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O Nação Mestiça, ou Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, é uma organização brasileira de mestiços que tem por objetivo defender os interesses desse segmento, que segundo eles, representa grande parte da população brasileira e mundial.

Fundada em 2001, na cidade Manaus, no Amazonas. O objetivo do órgão é valorizar o processo espontâneo de mestiçagem entre os diversos grupos étnicos e raciais do país e promover a defesa da identidade mestiça e ao reconhecimento dos mestiços como herdeiros dos legados dos povos dos quais descendam. A atual presidente da organização é Helda Castro.

Índice

ObjetivosEditar

O Brasil é um país com mais de 43,1% (segundo o censo do IBGE de 2010) de sua população constituída por mestiços, em sua maioria pardos, que originaram-se, por vezes, da miscigenação espontânea e voluntária, e por vezes da miscigenação forçada - estupros, sequestros, dentre outros - dos nativos brasileiros e pretos africanos pelos brancos europeus. Mestiço brasileiro é definido pelo Nação Mestiça como pessoa que como tal se identifica, de cor parda ou não, e que é descendente de mestiço ou de qualquer miscigenação entre índio, branco, preto, amarelo ou outra identidade não-mestiça, que se identifica como distinta destas e etnicamente de qualquer outra e que é, como tal, reconhecido pela comunidade da etnia mestiça brasileira (nacional, nativa, unitária, indivisível, originada e constituída durante o processo de formação da Nação brasileira e exclusiva e inseparavelmente unida a esta).[1]

A Organização dedica-se, entre outras causas, à valorização de um suposto "processo espontâneo" de mestiçagem entre os diversos grupos étnicos do país, à promoção e defesa da identidade mestiça (dentro da qual inclui os pardos) e ao reconhecimento dos mestiços como herdeiros dos legados dos povos nativos e de outros dos quais descendam.

Além de articular ações de promoção da integração Étnico-Racial brasileira, defende irrestritamente oportunidades iguais para todos os brasileiros, não importando sua identidade ou origem. Condenando o atrelamento a partidos políticos, o Nação Mestiça defende a pluralidade dentro do movimento mestiço. Tem atuado também a favor da erradicação da marginalização das minorias étnicas e raciais, visando à redução das desigualdades sociais e regionais.

Em seus estatutos o Nação Mestiça defende a democracia e a liberdade de expressão, opondo-se a ideologias e regimes políticos antidemocráticos (de direita e de esquerda), como também a governos racistas ou segregacionistas. Defende o estado de direito, a liberdade irrestrita de expressão e o pluralismo ideológico e político, entendendo que estes são mais eficazes no combate ao racismo.

Influenciados por pensadores como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, afirmam a identidade étnico-nacional do povo brasileiro definida após um processo de mestiçagem entre várias raízes.

Atividades recentes e atuais no BrasilEditar

Tem atuado junto a fóruns e organizações de defesa dos direitos humanos. Participou, após sofrer forte oposição de lideranças do movimento negro e indígena, da 1ª Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Brasília, 2005) com a única delegada mestiça do evento e atuou na instituição do Dia do Mestiço (27 de junho) no Amazonas, Roraima, Paraíba e Mato Grosso. Tem sido crítico da política racial e étnica multiculturalista do governo Lula e Dilma, administrada pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que entende ser contrária à etnia mestiça. Protestou na 1ª Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas contra o não-reconhecimento da identidade cabocla pelo governo federal, através da SEPPIR.[1][2] 2.000 pessoas são associadas e filiadas ao movimento. O movimento possui representação nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.[3]

Cotas Raciais

A organização se posiciona contrária ao sistema de cotas raciais no ensino superior e médio onde haja sistemas impessoais de seleção, defendendo cotas sociais. Assinou, em 2008, uma carta dirigida ao ministro Gilmar Mendes pedindo o fim das cotas raciais em Universidade públicas.[4] Um representante da instituição participou de uma audiência pública no Senado Federal em 2008, no qual defendeu a não-aprovação do sistema de cotas raciais no Brasil, alegando que essa política não visa melhorar a vida dos mestiços, negros e outros grupos, mas dividir racialmente a sociedade brasileira[5] e eliminar a sua identidade mestiça.

A organização foi selecionada para participar de uma audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal para debater a implementação de sistema de cotas raciais na UNB.[6]

Datas comemorativas

Comemora anualmente o Dia do Caboclo (24 de Junho) e o Dia do Mestiço (27 de Junho), na cidade de Manaus, datas instituídas por demanda do movimento.[7]

Ver tambémEditar

Referências

Ligações externasEditar