituindo assim um entroncamento rodoviário na Morada Nova.[9] A formação do entroncamento rodoviário beneficiou comercialmente o futuro distrito, que passou a servir como um entreposto para a região.[5]

AtualidadeEditar

No início da década de 1990 as atividades madeireiras perderam força na Morada Nova, dando lugar às atividades agropecuárias e comerciais.[8]

Em meados da década de 1990 a Morada Nova é ligada ao restante da cidade por linhas regulares de transporte público (ônibus coletivo). Em 1998 a prefeitura de Marabá passa a reconhecer informalmente a Morada Nova como um "núcleo urbano".[5]

Na década de 1990 é iniciada a ocupação na área do entorno da Escola Estadual Dr. Gabriel Sales Pimenta, à margem direita da PA-150. Era denominada popularmente como "Invasão da Eletronorte", recebendo posteriormente o nome de "Gabriel Pimenta".[10]

Em 2006, pela primeira vez a Morada Nova é oficialmente reconhecida como um distrito urbano de Marabá, recebendo a definição de "distrito de expansão", compartilhando a mesma condição com o distrito de São Félix.[3][4]

Desde 2008 surgiram empreendimentos particulares e públicos, que permitiram a expansão da grade urbana do distrito.[11]

Grade urbanaEditar

 
Rodovia BR-155 e Igreja Assembleia de Deus, templo Central da Morada Nova.

Além da excelente localização do ponto de vista rodoviário,[5] contribuíram para o crescimento demográfico do distrito a não vulnerabilidade deste em relação às enchentes que atingem Marabá, e pelo parcelamento das ruas, em quadrícula.

O distrito divide-se em três zonas de ocupação distintas: central, intermediária e de expansão.[4]

Área centralEditar

A área central do distrito é composta pelos bairros de ocupação mais antiga, e por consequência, detentores de melhor infraestrutura, são estes: Morada Nova (homônimo) e Tocantins (Km 11).[7]

O bairro da Morada Nova cumpre a função de centro comercial e administrativo do distrito.[7]

Área intermediáriaEditar

A área intermediária do distrito é composta por um único bairro, Gabriel Pimenta (nome dado em homenagem ao advogado Gabriel Sales Pimenta), que dispõe de relativa infraestrutura.[4]

Área de expansãoEditar

A área de expansão do distrito, é composta pelos seguintes bairros: Jardim do Éden e Tiradentes.[12][13] Ambos são bairros planejados, construídos no seio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida

Referências

  1. ALMEIDA, José Jonas (2008). A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais. [S.l.]: USP 
  2. «Ordem, Emancipação e Progresso: Assembleia Legislativa do Pará recupera autonomia para criar novos municípios» (PDF). Jornal da Assembleia Legislativa. Consultado em 27 de fevereiro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 24 de março de 2014 
  3. a b c «Relatório de Avaliação de PDP – Município de Marabá» (PDF). Ministério das Cidades 
  4. a b c d «Lei Nº. 17.213 de 09 de Outubro de 2006: Institui o Plano Diretor Participativo do Município de Marabá, cria o Conselho Gestor do Plano Diretor e dá outras providências.» (PDF). Secretaria de Estado de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano 
  5. a b c d e DA SILVA, Idelma Santiago. «Migração e Cultura no Sudeste do Pará: Marabá (1968-1988)» (PDF). Pós-História UFG 
  6. «A influência do governo federal sobre cidades na Amazônia: os casos de Marabá e Medicilândia». Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/Periódicos UFPA 
  7. a b c d MORAES, Lindalva Canaan Jorge. «Abastecimento de Água na Cidade de Marabá- Pará» (PDF). Núcleo de Meio Ambiente (NUMA/UFPA) [ligação inativa]
  8. a b VELHO, Otávio (2009). Frentes de Expansão e Estrutura Agrária:estudo do processo de penetração numa área da Transamazônica. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais 
  9. FILHO, Moraes (2012). Em estado de Abandono, governo do Pará pisa sobre os direitos do povo do sul e sudeste do Pará. Marabá: Manancial de Carajás – O Jornal do povo de Carajás 
  10. «Medalha Chico Mendes de Resistência 2012». Jornal do GTNM/RJ 
  11. «Mutuários recebem chaves, mas casas ficam no escuro». CT Online [ligação inativa]
  12. «Sorteio de 1.410 casas populares em Marabá será nesta quarta-feira». Jornal do Zédudu 
  13. «PF poderá apurar venda de unidades do Minha Casa Minha Vida em Marabá». Jornal do Zédudu