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Museu Dom João VI
Tipo museu
Website oficial
Geografia
Coordenadas 22° 51' 38.736" S 43° 13' 30.324" O
Localização Rio de Janeiro
País Brasil

O Museu Dom João VI é um museu de arte e história do Brasil, vinculado à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Está localizado na Ilha do Fundão, no Rio.

Índice

HistóricoEditar

O Museu Dom João VI, apesar de fundado em 1979, materializando uma ideia lançada pelo professor Almir Paredes Cunha, tem uma história que remonta a 1808, quando Dom João VI chegou ao Brasil acompanhado da sua corte. Por decreto de 12 de agosto de 1816 o rei criou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, que se transformaria na Academia Imperial de Belas Artes, passando a reunir um acervo de obras recolhidas por Joachim Lebreton, líder da Missão Francesa, outras que vieram das coleções régias e outras, a parte principal, produzidas por alunos e professores nos longos anos de atividade da academia.[1][2]

Na República a Academia passou a se chamar Escola Nacional de Belas Artes, transferindo-se para uma sede nova, onde hoje funciona o Museu Nacional de Belas Artes. Com a criação deste Museu em 1937, o grande acervo reunido até ali pela Academia Imperial e pela Escola Nacional foi entregue aos cuidados do novo museu, que começou a funcionar no mesmo prédio. Ao mesmo tempo em que as aulas da Escola continuavam a acontecer no quarto andar no edifício, sua gerência passava contudo para a Universidade do Rio de Janeiro.[3][2]

Nas décadas seguintes alguns cursos foram sendo progressivamente transferidos para outros locais, e em 1975 a Escola Nacional abandonou definitivamente o prédio histórico e instalou-se em um edifício próprio na Ilha do Fundão, um projeto moderno de Jorge Moreira, e ali permanece funcionando até a atualidade. Em 1979 o conjunto de obras de arte que a Escola ainda mantinha em seu poder foi organizado sob o nome de Museu Dom João VI.[3]

Entre 1994 e 1998 foi desenvolvido um projeto sob amparo do CNPq para sistematização de todo o acervo e criação de um inventário unificado, e a partir de 2005 um outro projeto, de revitalização do Museu, patrocinado pela Petrobrás, possibilitou a ampliação do Banco de Dados Informatizados e a sua inserção no site do Museu; a publicação de um novo catálogo impresso; a higienização de todo o acervo e a reestruturação da Reserva Técnica.[3]

O acervoEditar

O acervo reunido pela Academia no século XIX contava com um significativo grupo de obras, e ao longo do século XX a coleção foi muito ampliada. Os dois setores principais da coleção são o Acervo Didático e a Coleção Ferreira das Neves. O Museu possui ainda uma rica biblioteca com obras raras, um arquivo documental que registra toda a história administrativa da instituição, com livros de matrícula, atas e correspondência.[4]

Acervo DidáticoEditar

 
Eugène Bourgeois: Estudo de olhos e mãos, gravura, século XIX

Em sua maioria as obras foram produzidas por alunos nas aulas ou como envios dos bolsistas que estudavam na Europa. Incluem-se obras finalizadas, peças de prova e esboços, estudos de anatomia e modelo vivo e cópias de obras célebres em vários materiais. Também fazem parte modelos tridimensionais de partes do corpo e de elementos arquitetônicos, fotografias de modelos vivos e outros materiais didáticos. Parte do grupo é de obras criadas por professores, seja como demonstração aos alunos, seja como peças de prova para admissão a alguma cátedra.[1][4]

O Acervo Didático é importante por ilustrar todo o processo de ensino acadêmico no Brasil ao longo de mais de cem anos da história, e é em especial significativo quando lembramos que a Academia foi por um bom tempo a única instituição superior de ensino artístico no Brasil, e em sua longa e frutífera trajetória foi uma influência decisiva para o desenvolvimento de todas as artes brasileiras, posição que só começou a perder com o surgimento de outros estabelecimentos de ensino superior de arte pelo país a partir das primeiras décadas do século XX.[1][4][2]

Dos itens desta seção podemos destacar as peças de prova de João Zeferino da Costa e Pedro Américo, respectivamente Moisés recebendo as tábuas da lei e Sócrates afastando Alcebíades do vício, a obra Tarquínio e Lucrécia de Victor Meirelles, remetido da Europa enquanto bolsista, e o Estudo de Nu com o qual Eliseu Visconti venceu o primeiro concurso da República para o Prêmio de Viagem à Europa. Outras muito interessantes são as gravuras com estudos de olhos e mãos de Eugène Bourgeois, e uma cópia do Laocoonte de Alexis François Girard. Documentos visuais de expedições científicas — especialmente do século XIX — também fazem parte do acervo.[4]

Coleção Ferreira das NevesEditar

Esta coleção foi doada à Escola Nacional em 1947 e tem um perfil eclético, sendo o resultado do colecionismo privado do engenheiro Jerônimo Ferreira das Neves Sobrinho. É composta de pinturas, esculturas, gravuras, tecidos, móveis, imaginária, porcelanas, prataria, numismática e livros raros, em sua maioria de origem européia. Dentre este grupo heterogêneo há peças preciosas, como um tríptico representando São Paulo, Santo Estêvão e São Bartolomeu do século XVI, uma Madonna com o Menino e São João Batista, em cerâmica esmaltada e policroma do atelier de Luca della Robbia, e uma pintura flamenga da Deposição da cruz atribuída a Quentin Metsys.[1]

Outras obrasEditar

Referências

  1. a b c d Serrão, Vítor. "Pinturas dos 'Primitivos' nas antigas coleções reais do Rio de Janeiro e no atual Museu D. João VI". In: II Colóquio Internacional Coleções de Arte em Portugal e Brasil nos Séculos XIX e XX: Histórias e Conexões / II Encontro do Grupo Modos: Histórias da Arte em Coleções. Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 23-26/11/2015
  2. a b c Souza, Alcidio Mafra de (ed.). O Museu Nacional de Belas Artes. Série Museus Brasileiros. Banco Safra, 1985
  3. a b c Museu Dom João VI. Histórico do museu.
  4. a b c d Museu Dom João VI. Sobre o acervo.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar