Palacetes Prates

Os Palacetes Prates foram três edifícios que ficavam localizados no Vale do Anhangabaú, próximo ao Viaduto do Chá, na cidade de São Paulo. O nome do conjunto de edificações é uma homenagem a Eduardo da Silva Prates, o primeiro Conde de Prates e que administrava uma grande fortuna herdada por sua esposa Antonia dos Santos Silva,. única herdeira de seu pai o Barão de Itapetininga que foi o dono de várias fazendas e de grande parte do Vale do Anhangabaú. O que explica a origem de sua riqueza. .

Palacetes Prates na década de 1920 com Edifício Sampaio Moreira ao fundo.

HistóriaEditar

 
Palacete Anchieta em 1948.

No início do século XX, o centro da cidade de São Paulo passava por obras de modernização, processo este que foi conduzido pelo prefeito Barão de Duprat. O palacetes gêmeos foram a colaboração de Eduardo da Silva Prates na intervenção urbana. O Conde de Prates a partir de 1910 começa a participar dos Projetos de Melhoramentos da Capital com o dinheiro que passou a administrar lhe dava poder para influenciar nas negociações para possibilitar a criação do Parque do Anhangabaú.[1][2]


Era o ano de 1910, nessa ocasião foi chamado pelo Prefeito Antonio da Silva Prado para participar dos estudos, o arquiteto francês J.A. Bouvard, responsável pelas obras de viação e plano de jardins de Paris, que chegou a uma solução à forma de aproveitamento da encosta entre a rua Libero Badaró e o Vale do Anhangabaú.

Optou pela construção de dois edifícios, com espaço de 29 metros entre eles, ocupado por um terraço-belvedere debruçado sobre o parque.. Dito plano estabelecia construções nos dois extremos da rua Formosa e na ladeira Dr. Falcão. E assim, foi permitida a construção do Prédio da Casa Allemã na Rua do Piques e do Prédio do Cine Central, sobre a avenida São João, além de um terceiro prédio na Rua Doutor Falcão com Líbero Badaró.

Em 1911 todos os terrenos do Vale do Anhangabaú e da futura Praça de Santo Antonio (atual Praça do Patriarca) são desapropriados pelo Governo Estadual, o dinheiro recebido pelos seus lotes permitiu ao Conde Prates que desse início às obras dos Palacetes:.

   "Lavrada escritura em 11 do corrente de 1911, pela qual o Estado adquiriu mediante preço de 300.000$000 (trezentos mil contos de réis) do Sr. Eduardo Prates diversos terrenos destinados aos melhoramentos da Capital"

O Engenheiro Samuel das Neves mostra o envolvimento pessoal do Conde em todas as fases dos trabalhos de construção de seus imóveis. Demonstra seu grande empenho em acompanhar o andamento das' obras, os gastos com materiais e pagamento de mão-de-obra, e o próprio ritmo das construções. Os dois prédios do Conde, os Blocos Prates como eram chamados, foram posteriormente alugados para o Automovel Clube, tendo sido efetuadas reformas para adaptá-lo às necessidades do Clube, e o outro à Prefeitura Municipal. No período inicial das obras, em 1912, o Conde tratando o eng. Samuel das Neves como "caro amigo" alerta-o para a necessidade de acelerar os trabalhos.


Atribui-se à influência do filho de Samuel Neves, o jovem Christiano Stockler Neves o emprego de estruturas metálicas e de concreto armado nos edifícios do centro da cidade, entre os quais esses dois "Blocos do Conde. Foram utilizados também nesses prédios, pela primeira vez em São Paulo, caixilhos metálicos produzidos pela firma inglesa "Hope" O prédio Mediei, na esquina da ladeira Dr. Falcão com Libero Badaró, também de responsabilidade do Escriptório Téchnico Samuel das Neves foi, segundo testemunho de Christiano Stockler das Neves, o primeiro edifício construído em estrutura de concreto armado no Brasil, executada por uma firma inglesa. Outra empresa, a Vaughan & Dymond, de New Castle on Tyneo foi a responsável pelo fornecimento das estruturas metálicas e as estruturas dos telhados dos Blocos Prates em placas de ardósia verde. Cada um dos dois edifícios utilizou, segundo o contrato, mais ou menos 630 toneladas de aço 24. [3]

Os três edifícios foram projetados pelo engenheiro agrônomo baiano Samuel das Neves e por seu filho, o arquiteto Cristiano Stockler das Neves, formado na Universidade da Pensilvânia, que também projetou a Estação Sorocabana, atual Estação Júlio Prestes e sede da Sala São Paulo.[1][2]

 
Vale do Anhangabaú na década de 1930 com visão do Club Comercial à esquerda e dos palacetes gêmeos.

O primeiro dos edifícios, para quem vinha da Avenida São João em direção ao Viaduto do Chá (Rua Líbero Badaró, 377), funcionou até o ano de 1951 como a sede da Prefeitura Municipal de São Paulo e posteriormente da Câmara Municipal. O segundo palacete, na esquina da rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá, foi sede do Automóvel Club de São Paulo. O terceiro palacete, já do outro lado do viaduto, deu lugar ao Grand Hôtel de la Rôtisserie Sportsman, sendo que posteriormente foi utilizado como sede do jornal Diário da Noite.[1][4][5]

Alguns anos depois da inauguração dos edifícios, os Palacetes Prates ganharam uma outra companhia ao seu lado: o Club Comercial, inaugurado em 1930, com arquitetura similar aos palacetes gêmeos. O local era sede de várias lojas e escritórios, além de salões de baile[6]

 
Desenho do Grand Hotel de La Rotisserie Sportsman de 1909.

Após a saída da prefeitura do primeiro palacete, a Câmara Municipal assumiu o prédio inteiro, dando-lhe o nome de Palacete Anchieta.[7]

Apesar do valor histórico e arquitetônico, todos os edifícios dos Palacetes Prates foram demolidos um após o outro, ocorrendo o mesmo com o Club Comercial. O primeiro a ser demolido em 1935 foi o que originalmente abrigou o Grand Hôtel da la Rotisserie Sportsman, dando lugar ao Edifício Matarazzo.[6] O segundo a ser demolido no início dos anos 1950, originalmente sede ao Automóvel Club, deu lugar ao Edifício Conde de Prates.[6] O terceiro palacete foi demolido em 1970 em seu lugar foi construído o Edifício Mercantil Finasa.[2][6] Já o edifício do Club Comercial foi demolido em 1969 e deu lugar ao Edifício Grande São Paulo.[6]

Vale do Anhangabaú na segunda metade da década de 1920.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c São Paulo in Foco, ed. (28 de janeiro de 2014). «Os Prédios Gêmeos de São Paulo – Uma Obra Do Conde Prates». Consultado em 6 de novembro de 2017 
  2. a b c Douglas Nascimento. São Paulo Antiga, ed. «Palacete e Edifício Conde de Prates». Consultado em 6 de novembro de 2017 
  3. [1]
  4. O Estado de S. Paulo, ed. (3 de março de 2015). «Há 100 anos Automóvel Clube inaugurava sede». Consultado em 6 de novembro de 2017 
  5. Eudes. «Os primeiro hotéis da cidade de São Paulo». Campos. Consultado em 26 de dezembro de 2017 
  6. a b c d e Amaral, Luiz (1 de março de 2013). «Os palacetes do Anhangabaú». Preserva SP. Consultado em 26 de dezembro de 2017 
  7. Câmara Municipal de São Paulo (ed.). «1914: Palacete Prates, na Rua Libero Badaró». Consultado em 6 de novembro de 2017 

Ligações externasEditar