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Painel do Infante (Painéis de São Vicente de Fora)

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O Painel do Infante.

O Painel do Infante é um dos seis que constituem os Painéis de São Vicente de Fora, de Nuno Gonçalves. Recebeu este o apelido de "Painel do Infante" pela presença no mesmo do Infante D. Henrique, imagem aliás coincidente com um retrato do mesmo na contemporânea "Crónica da Guiné", de Gomes Eanes de Zurara. Para alguns teóricos, este painel representa a "queda" da Casa de Avis e a tomada do poder por D. Afonso V.

A imagem centralEditar

A imagem central reveste-se de mistério. Pensa-se representar S. Vicente (retratado noutros quadro do mesmo autor), contudo a simbologia presente não se adequa a tal personagem religioso, nem a nenhum outro! Para alguns, representa "Portugal" ou antes o Anjo de Portugal, ou seja, a essência espiritual da nação portuguesa. Nas mãos, carrega um livro religioso cujas palavras carregam a autoridade de Deus que é investida na figura que ante ele se ajoelha.

Na senda da hipótese original de José Saraiva, (Os Painéis do Infante Santo, Leiria, 1925), Jorge Almeida sugere que esta figura é na verdade D. Fernando, o Infante Santo, irmão do rei morto em cativeiro. Dada a importância das exéquias fúnebres à data da pintura, seria um evento traumático que um membro da família real não tivesse direito a um funeral condigno na sua pátria. O conjunto representa assim um funeral simbólico, homenageando de forma derradeira o mártir.

D. DuarteEditar

D. Duarte, filho de D. João I que lhe sucederia no trono, foi um rei político de renome. Protegido pela Casa de Aviz e por seu pai, sofreria destino diferente dos seus irmãos D. Pedro (Casa de Coimbra) e D. Henrique (Casa de Viseu). Cresceu como um político, pouco dado às coisas da guerra, conforme retratado na sua postura serena, chapéu flamengo na cabeça (realçando as ligações políticas de Aviz a Borgonha, onde se casaria a sua irmã, a "Sibila" Infanta Isabel. A sua imagem viria a ser tradicionalmente identificada como a do Infante D. Henrique ao longo dos séculos.

D. Afonso VEditar

Ajoelhando-se perante a imagem central, está o jovem e garboso Afonso V, assumido Rei aos 14 anos, rejeitando a regência do seu tio D. Pedro. As suas políticas levaram à Batalha de Alfarrobeira (onde seu tio morreria), depois alcançaria a glória em, África, ganhando o cognome de "O Africano"; por fim perder-se-ia nas guerras intestinas de Castela, tentando colocar a "Beltraneja" no trono para acabar semi-derrotado na batalha de Toro.

A Rainha Leonor de AragãoEditar

Em oposição a D. Duarte, seu esposo. De véu branco, a falecida Leonor de Aragão que, após falecimento do esposo D. Duarte, tentaria tomar o poder em Portugal, prontificando a revolta popular que recordava ainda Aljubarrota, que culminaria na liderança do regente D. Pedro após expulsão da Rainha para Castela.

Rainha Isabel de CoimbraEditar

Em oposição a D. Afonso V, seu esposo. Filha de D. Pedro, é a figura mais enigmática do painel. As suas mangas são assimétricas: uma ajustada ao braço, a outra rasgada e disforme, que se pensa representar a desfloração virginal ou a dilatação necessária ao nascimento do seu filho, futuro João II; estes braços afastam as vestes vermelhas para revelar roupa de cor verde (a cor de seu pai no Painel dos Cavaleiros, e do seu filho neste mesmo painel), numa alusão aos genitais femininos e ao sacrifício da sua virtude pelo futuro da nação Portugal.

D. João II, criançaEditar

Entre D. Duarte, seu avô, e D. Afonso V, seu pai, está uma criança também vestida de verde, barrete composto preso por botões (uma de duas figuras com barretes compostos, nos paineis; sendo a outra a simetricamente oposta: D. João II já homem, no "Painel do Arcebispo").