Mato Grosso

unidade federativa do Brasil

 Nota: Não confundir com Mato Grosso do Sul.
 Nota: Este artigo é sobre o estado. Para outros significados, veja Mato Grosso (desambiguação).

Mato Grosso é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado na região Centro-Oeste. Tem a porção norte de seu território ocupada pela Amazônia Legal, sendo o sul do estado pertencente ao Centro-Sul do Brasil. Extensas planícies e amplos planaltos dominam a área, sendo que a maior parte destes (cerca de 74%) se encontra abaixo dos seiscentos metros de altitude. Juruena, Teles Pires, Xingu, Araguaia, Paraguai, Rio Guaporé, Piqueri, São Lourenço, das Mortes, Rio Vermelho e Cuiabá são os rios principais.

Estado de Mato Grosso
Bandeira de Mato Grosso
Brasão de Mato Grosso
Brasão de Mato Grosso
Bandeira Brasão
Lema: Virtute Plusquam Auro

(traduzido do latim, significa: "Pela virtude mais do que pelo ouro")

Hino: Hino de Mato Grosso
Gentílico: Mato-grossense

Localização de Mato Grosso no Brasil
Localização de Mato Grosso no Brasil

Localização
 - Região Centro-Oeste
 - Estados limítrofes Amazonas, Pará, (N); Tocantins, Goiás (L); Mato Grosso do Sul (S); Rondônia e Bolívia (O).
 - Regiões geográficas
   intermediárias
5
 - Regiões geográficas
   imediatas
18
 - Municípios 141
Capital Cuiabá
Município mais populoso Cuiabá
Governo
 - Governador(a) Mauro Mendes (UNIÃO)
 - Vice-governador(a) Otaviano Pivetta (Republicanos)
 - Deputados federais 8
 - Deputados estaduais 24
 - Senadores Jayme Campos (UNIÃO)
Margareth Busetti (PSD)
Wellington Fagundes (PL)
Área
 - Total 903 207,050 km² () [1]
População 2022
 - Estimativa 3 658 813 hab. (16º)[2]
 - Densidade 4,05 hab./km² (25º)
Economia 2021[3]
 - PIB R$ 233.390 bilhões (11º)
 - PIB per capita R$ 65.426,10 ()
Indicadores 2010/2015[4][5]
 - Esperança de vida (2015) 74,0 anos (12º)
 - Mortalidade infantil (2015) 17,3‰ nasc. (10º)
 - Alfabetização (2010) 92,2% (11º)
 - IDH (2021) 0,736 (11º) – alto [6]
Fuso horário UTC−04:00, America/Cuiaba
Clima Equatorial e tropical Am, Aw
Cód. ISO 3166-2 BR-MT
Site governamental http://www.mt.gov.br/

Mapa de Mato Grosso
Mapa de Mato Grosso

Tem como limites os estados do Amazonas, Pará (norte); Tocantins, Goiás (leste); Mato Grosso do Sul (sul); Rondônia e a Bolívia (oeste), país vizinho. Ocupa uma área equivalente à da Venezuela e não muito menor do que a vizinha Bolívia. Mato Grosso está organizado em 22 microrregiões e cinco mesorregiões, dividindo-se em 141 municípios, sendo os mais populosos e importantes: a capital Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra, Barra do Garças e Cáceres.

Pelo Tratado de Tordesilhas (de 7 de junho de 1494), o território do atual estado de Mato Grosso pertencia à Espanha. Os jesuítas, a serviço dos espanhóis, criaram os primeiros núcleos, de onde foram expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680. Em 1718, a descoberta do ouro acelerou o povoamento. Em 1748, para garantir a nova fronteira, Portugal criou a capitania de Mato Grosso e, lá, construiu um eficiente sistema de defesa. O Tratado de Madri, de 1750, reconheceu as conquistas bandeirantes na região de Mato Grosso, para dirimir questões de limites entre Portugal e Espanha. Com a chegada dos seringueiros, pecuaristas e exploradores de erva-mate na primeira metade do século XIX, o estado retomou o desenvolvimento. Em 1977, a parte sul do estado foi legalmente desmembrada, formando, assim, um novo estado, Mato Grosso do Sul, o que na prática só se daria em 1979. Atualmente possui o segundo maior PIB per Capita do Brasil, atrás do Distrito Federal.

História

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 Ver artigo principal: História de Mato Grosso

Colonização europeia

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Mapa do século XVIII da região

Quando da chegada dos primeiros europeus, o atual território mato-grossense era habitado por diversos povos indígenas, como os bororós, parecis, paiaguás, caiapós, guaicurus e guaranis.[7]

Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), o atual Mato Grosso era posse da Espanha.[8]

O primeiro desbravador do atual território mato-grossense foi o português Aleixo Garcia, náufrago da expedição de Juan Díaz de Solís, que, em 1525, atravessou a mesopotâmia entre os rios Paraná e Paraguai, alcançando a Bolívia. Ao voltar de lá, com grandes quantidades de prata e cobre, foi morto pelos indígenas paiaguás. Em 1526, Sebastião Caboto também adentrou a região, estabelecendo uma relação amistosa com os guaranis, recebendo, de presente, peças de metais preciosos.[9]

Nos séculos XVI e XVII, desbravaram a região, vindos do atual Paraguai, jesuítas, para catequese dos indígenas, e exploradores espanhóis e hispano-americanos, à procura de riquezas minerais. Estes acabaram de encontro, nos setecentos, com os bandeirantes paulistas, à procura de pedras preciosas e indígenas para escravizar.[9][10]

Corrida do ouro

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Mapa português para colonização de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital da Capitania de Mato Grosso

A região foi desbravada por mais bandeirantes no início do século XVIII, especialmente após a derrota paulista na Guerra dos Emboabas. Um deles, Pascoal Moreira Cabral, natural de Sorocaba e descendente de indígenas, descobriu ouro nas margens dos rios Coxipó e Cuiabá em 1718 e, em 8 de abril de 1719, foi lavrado o termo de fundação do arraial de Cuiabá, localizado próximo à confluência dos rios Coxipó e Cuiabá.[9][10]

A descoberta de ouro em Mato Grosso levou a uma corrida do ouro e à formação das monções, expedições fluviais que partiam de Porto Feliz em direção a Cuiabá. A viagem do litoral atlântico até Cuiabá, com uma distância de 500 léguas, era difícil e perigosa em razão do desconforto, febres e ataques dos indígenas.[9]

Rodrigo César de Meneses, capitão-general da capitania de São Paulo, chegou a Cuiabá no fim de 1726 e ali permaneceu por cerca de um ano e meio. A localidade recebeu o título de vila, com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, em 1° de janeiro de 1727. Constituiu-se a câmara e nomeou-se um corpo de funcionários encarregados de dar cumprimento ao rigoroso regulamento fiscal da coroa. Em 1729, foi criado o lugar de ouvidor.[9][10]

Em 9 de maio de 1748, um alvará do Rei de Portugal, D. João V, criou a Capitania de Mato Grosso, desmembrada da de São Paulo e sediada em Vila Bela da Santíssima Trindade.[8][9]

Problemas de fronteiras

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Divisão administrativa do Brasil após a Guerra dos Emboabas.

O Tratado de Madri, de 1750, reconheceu as conquistas bandeirantes na região de Mato Grosso, para dirimir questões de limites entre Portugal e Espanha. Outro tratado, de 1761, modificou o anterior, ao proibir construções fortificadas na faixa de fronteira. Os espanhóis exigiram a evacuação de Santa Rosa, ocupada e fortificada pelo então governador Rolim de Moura, que resolveu enfrentá-los. Travou-se luta, sem vantagem decisiva para nenhuma das partes. Afinal, os castelhanos se retiraram em 1766, já sob o governo do sucessor de Rolim, seu sobrinho João Pedro da Câmara. Expulsos os jesuítas do Império Espanhol, em 1767, a situação tornou-se mais tranquila para Portugal.[9]

Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, que governou de 1772 a 1789, tomou, porém, a iniciativa de reforçar o esquema de defesa, construindo, nas margens do Rio Guaporé, o Real Forte do Príncipe da Beira, no qual chegaram a trabalhar mais de duzentos obreiros e, no sul, sobre o Rio Paraguai, abaixo do Rio Miranda, o Presídio de Nova Coimbra (atual Corumbá). Fundou Vila Maria (mais tarde São Luís de Cáceres, ou simplesmente Cáceres), Casalvasco, Salinas e Corixa Grande. Criticou severamente o novo tratado luso-espanhol de 1777 (Tratado de Santo Ildefonso) no tocante a Mato Grosso, por achar que encerrava concessões prejudiciais a Portugal. Usou no levantamento cartográfico e na delimitação de fronteiras os serviços de dois astrônomos e matemáticos brasileiros recém-formados em Coimbra, Francisco José de Lacerda e Almeida e Antônio Pires da Silva Pontes, e dos geógrafos capitães Ricardo Francisco de Almeida Serra e Joaquim José Ferreira.[9]

Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o futuro Marquês de Vila Real de Praia Grande, chegou a Cuiabá em 1796 para assumir o cargo de capitão-general, com recomendação da metrópole para elaborar um plano de defesa que protegesse a capitania contra qualquer tentativa de invasão. A guerra com os espanhóis foi deflagrada em 1801, quando Lázaro de Ribera, à frente de oitocentos homens, atacou o Forte de Coimbra, defendido bravamente por Ricardo Franco, com apenas cem homens, que conseguiram repelir o invasor. A paz, todavia, só foi firmada em Badajoz, em 6 de maio de 1802. A capitania, então, consolidou sua estabilidade territorial e neutralizou de imediato o perigo de novas invasões.[9]

No fim do período colonial, registrou-se certo declínio da capitania. Cuiabá e Vila Bela da Santíssima Trindade já eram cidades. Em 20 de agosto de 1821, o então governador da Capitania, Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, foi deposto pela população em geral por ser "ambicioso em extremo, concussionário insaciável, hipócrita". Formou-se, em Cuiabá, uma junta governativa que jurou lealdade ao príncipe regente dom Pedro e outra, dissidente, em Vila Bela, com o que se estabeleceu a dualidade de poder.[9]

Em abril de 1878, em função do Tratado de Ayacucho, foram enviadas, para Corumbá, as "Plantas Geográficas dos Rios Guaporé e Mamoré", sendo que a cartografia para delimitar os limites fronteiriços dos rios Guaporé e Mamoré foi levantada e apresentada pela Segunda Seção Brasileira, sediada na mesma cidade, tendo sido todas chanceladas pelos delegados brasileiros e bolivianos. Continuando, a descrição diz "Destas cabeceiras continuam os limites pelo leito do mesmo rio até sua confluência com o Guaporé, e depois pelo leito deste e do Mamoré até sua confluência com o Beni, onde principia o Rio Madeira". Em 1878 e 1879, houve troca de notas da chancelaria boliviana com a embaixada do Brasil em La Paz, acusando o recebimento e aprovando a "Carta Geral", conforme ajustado na Sétima Conferência da Comissão Mista.

Império

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Coronel Frederico Carneiro de Campos prisioneiro no Paraguai.

A notícia da Independência do Brasil chegou a Cuiabá no início de 1823, o que se devia às dificuldades de comunicações com o restante do país. Um governo provisório foi instalado. O primeiro presidente da província, José Saturnino da Costa Pereira, tomou posse em 20 de janeiro de 1824 e tratou de transferir a capital para Cuiabá.[9]

As lutas entre as tendências conservadora e liberal refletiram-se na província durante o primeiro reinado e a regência. Foi montada, em Cuiabá, a tipografia na qual seria impresso o primeiro jornal da província, a "Tifis Matogrossense", cujo primeiro número circulou em 14 de agosto de 1839. A situação econômico-financeira da província se agravou, com um déficit orçamentário crescente.[9]

Os governos se sucederam sem acontecimentos de maior relevo até a Guerra do Paraguai. Em 1850, foi montada, pelo então governador João José da Costa Pimentel, uma guarda defensiva no Morro do Pão de Açúcar, irritando o governo paraguaio, e Pimentel recuou ante reuniões diplomáticas em Assunção. Foi substituído pelo capitão de fragata Augusto João Manuel Leverger, barão de Melgaço, cujo primeiro governo durou de 1851 a 1857. Leverger recebeu ordem de concentrar toda a força militar da província no baixo Paraguai, para esperar os navios que deveriam subir o rio com ou sem licença de Francisco Solano López. Mudou-se, então, para o Forte de Coimbra, onde permaneceu cerca de dois anos.[9]

O coronel Frederico Carneiro de Campos, nomeado presidente provincial em 1864, subia o rio Paraguai para assumir o posto quando seu navio — o Marquês de Olinda — foi atacado e aprisionado por uma belonave paraguaia. Logo que o Paraguai rompeu as hostilidades, revelou-se a fraqueza do sistema defensivo brasileiro em Mato Grosso, prevista por Leverger. Caiu logo Coimbra, após dois dias de resistência. Em seguida, foi a vez de Corumbá e da colônia de Dourados. A guerra seguiu seu curso, marcada por episódios como a retirada de Laguna, a retomada e subsequente abandono de Corumbá. Dessa cidade, as tropas brasileiras trouxeram para Cuiabá uma epidemia de varíola que teve efeitos devastadores. Para o povo, 1867 seria o "ano das bexigas", mais que da retomada de Corumbá.[9]

Os últimos anos do império registraram um lento desenvolvimento da província, governada de outubro de 1884 a novembro de 1885 pelo general Floriano Peixoto, futuro presidente da República. Em 9 de agosto de 1889, assumiu a presidência o coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos, sob cujo governo se realizou a eleição de que saíram vitoriosos os liberais — triunfo celebrado em Cuiabá com um pomposo baile em 7 de dezembro, pouco antes de chegar à cidade a notícia da Proclamação da República.[9]

República

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Generoso Ponce

As aspirações republicanas e federalistas em Mato Grosso tinham tido expressão confusa em várias revoltas, mas no remanso do segundo reinado as agitações se aplacaram. As campanhas pela abolição e pela república tiveram ali repercussão modesta. Ao iniciar-se o período republicano, Mato Grosso tinha uma população calculada em oitenta mil habitantes. A província ficava segregada: sem estradas de ferro, eram necessários cerca de trinta dias de viagem, passando por três países estrangeiros, para atingi-la, a partir da então capital Rio de Janeiro, por via fluvial.[9]

Nas primeiras décadas do período republicano a violência foi usada em disputas políticas e econômicas, com conflitos armados pelo governo estadual, conflitos em geral entre coronéis por poder e terras, saques a cidades, como Paranaíba, execuções de opositores, como o Massacre da Baía do Garcez, em 1901, e tentativas de conseguir autonomia para o sul, que já naquela época tinha sentimento separatista. Houve também um projeto de separar o Mato Grosso do Brasil em 1892.[11]

Em 1892 a oposição pegou em armas e derrubou o presidente estadual Manuel Murtinho em 1º de fevereiro. Porém, em 7 de maio, Generoso Ponce, à frente de 4 000 homens, iniciou o cerco às forças adversárias na capital e dominou-as em menos de uma semana. Em 22 de junho, caiu Corumbá. Vitorioso seu Partido Republicano, Murtinho retornou ao poder. Surgiu mais tarde, entretanto, uma desavença entre Ponce e Murtinho. O rompimento consumou-se em dezembro de 1898, com uma declaração pública de Manuel Murtinho, apoiado por seu irmão Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda do presidente Campos Sales. Seus partidários conquistaram o poder, num ambiente de grande violência. Mais tarde, contudo, Ponce e Murtinho reconciliaram-se e formaram novo agrupamento político.[9][12]

 
Mapa do estado de Mato Grosso por Teodoro Sampaio, 1908

A vitória dessa corrente política se deu com o movimento armado de 1906, que culminou na morte do presidente Antônio "Totó" Pais de Barros. Seguiu-se um período de interinidade na presidência. Generoso Ponce foi afinal eleito em 1907. A economia do estado melhorou com a abertura de vias férreas a partir do leste (Jupiá, Três Lagoas e Água Clara) e do oeste (Porto Esperança, Miranda e Aquidauana), para se encontrarem em Campo Grande. A ligação ferroviária com São Paulo foi fator de progresso para Mato Grosso, por intensificar o comércio e valorizar as terras da região.[9]

Com o novo presidente, Joaquim Augusto da Costa Marques, que assumiu em 1911, avultaram as pressões da companhia Mate Laranjeira no sentido de renovar o arrendamento dos seus extensos ervais no sul do estado. A pretensão suscitou nova divergência entre Murtinho e Ponce: o primeiro defendia a prorrogação do contrato até 1930, com opção para a compra de 1 000 000 a 2 000 000 de hectares, enquanto Ponce queria a divisão da área em lotes de 450 hectares, que seriam oferecidos a arrendamento em hasta pública. Morto Ponce, a empresa ganhou novo trunfo com o apoio do senador situacionista Antônio Azeredo. Mas o antigo presidente do estado, Pedro Celestino Corrêa da Costa, tomou posição contrária. Os deputados estaduais hostis à prorrogação do contrato fizeram obstrução e impediram que ela fosse aprovada. Finalmente, a Mate Laranjeira foi frustrada em suas pretensões, com a aprovação da Lei n° 725, de 24 de agosto de 1915.[9]

O general Caetano Manuel de Faria e Albuquerque assumiu o governo em 15 de agosto de 1915. Seus próprios correligionários conservadores tentaram forçá-lo à renúncia, e ele, tendo a seu lado Pedro Celestino, aceitou o apoio da oposição, num movimento que se chamou "caetanada". Contra seu governo organizou-se a rebelião armada, com ajuda da Mate Laranjeira e seus aliados políticos. Na assembleia, foi proposto e aprovado o impedimento do general Caetano de Albuquerque. Consultado, o Supremo Tribunal Federal não tomou posição definitiva, e o presidente Venceslau Brás acabou por decretar a intervenção no estado em 10 de janeiro de 1917. Em outubro, no Rio de Janeiro, os chefes dos dois partidos locais concluíram acordo, mediante o qual indicava o bispo dom Francisco de Aquino Correia para presidente, em caráter suprapartidário. O prelado assumiu em 22 de janeiro de 1918 e fez uma administração conciliadora, assinalada por uma série de iniciativas. A intervenção federal pôs fim à época da luta armada pelo poder.[11]

Até a Revolução de 1930, a administração estadual lutou com graves problemas financeiros. No período pós-revolucionário, sucederam-se os interventores nomeados pelo presidente Vargas. Em 1932, o general Bertoldo Klinger, comandante militar de Mato Grosso, deu apoio armado à Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo. Em 7 de outubro de 1935, a Assembleia Constituinte elegeu governador Mário Correia da Costa. Incidentes ocorridos em dezembro de 1936, quando foram feridos a bala os senadores Vespasiano Martins e João Vilas Boas, deram causa à renúncia do governador e à nova intervenção federal.[9]

Houve uma transformação em Mato Grosso na década de 1950, com a construção de Brasília, e nas décadas de 1960 e 1970, com a política de integração nacional, incentivos fiscais ao agronegócio e investimentos em infraestrutura. O estado teve um grande crescimento e atraiu migrantes de todo o país.[8]

 
Vista de Cuiabá, capital do Mato Grosso e maior cidade do estado

Em 1977, foi concretizada a velha ideia da separação do sul de Mato Grosso do restante do estado, assim surgindo o estado de Mato Grosso do Sul, instalado em 1° de janeiro de 1979. A decisão partiu do governo federal e teve como motivos dificuldades administrativas devido ao grande tamanho do estado e diferenças naturais e econômicas entre o norte e o sul. A partir de então, todas as projeções pessimistas de que o então norte, com a capital Cuiabá, iria se estagnar, não se concretizaram, pelo contrário, surgindo então um processo de pleno crescimento do estado, aliado com a criação e desenvolvimento de municípios como Alta Floresta, Sinop, Tangará da Serra, Primavera do Leste, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Campo Verde, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, que hoje estão entre os maiores contribuintes do PIB de Mato Grosso.[8][9]

Nas décadas de 1980 e 1990, a soja ganhou destaque na economia mato-grossense, que ultrapassou a de Mato Grosso do Sul.[8]

Geografia

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 Ver artigo principal: Geografia de Mato Grosso

O estado de Mato Grosso ocupa uma área de 903 207,050 km²[2] e localiza-se a oeste do Meridiano de Greenwich e a sul da Linha do Equador, tendo fuso horário -4 horas em relação a hora mundial GMT. No Brasil, o estado faz parte da região Centro-Oeste, fazendo fronteiras com os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Amazonas, Rondônia, Tocantins, além de um país, a Bolívia. A capital (Cuiabá) está localizada a 15º35'55.36" lat. e 56º05'47.25" long., no do continente, sendo conhecida, por isso mesmo, como coração da América do Sul.

A drenagem da região se faz por meio de dois sistemas, os dos rios Amazonas e Paraguai. Ao primeiro, pertencem o Juruena e o Teles Pires (formadores do Tapajós), além do Xingu e do Araguaia, este na fronteira com Goiás. O principal afluente do Rio Paraguai no estado é o Rio Cuiabá.

O estado de Mato Grosso, um dos campeões do desmatamento no Brasil e no mundo, era revestido por uma vegetação em que predominavam as florestas, como prosseguimento da mata amazônica. Na área do Pantanal Mato-Grossense que permaneceu nos limites do estado ocorria um revestimento vegetal composto de cerrados e campos. A zona de florestas compreendia 47% da área do estado, os cerrados 39% e os campos 14%.

São as seguintes unidades de conservação a nível federal localizadas em Mato Grosso: Parque Nacional do Cristalino; Parque Nacional do Xingu; Parque Nacional do Pantanal Matogrossense; Parque Nacional da Chapada dos Guimarães; Estação Ecológica de Taiamã; Estação Ecológica da Serra das Araras; Área de Proteção Ambiental Meandros do Araguaia; Parque Nacional do Juruena e Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

Relevo

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Com altitudes modestas, o relevo apresenta grandes superfícies aplainadas, talhadas em rochas sedimentares. Abrange três regiões distintas. Na porção centro-norte do estado, a dos chapadões sedimentares e planaltos cristalinos (com altitudes entre quatrocentos e oitocentos metros), que integram o Planalto Central Brasileiro.

Na região do planalto arenito-basáltico, localizada no sul, simples parcela do planalto meridional. Na parte do Pantanal Mato-Grossense, baixada da porção centro-ocidental. Ao sul do Planalto Brasileiro, situa-se o divisor de águas entre as bacias dos rios Paraguai e Amazonas, constituído em parte pela Chapada dos Parecis. A maior parte da área é drenada pelos rios da Bacia amazônica.

A planície aluvial do médio Araguaia situa-se na região limítrofe entre Mato Grosso e Goiás. Tem natureza semelhante à da planície do Pantanal: ampla, está sujeita a inundações anuais e deposição periódica de aluviões. Pouco depois dela, para oeste, ficam os contrafortes da serra do Roncador.

Fuso horário

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O fuso horário em vigor é uma hora menor em relação ao Horário de Brasília e quatro horas a menos em relação a Greenwich, UTC-4. Geralmente entre os meses de outubro e fevereiro adota-se o Horário de Verão, no qual os relógios são adiantados uma hora para poupar energia. Curiosamente, ainda que em caráter não oficial, alguns municípios do leste do estado, na região conhecida como "Vale do Araguaia", adotam o Horário de Brasília mesmo sendo obrigados por lei a adotarem o Fuso Horário Oficial de Mato Grosso.

A população, por sua vez, alega que a região já está dentro do fluxo 45° O e, além disso, sofre muita influência do estado de Goiás, uma vez que por se tratar de região de divisa, a capital Goiânia está muito mais próxima que Cuiabá. Portanto, municípios como Barra do Garças, Alto Araguaia, Canarana, Água Boa e Nova Xavantina, por exemplo, seguem o Horário de Brasília.[13]

O estado apresenta sensível variedade de climas. Prevalece o tropical super-úmido de monção, com elevada temperatura média anual, superior a 24º C e alta pluviosidade (2 000 milímetros anuais); e o tropical, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias de 23 °C no planalto.

A pluviosidade é alta também nesse clima: excede a média anual de 1 500 milímetros. Já em lugares elevados, como a Chapada dos Guimarães e a Serra do Monte Cristo, o clima é subtropical, com uma temperatura média anual de Chapada dos Guimarães é de 24 °C, sendo a maior máxima registrada de 40 °C e a menor de 0 °C.[14]

Durante a atuação de uma intensa massa de ar polar, as temperaturas durante a tarde nas cidades do centro-sul e sudoeste do estado podem estar próximas a 10 °C, enquanto que no restante do território as temperaturas ultrapassam os 30 °C.

Demografia

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Imagem aérea de Cuiabá, a maior aglomeração urbana do estado.

A população de Mato Grosso no censo demográfico de 2022 do IBGE era de 3.658.649 habitantes, o que lhe conferia uma densidade demográfica de 4,05 hab/km².[15] Em 2022, Mato Grosso era o 16° estado mais populoso do Brasil e concentrava 1,8% da população brasileira.

Pelas características encontradas no estado, o predomínio é de pessoas adultas e com um índice de declínio para jovens e aumento de idosos. Pela média do estado há um predomínio de homens devido a emigração dos outros estados para Mato Grosso, contudo, na grande Cuiabá há predomínio de mulheres, semelhante à média brasileira. Mato Grosso ocupa o oitavo lugar entre os maiores índices de desenvolvimento humano das unidades federativas do Brasil.

Segundo dados do Censo brasileiro de 2022, obtidos pelo IBGE por meio de pesquisa de autodeclaração, 56% da população mato-grossense se identifica como parda, 32,3% como branca, 9,9% como negra, 1,5% como indígena e 0,3% como asiáticos.[15]

Semelhante ao que ocorre em todo território nacional, Mato Grosso é predominantemente povoado por pessoas cristãs, sendo na sua maioria católicos e uma fração menor dividida em inúmeras denominações evangélicas, contando ainda com a presença de religiões afrodescendentes.

Municípios mais populosos

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Governo e política

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 Ver artigo principal: Governo de Mato Grosso
 
Palácio Paiaguás sede do governo do estado e residência oficial do governador.

O estado de Mato Grosso, assim como em uma república, é governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso e outros tribunais e juízes. Além dos três poderes, o estado também permite a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[17] A atual constituição do estado foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores Emendas Constitucionais.[18]

O poder executivo mato-grossense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais um mandato.[18] Sua sede é o Palácio Paiaguás, que desde 1975 é sede do poder executivo e residência oficial do governador.[19] Nas eleições estaduais em Mato Grosso em 2018, Mauro Mendes candidatou-se pelo Democratas a governador e foi eleito em 1º turno com 58,69% dos votos válidos.[20]

O poder legislativo estadual é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo. É constituída por 24 deputados, que são eleitos a cada quatro anos. No Congresso Nacional, a representação mato-grossense é de três senadores e oito deputados federais.[21] O poder judiciário tem a função de julgar, conforme leis criadas pelo legislativo e regras constitucionais brasileiras, sendo composto por desembargadores, juízes e ministros.[22] Atualmente, a maior corte do Poder Judiciário mato-grossense é o Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Subdivisões

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Divisão das regiões intermediárias (vermelho) e imediatas (cinza)

O Mato Grosso é composto por 141 municípios, que estão distribuídos em 18 regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em cinco regiões geográficas intermediárias, segundo a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017.[23]

As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua vez, substituíram as microrregiões.[24] Na divisão vigente até 2017, os municípios do estado estavam distribuídos em 22 microrregiões e cinco mesorregiões, segundo o IBGE.[25]

Economia

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 Ver artigo principal: Economia de Mato Grosso
 
Exportações de Mato Grosso - (2012)[26]

A pecuária e a agricultura em terras anteriormente constituintes de florestas ou de cerrado, que foram devastadas com este fim, foram os principais sistemas comerciais de Mato Grosso dos séculos XX e XXI. Devido ao crescimento econômico propiciado pelas exportações, Mato Grosso tornou-se um dos principais produtores e exportadores de soja do Brasil, entre os municípios que destacam como exportadores está Rondonópolis maior exportador do Estado.[27]

Entre os dez municípios mais ricos do Centro-Oeste, 8 são de Mato Grosso, com destaque para Alto Taquari, Campos de Júlio e Sapezal, que possuem os três maiores PIBs per capita da mesorregião,[28] e Cuiabá, que é sede de 8 empresas de grande porte, mesma quantidade que Belém e Florianópolis e maior número que em Campo Grande.[29] É um dos maiores estados em relação à exploração de minérios.

 
Plantação de soja em Rondonópolis; o estado é o maior produtor do Brasil
 
A atividade de condução de boiadas é comum na região de Mato Grosso

Em 2012, o crescimento na região de Sinop, Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Matupá se mostrou um forte propulsor para o desenvolvimento econômico do estado, baseado na produção e venda de grãos. As exportações do estado se basearam, naquele ano, em soja (40,59%), milho (17,70%), farelo de soja (16,42%), algodão cru (7,86%) e carne bovina congelada (5,13%).[26]

Em dados de 2020, o Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos do país, com uma participação de 28,0%.[30] É o maior produtor de soja do Brasil, com 26,9% do total produzido em 2020 (33,0 milhões de toneladas), e o terceiro maior produtor de feijão, com 10,5% da produção brasileira.[30] Na cana-de-açúcar, o estado está em sexto lugar no Brasil, com dezesseis milhões de toneladas colhidas em 2019/20.[31][32] Em 2017, o Mato Grosso era o maior produtor de milho do país com 58 milhões de toneladas.[33] É também o maior produtor de algodão do Brasil, com cerca de 65% da produção nacional (1,8 dos 2,8 milhões de toneladas colhidos no país em 2018).[34][35] Na semente de girassol, o estado foi o maior produtor nacional em 2019, com 60 mil toneladas.[36] Na produção de mandioca, o Brasil produziu um total de 17,5 milhões de toneladas em 2019. Mato Grosso produziu 287 mil toneladas neste ano.[37]

Em 2019, o rebanho bovino matogrossense chegou à marca de trinta milhões de cabeças de gado,[38] o maior rebanho bovino do país, representando sozinho quase 14% da produção nacional.[39] Em 2018, Mato Grosso era o quinto maior produtor de carne suína do país, com um plantel de aproximadamente 178 mil matrizes e um rebanho em torno de 2,5 milhões de animais.[40][41]

Em 2017, o estado teve 1,15% de participação na mineração nacional (quinto lugar no país). Mato Grosso teve produção de ouro (8,3 toneladas a um valor de R$ 1 bilhão), principalmente na cidade de Peixoto de Azevedo, e estanho (536 toneladas a um valor de R$ 16 milhões).[42] Além disso, nas pedras preciosas, o estado é o 2º maior produtor nacional de diamante, tendo extraído 49 mil quilates no ano de 2017. A cidade de Juína é a principal nesta atividade no estado.[43] O estado também tem uma pequena produção de safira e jaspe.[44]

Mato Grosso tinha em 2017 um PIB industrial de R$ 17,0 bilhões, equivalente a 1,4% da indústria nacional. Empregava naquele ano 141 121 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: construção (32,0%), alimentos (27,9%), serviços industriais de utilidade pública, como energia elétrica e Água (18,6%), bebidas (4,5%) e derivados do petróleo e biocombustíveis (3,9%). Estes cinco setores concentravam naquele ano 86,9% da indústria do estado.[45]

Infraestrutura

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Transportes

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BR-163 / BR-364, trecho duplicado entre Cuiabá e Rondonópolis.
 
Aeroporto Internacional Marechal Rondon

Mato Grosso tinha, em 2020, 141.171 km de estradas municipais; nas estradas estaduais eram 22.399 km de estradas não pavimentadas, 7.281 km de estradas pavimentadas e 81 km de rodovias duplicadas. Na malha rodoviária federal, havia 3.649 km de estradas, incluindo 330 km de rodovias duplicadas. O Mato Grosso, apesar de ser um estado de ocupação mais recente, já conta com uma rodovia de pista dupla ligando a capital Cuiabá a uma das maiores cidades do estado, Rondonópolis, e seguindo até a divisa com o Mato Grosso do Sul.[46][47][48][49][50] As principais rodovias de Mato Grosso foram construídas a partir da década de 1970, através do Programa de Integração Nacional. O Transporte Terrestre atua com grande importância para a economia do estado, permitindo o escoamento da produção agrícola e suprindo as necessidades da circulação de mercadorias. Sendo um grande produtor e exportador agropecuário, o estado vem recebendo algumas evoluções em sua infraestrutura rodoviária, porém, ainda possui muitas estradas de terra e algumas rodovias costumam ficar em más condições asfálticas.[51] As principais Rodovias Federais que cortam o estado são: BR-163, a partir do sul do Estado, liga Cuiabá a Santarém; BR-364, a partir de Goiás, liga Cuiabá à Rio Branco no Acre passando por Porto Velho em Rondônia; BR-070, que liga Cuiabá a Brasília e BR-158, a partir de Barra do Garças, segue em direção ao Pará.[51]

A Ferronorte interliga Mato Grosso ao Porto de Santos, em São Paulo. Conta com quatro terminais: Alto Araguaia, Alto Taquari, Itiquira (Mato Grosso) e Rondonópolis(Sendo este o maior terminal intermodal da América Latina), e são responsáveis pelo escoamento de grande parte da produção agrícola do estado. Atualmente a ferrovia encontra-se em posse/concessão da América Latina Logística.

Apesar dos rios que banham o estado apresentarem boas condições de navegação, as Hidrovias em Mato Grosso, em geral, são menos utilizadas e envolvem polêmicas com questões ambientais e sociais, sendo que muitas obras encontram-se embargadas atualmente. As principais hidrovias são: Paraguai-Paraná, Rio das Mortes-Araguaia-Tocantins e Madeira-Amazonas.[52]

O Aeroporto Internacional Marechal Rondon, localizado no município de Várzea Grande, é o principal aeroporto do estado. Dista oito quilômetros do centro de Cuiabá, a capital do estado, sendo o terceiro aeroporto mais movimentado do Centro-Oeste do Brasil, segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária.[53]

Educação

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Reitoria da UFMT

O Estado possui diversas escolas de educação básica e instituições de ensino técnico e superior. As principais instituições públicas de educação de Mato Grosso são: Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT); Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

A Universidade Federal de Mato Grosso foi criada em 1970. Sua sede encontra-se em Cuiabá, possuindo campi em mais quatro cidades: Barra do Garças, Pontal do Araguaia, Sinop e Várzea Grande, é a terceira melhor universidade do centro-oeste e umas das 30 melhores do país, segundo o ranking nacional de universidades brasileiras, realizado pela folha de São Paulo, em 2023. As atividades de ensino, pesquisa e extensão estão concentradas em 113 cursos de graduação, incluídas as habilitações, e 60 de especialização sustentados em núcleos de investigação e extensão, onde mais de 21 mil estudantes realizam seus estudos.[54]

A Universidade do Estado de Mato Grosso foi fundada em 1978, com sede administrativa no município de Cáceres. Possui câmpus nos municípios de Alta Floresta, Alto Araguaia, Barra do Bugres, Cáceres, Colíder, Diamantino, Juara, Luciara, Nova Mutum, Nova Xavantina, Pontes e Lacerda, Sinop e Tangará da Serra. A contribuição desta universidade é bastante relevante, principalmente para o interior de Mato Grosso, formando milhares de profissionais.[55]

Cultura

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 Ver artigo principal: Cultura de Mato Grosso

Música e dança

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Viola de cocho

Mato Grosso preserva manifestações culturais com influências variadas, que ganham expressão em danças cantos e festivais folclóricos em diferentes regiões do estado. As mais conhecidas são o Siriri, dança acompanhada por cantoria, com influências indígenas e africanas, e o Cururu, espécie de desafios de rimas, com origens em manifestações religiosas por homens, que fazem versos e toadas para as mulheres. Os maiores festivais de Siriri e Cururu ocorrem em Cuiabá e região. [56]

A viola de cocho é um instrumento musical rudimentar típico da Bacia do Paraguai, produzida por mestres artesãos, violeiros e cururueiros. Praticamente desconhecida no Brasil, a viola de cocho já muito aplaudida mundo afora. A viola de cocho só é encontrada no pantanal de Mato Grosso, recebe este nome porque é confeccionada em um tronco de madeira inteiriço, esculpido no formato dos recipientes utilizados para alimentar os animais, os cochos. Com forma e sonoridade singulares, a viola de cocho possui sempre cinco ordens de cordas, denominada prima, contra, corda do meio, canotio e resposta. [57]

Outra cultura típica do estado é o sertanejo universitário, um estilo musical que provém de uma mistura da música sertaneja. É considerado o terceiro segmento na evolução da música sertaneja, estando atrás do sertanejo dito raiz e do sertanejo romântico.[carece de fontes?]

O rasqueado cuiabano é a música popular mato-grossense que tem as suas origens nos ritmos que formaram a música popular brasileira o rasqueado é formado por três ritmos que estão na base da formação do povo brasileiro, ou seja, o negro, o índio e o europeu. Os instrumentos utilizados na execução do tradicional rasqueado são o ganzá, o mocho ou adufo (espécie de tambor em forma de banquinho), o violinofone e a imprescindível viola-de-cocho. Porém hoje em dia , novos instrumentos, principalmente os eletrônicos, são empregados por bandas ditas da região urbana.[carece de fontes?]

O lambadão cuiabano (também conhecido simplesmente como lambadão) é um estilo de música e dança característico da baixada cuiabana, especialmente nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. Trata-se de um ritmo rápido derivado da junção da lambada e do carimbó do Pará, que se tornou um ritmo característico da periferia cuiabana e varzea-grandense. O lambadão sofreu um pouco de preconceito, especialmente contra as versões mais sexualizadas da dança, semelhantes ao funk carioca. Em 2009, foi promovido o Primeiro Festival de Lambadão de Cuiabá com as principais bandas de lambadão como Scort Som, Real Som, Banda Ellus e muitas outras.[carece de fontes?]

Esportes

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No estado nasceram os medalhistas em Mundiais Felipe Lima na natação[58] e David Moura no judô,[59] além dos campeões mundiais de futsal Vinícius e Lenísio.[60]

Ver também

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Referências

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  2. a b IBGE, IBGE (27 de agosto de 2021). «Estimativa Populacional 2021». ibge.gov.br. Consultado em 28 de agosto de 2021 
  3. «Sistema de Contas Regionais: Brasil 2021» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 17 de novembro de 2023 
  4. «Tábua completa de mortalidade para o Brasil – 2015» (PDF). IBGE. Consultado em 2 de dezembro de 2016 
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Ligações externas

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