Abrir menu principal

Mulheres da Roma Antiga

(Redirecionado de Mulheres da Antiga Roma)
Ambox grammar.svg
Esta página ou secção precisa de correção ortográfico-gramatical.
Pode conter incorreções textuais, e ainda pode necessitar de melhoria em termos de vocabulário ou coesão, para atingir um nível de qualidade superior conforme o livro de estilo da Wikipédia. Se tem conhecimentos linguísticos, sinta-se à vontade para ajudar.
Lívia Drusa, a primeira imperatriz de Roma, é representada na estátua como sendo a Ops, a deusa da fertilidade e da terra.

As Mulheres da antiga Roma estavam divididas em várias classes sociais, assim como os homens. Uma mulher romana de nascimento livre filha de pais romanos era considerada uma cidadã romana (civis). Embora geralmente não exercessem cargos políticos, devido aos costumes romanos, mulheres ricas ou nascidas em famílias influentes podiam influenciar a política, seja através do patrocínio de seus candidatos favoritos, como fez Fúlvia ao usar a imensa fortuna para patrocinar agitadores políticos, ou através da propaganda, usando o prestígio de sua família para conseguir votos para seus candidatos. Do ponto de vista religioso, elas tinham acesso a diversos cargos e sacerdócios religiosos, como o sacerdócio das virgens vestais, que possuíam, além de influência religiosa, também certa influência política. Elas dispunham de mais direitos e liberdades que outras mulheres da antiguidade.

Ao se falar sobre a história das mulheres da roma antiga, é importante levar em consideração que é um período de tempo extremamente abrangente, que vai da fundação da roma antiga até a queda do império romano. Assim sendo, ao longo de todo o período antigo, o papel e a função exercida pelas mulheres, assim como o papel exercido pelos homens, em determinados aspectos, pode ter variado. Muitas mulheres da Roma antiga entraram para a história, podendo citar-se, entre elas: Lívia, Cornélia, Sulpicia, Tanaquil, Veturia, Messalina, Teodora de Constantinopla, etc...

Infância e educaçãoEditar

A infância e a educação na Roma antiga dependiam do status e da riqueza da qual dispunham a família na qual uma criança nascia. As crianças romanas jogavam uma série de jogos e dispunham de uma série de brinquedos, que são conhecidos através de fontes arqueológicas e literárias. Algumas crianças mantinham animais como bichos de estimação.[1]

As meninas, assim como os meninos romanos, podiam receber uma educação primária e serem alfabetizadas, além de estudarem os mesmos livros que os meninos. Essa educação poderia ser pública ou particular, através de tutores, que geralmente eram um escravo ou um liberto letrado de origem grega.[2] Assim que essa educação primária se encerrava, as meninas então passavam a se dedicar ao estudo e à prática de outras atividades, como a fiação de lã e a tecelagem. Essas atividades eram vistas com muito respeito pelas mulheres e como um indicativo de status social de suas famílias. As mulheres também aprendiam outras áreas ligadas à manutenção de seu lar.

Mulher na família e na lei romanaEditar

 
Estatueta em estilo helenístico da roma antiga, representando uma garota lendo

Tanto a filha como o filho estavam sujeitos ao patria potestas, que era o poder exercido por seu pai enquanto chefe de família. No início do império, a posição social de uma filha não diferia muito da posição de um filho.[3] Se o pai morria sem estipular um testamento, as leis romanas garantiam o direito das filhas de receber a herança assim como os filhos, embora a legislação do século II a.C. o tenha tentado limitar um pouco, talvez para preservar o patrimônio da família. Mesmo do ponto de vista afetivo, as filhas parecem ter desfrutado de tanta consideração por seus pais quanto os filhos, embora fosse esperado que os filhos garantissem a posição da família na vida pública.[4]

CasamentoEditar

O Pater familas tinha o dever de encontrar um bom marido para sua filha.[5] Para o casamento ocorrer era necessário que ambos tivessem idade para consentir na união, a idade minima para uma mulher se casar na Roma antiga era de 12 anos, porem as moças de famílias ricas e influentes casavam geralmente um pouco mais tarde por volta dos 14 anos.[6]No período mais antigo de Roma não havia uma cerimonia de casamento, e a união dependia apenas do consentimento mutuo entre ambos, as cerimonias foram criadas para assegurar que a união entre um casal era valida e reconhecida pela sociedade romana. Durante o inicio da Republica romana, através do casamento (cum manus) a mulher passava do poder e da proteção de seu pai para o poder e proteção de seu marido, porem em menor grau que seus filhos,[7] a partir do século I a.C o casamento cum manus deu espaço ao casamento (Sine in Manus) no qual o marido não possuía nenhum poder sobre a sua mulher, e não havia nenhuma mudança significativa de status para ela.[8]

Logo após a cerimonia de casamento ocorrer, a esposa ia para a casa do marido. Ao chegar a casa, seu marido lhe perguntava, qual era seu nome, como no se podia dizer seus nomes verdadeiros no dia do casamento, a noiva respondia se chamava de Caia e o noivo de Caius, assim a esposa respondia em seguida ´´se você é Caius eu sou Caia´´ o que significava (se tu és senhor eu sou senhora), ou (se tu és dono eu sou dona), em seguida a noiva amarrava um pouco de lã na porta e untava com gordura para afastar da sua nova casa os malefícios e as feiticeiras. Em seguida lhe era entregue uma argola de chaves, para significar que ela agora tinha o governo sobre a casa.[9]Logo em seguida o noivo dava a noiva e a sua comitiva uma ceia, a esta ceia participavam tocadores de flauta, e os noivos invocavam Talassio, da mesma maneira que os gregos invocavam Himeneu, em memoria a um homem chamado Talassio que no passado havia vivido muitos anos felizes ao lado de sua esposa sabina, ou talvez por causa da palavra grega Talassia que significava trabalho com lã.[10]Um grupo de jovens cantavam versos obscenos e lascivos, durante a noite, esses versos eram chamados fascenninus pois, acreditavam desviar qualquer feitiço lançado contra os noivos. Ao termino.da ceia as madrinhas da noiva chamadas pronubaes, conduziam a noiva para um quarto, e a colocavam na cama que tinha o nome de leito genialis, por ser consagrada ao espirito protetor do marido o Genius.[9][10]Antes de se findar a noite, nozes eram lançadas aos moços e as moças que haviam acompanhado o cortejo nupcial, e eles cantavam epitalâmios enquanto o marido fechava a porta do seu quarto para que o casal tivesse a sua primeira noite de amor.

Os tipos de cerimonias de casamento

A cerimonia de casamento podia ser realizada de três maneiras:

Através do Confarreatio, essa cerimonia era a mais solene de todas, nela eram realizadas formulas especificas, na presença de 10 testemunhas e do Pontífice Maximo, devido a sua característica religiosa e sagrada, era praticamente indissolúvel, era através dele que os flâmines se casavam com suas esposas,originalmente só podiam se casar através do comfarreatio os patrícios. [11]

O casamento comptio era a forma em que se casavam os clientes e os plebeus, através desta cerimonia era simulada de maneira simbólica a compra da esposa pelo marido, ela era feita diante de 5 testemunhas, mediante o pagamento de uma quantia também meramente simbólica para a família da esposa, isso ocorria provavelmente para preservar a honra da mulher, garantindo que o casamento era legitimo, aos olhos da sua família e comunidade e não incorrer assim em nenhuma pena ou infâmia sobre o casal.[11]

O usus terceira forma de casamento era a mais sucinta de todas, também era praticada pelos clientes e pelos plebeus, consistia na mulher ir morar na casa do homem que ela amava por um ano seguido e ininterrupto, nessa forma de casamento se a mulher se ausentasse da casa do seu homem por mais de três noites(trinoctio) o casamento não estava configurado, e a mulher era considerada solteira legalmente, o que possibilitava que algumas mulheres tivessem uma emancipação perpetua de seu marido[11]Nessa modalidade de casamento, o que a diferenciava do concubinato era o status social da mulher que ia morar na casa do seu homem, pois se ela fosse do mesmo status social, era considerado casamento, mas se ela fosse uma serva, uma liberta era considerado concubinato.

Independente da forma de casamento, inscrições antigas presentes nas tumbas de respeitáveis famílias romanas, afirmam que um casamento ideal era aquele em que havia lealdade mutua entre o homem e a mulher.[12]

DivorcioEditar

Segundo Dionísio de Halicarnasso o primeiro divorcio ocorreu no ano de 230 a.C, quando um homem distinto se divorciou de sua esposa por motivos de ela ser infértil, embora a data e o caso em si pareçam ser inverossímeis para muitos pesquisadores modernos.[13]O divorcio com o passar do tempo se tornou relativamente comum, e ocorriam frequentemente entre a elite politica por motivos econômicos ou políticos,o divorcio podia até ser alvo de fofocas, mas não de vergonha social.

Se o divórcio era sem culpa da mulher o dote que ela havia levado para o casamento era restituído por inteiro para a mulher, porem os filhos ficavam com o pai, isso ocorria para proteger a mulher e permitir que ela pudesse reconstruir sua vida após o divorcio contraindo um novo matrimonio.No tempo dos imperadores, se procurou colocar um freio nesse habito de divórcios por conveniência, e o determino de certos delitos que poderiam levar ao divorcio.[11]

Mulheres na politica e na ReligiãoEditar

Na politica

As mulheres romanas geralmente, não exerciam a política diretamente, assim como a maioria dos homens, talvez por que a política na antiguidade era uma atividade extremamente perigosa, e estava fortemente ligada ao exercício militar. Contudo ao contrário da crença popular, elas não eram completamente afastadas da vida politica, e muitas delas tiveram papeis importantes, sabe-se atualmente que algumas mulheres ricas geralmente matronas, patrocinavam candidatos que achavam mais adequados.Fúlvia, ao se tornar uma das pessoas mais ricas de sua época, como a herdeira da fortuna dos Gracos, passou a patrocinar agitadores políticos, com os quais ela também se casaria em seguida. Algumas mulheres até mesmo faziam propaganda politica tentando usar a influencia da família para conseguir votos, como é atestado em inscrições marginais encontradas na cidade de Pompéia e Herculano.[14]

Na religião

Dos cargos ou ocupações publicas que as mulheres romanas exerciam mais frequentemente, a religião foi uma das áreas que mais oferecia oportunidades, o sacerdócio das vestais era um dos sacerdócios mais importantes da Roma antiga, ele era exercido por um grupo de mulheres virgens que tinham como dever manter acesa a chama do templo da deusa Vesta, e participar de uma série de rituais públicos na roma antiga, elas também eram responsáveis por fabricar a salsa mola usada em rituais. As virgens vestais eram escolhidas ainda crianças, na idade de aproximadamente 6 anos,[15] e deveriam exercer um sacerdócio que duraria 30 anos, sendo os primeiros dez anos aprendendo a ser uma vestal, os seguintes exercendo o sacerdócio e os últimos dez anos ensinando as novas sacerdotisas, depois disso a sacerdotisa vestal podia se aposentar,mas muitas preferiam continuar atuando como vestais devido ao alto grau de respeito e benefícios que esta dispunham.

Alem das virgens vestais, haviam outros sacerdócios e cargos religiosos que as mulheres poderiam exercer, o sacerdócio de Flâmines, era composto por um casal um homem e uma mulher, casados através o casamento confarreatio. Alem delas também haviam sacerdotisas dedicadas a outros deuses e deusas como sacerdotisas de Isis na cidade de Pompéia,e Sacerdotisas Cerealis dedicadas a deusa Ceres, entre outras.

Vestimenta e maquiagem femininaEditar

Toga

Em tempos remotos a Toga era a vestimenta comum a todos os romanos que apareciam em público tanto os homens quanto as mulheres, contudo com o passar do tempo as Matronas optaram por utilizar uma vestimenta diferente da dos homens, a chamada Stola, as prostitutas e as meretrizes no entanto continuaram a utilizar a Toga.As roupas femininas das classes mais baixas e das escravas eram mais curtas do que as das mulheres de classes sociais mais elevadas.[10]

Túnica

Por baixo da toga se vestia uma Túnica de lã branca, porem mais estreita e mais curta que a Toga, tocando quase na batata da perna.Era costume entre também os romanas utilizar-se de duas túnicas a exterior se chamava propriamente túnica e a interior se chamava Indusium quando era uma túnica interior feminina, essas túnicas eram utilizadas frequentemente quando iam aos banhos públicos.[10]

Evolução do status das mulheres em diferentes épocas da Roma AntigaEditar

No período monárquico (753 a.C - 509 a.C), coexistiram a familia iure propria e a familia domestica. O primeiro não tinha relação com parentesco, estava ligado a relações politico-econômicas e religiosas; o segundo foi baseado na consanguinidade. O pater familias era o chefe absoluto de ambas, ele dispõe da propriedade que não era só bens e escravos, mas também sua esposa e filhos. Ele possuía o vitae necisque potestas, isso é, o direito da vida e da morte sobre os outros membros da família. Mulheres fortes se rebelavam contra a submissão aos homens e muitas vezes acabavam condenadas por isso.

Entre o final do período republicano (509 a.C - 27 a.C) e inicio do imperial (27 a.C - 476), a família perdeu importância como entidade politica e tornou-se comunitária extensa ou estendida, com mais gerações de parentes de sangue vivendo sob o mesmo teto. O poder do pater familias sob os outros membros livres era limitado por lei, um exemplo foi a perda do vitae necisque potestas (direito da vida e da morte). A partir dessa época, só os escravos continuaram sendo considerados como propriedade de alguém. As mulheres passaram a ter suas próprias propriedades, conquistaram o direito de exercer algumas profissões como médica e comerciante e não eram mais subjugadas a seus maridos, apenas ao seu pai. Os genros não tinham status de pater familias e não tinha poder nenhum sobre suas esposas. Por outro lado, a mulher mais velha que era a esposa do pater familias (patriarca) ganhou o status de mater familias (matriarca).

Questionamentos/Épocas Monarquia Romana 753 a.C - 509 a.C Republica Romana 509 a.C - 27 a.C Império Romano 27 a.C - 476
Organização familiar Nuclear Nuclear Comunitária extensa
Direito da vida e da morte do pater familias Praticado Misto Abolido
Poder do pater familias Absoluto Absoluto Limitado por lei
Status da esposa do pater familias De uma menor De uma menor mater familias (matriarca)
Direito de herança as filhas Inexistente Existente Garantido por lei

Ver tambémEditar

Referências

  1. Ber Beryl Rawson, Crianças e infância na Itália romana( Oxford University Press, 2003), p.129-130
  2. As Farpas: chronica mensal de política, das letras e dos costumes, Volumes 20-26. [S.l.]: Typographia universal de T. Quintino Antunes. 1873. p. 51. 94 páginas
  3. Frier, Um Casebook sobre o direito de família romana, pp. 19-20
  4. Beryl Rawson, A família romana, em A família romana novas perspectivas( Cornell University Press, 1986), p.18
  5. Frier. Um livro de casos sobre o direito da família romana, p.66
  6. JA Crook Lei e vida de Roma 90B.C- 212 AD
  7. Frier e McGinn, Um casebook sobre o direito e a família romanos. p. 20
  8. Deby,Perrot e Pantel. A History of Women., Volume 1, P. 133
  9. a b de Andrade, Francisco Martins (1877). Costumes religiosos, civis e militares dos Romanos ... Lisboa: F.A. Da Silva. Consultado em 16 de maio de 2018 
  10. a b c d B. Branco, Manuel (1865). Rodrigues, José, ed. Usos e costumes dos Romanos por Nieupoort: versão feita sobre o original Latino, acompanhada de notas e da tradução dos termos Gregos.Por Manuel Bernardes Branco. Lisboa: J.Rodrigues 
  11. a b c d Vieira da Silva, Luiz Antonio (1854). Historia interna do direito Romano privado até Justiniano. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert 
  12. Wiesner, Merry E. The Family Gender in History:Global Perspectives, 2end Edition, John Wiley e Sons, Ltd.,2011 p.32
  13. Dionísio de Halicarnasso,Antiguidades Romanas. 2,25
  14. Cartwright, Mark (22 de fevereiro de 2014). «FAMOUS ROMAN WOMEN». Consultado em 15 de maio de 2018 
  15. Rosa Claudia Beltrão, A Religião na Urbs. In Mendes Norma Musco.Silva, Gilvan ventura da.Repensando o Imperio Romano;Politica e cultural.Rio de Janeiro:Muad, Virtoria ES/ EDUFES. 2006. p. 157-239