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Otto Gottlieb
Otto Gottlieb em 1999
Nascimento 31 de agosto de 1920
Brno, República Tcheca
Morte 19 de junho de 2011 (90 anos)
Rio de Janeiro
Residência Brasil
Nacionalidade Tchecoslováquia Tcheco
Brasil Brasileiro - naturalizado
Alma mater UFRJ
Campo(s) Química

Otto Richard Gottlieb (Brno, 31 de agosto de 1920Rio de Janeiro, 19 de junho de 2011) foi um químico e cientista tcheco, de origem judaica,[1]naturalizado brasileiro.

Foi indicado para o Nobel de Química em 1999, por estudos sobre a estrutura química das plantas, que permitem analisar o estado de preservação de vários ecossistemas. Com seu trabalho, revelou a biodiversidade da flora brasileira e promoveu a fitoquímica no país. Em 1977 Otto foi o primeiro profissional de química a receber o Prêmio Fritz Feigl, criado pelo Conselho Regional de Química - IV Região neste mesmo ano[2][3]. Foi agraciado com o Prêmio Anísio Teixeira em 1986.[4]

BiografiaEditar

Otto Richard Gottlieb nasceu em Brno (atual República Tcheca). Em 1936 foi para a Inglaterra em decorrência da já iminente ascensão do regime Nazista, enquanto sua família veio para o Brasil. Ele chegou ao país em 1939 e, no ano seguinte, ingressou no Colégio Universitário. Durante este período, estagiou no laboratório de Imunologia do Instituto Butantã e foi redator da revista Química, publicada pela Escola Nacional de Química.

Aos 21 anos, optou pela nacionalidade brasileira. Formou-se em primeiro lugar no curso de Química Industrial pela Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro) .

Trabalhou por dez anos na indústria química do pai, que fabricava óleos essenciais da flora brasileira, utilizados como matéria-prima de perfumaria. Mais tarde, decidiu participar de um dos mais importantes grupos de pesquisa sobre produtos naturais da época, o Instituto Weizmann de Ciências, em Israel. Conseguiu uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas, o CNPq, e do National Cancer Institute, iniciando assim uma investigação sobre o isolamento de substâncias químicas de plantas e a determinação de sua estrutura.

Sempre fascinado pela exuberância e vasta composição química da Amazônia, retornou ao Brasil em 1961 para assumir o cargo de tecnologista do Instituto de Química Agrícola, o IQA, onde foi responsável por importantes descobertas como o pau-rosa.

Na Universidade Rural do Brasil, atual Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), obteve o doutorado e o título de livre-docente, o que viria a ser o primeiro de uma série de títulos. Em 1964, foi trabalhar como professor visitante no laboratório da Universidade de Sheffield na Inglaterra e viajou para os Estados Unidos para um mês de estágio na Universidade de Indiana. No mesmo ano, retornou ao Brasil para a chefiar a implantação do laboratório de fitoquímica da Universidade de Brasília (UnB). Em 1967, criou o laboratório de Química de Produtos Naturais no Instituto de Química da Universidade de São Paulo, de onde se aposentou em 1990.

Otto Gottlieb mapeou centenas de espécies e estabeleceu índices para o comportamento delas, possibilitando a medição da biodiversidade de ecossistemas. Seus estudos também resultaram na descoberta de substâncias como as neolignanas, de efeito anti-inflamatório.

Gottlieb foi professor da USP até se aposentar, aos 70 anos. Ele trabalhou na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) até 2002, quando foi para a UFF (Universidade Federal Fluminense). Durante a vida montou uma biblioteca própria sobre recursos naturais com aproximadamente dois mil livros. Sua pesquisa científica resultou em quase 700 artigos, basicamente sobre o tema sustentabilidade. É considerado o cientista brasileiro que mais chegou perto do Prêmio Nobel, sendo indicado nos anos de 1998, 1999 e 2000.[5]

Morou no Rio de Janeiro até sua morte, na noite do domingo do dia 19 de junho de 2011. Está sepultado no Cemitério Comunal Israelita.

Referências

  1. Reportagem do O Globo Morre o cientista Otto Gottlieb aos 91 anos - acessado em 20 de junho de 2011
  2. Prêmio Fritz Feigl para profissionais da USP Instituto de Química da Universidade de São Paulo - acessado em 22 de fevereiro de 2011
  3. Galeria dos Ganhadores do Prêmio Fritz Feigl Conselho Regional de Química - acessado em 22 de fevereiro de 2011
  4. «Agraciados». Prêmio Anísio Teixeira 
  5. Reportagem da Folha de S.Paulo Químico que chegou mais perto do Nobel no país morre aos 90 - acessado em 21 de junho de 2011

Ligações externasEditar