Abrir menu principal

Wikipédia β

[1]

Uma lata de Buzz Cola. Uma paródia "simpsoniana" baseada nos refrigerantes Coca-Cola e Pepsi.

paródia é uma releitura de caráter contestador de alguma composição literária, que frequentemente utiliza ironia e deboche. Ela geralmente é parecida com a obra original, quer seja por sua forma ou estilo ou, ainda, por retomar trechos da obra relida. Diferente da paráfrase, estabelece uma oposição ideológica com o texto original.

A paródia é uma das maneiras de estabelecer intertextualidade entre diferentes textos. Surge a partir de uma nova interpretação, da recriação de uma obra já existente e, em geral, consagrada. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto, provocando o que Affonso Romano de Sant'Anna chama de "deslocamento" em Paródia, paráfrase & cia. (Ed. Ática, 2003): "Falar de paródia é falar de intertextualidade das diferenças. Falar de paráfrase é falar da intertextualidade das semelhanças". Ou seja, há um desvio na intencionalidade do discurso da obra original e da obra relida, embora ambas mantenham entre si o enredamento que possibilitou tal recriação, sendo o texto original a gênese das releituras advindas, como é o caso notório do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, que recebeu diversas releituras - tanto de autores contemporâneos quanto de autores modernos, como Carlos Drummond de Andrade e Cacaso, entre outros.

Aparece como importante elemento no modernismo brasileiro e na poesia marginal da chamada "Geração mimeógrafo".

Em Paródia, paráfrase & cia, Sant'Anna lembra que o termo paródia foi institucionalizado a partir do séc 17, embora aponte que na Poética de Aristóteles já exista um comentário a respeito, atribuído ao fato de Hegemon de Thaso (séc. 5 a.C.) ter usado o estilo épico para representar os homens não como superiores ao que são na vida diária, mas como inferiores (o que configurava uma inversão, dada a natureza literária da epopeia em apresentar os heróis nacionais no mesmo nível dos deuses). O autor segue a explicar a etimologia do vocábulo explorando dicionários de literatura modernos, dos quais elenca duas definições; a do dicionário de Brewer: "paródia significa uma ode que perverte o sentido de outra ode (do grego para-ode)" ; Sant'Anna também traz os significados de paródia segundo o dicionário de literatura de Shipley, que discrimina três tipos básicos, sendo eles:

  • Verbal: Altera uma palavra ou outra do texto original;
  • Formal: O estilo e os efeitos técnicos de um escritor são usados como forma de zombaria;
  • Temática: em que se faz a caricatura da forma e do espírito de um autor.

A paródia se define através de um jogo de intertextualidade e intratextualidade (quando o autor retoma sua obra e reescreve).

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossos campos tem mais flores."

(Canção do exílio - Gonçalves Dias, poeta romântico brasileiro)

A paródia de Oswald de Andrade:

"Minha terra tem palmares onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá"

Reparem que "palmares", na verdade trata-se do Quilombo dos Palmares, ou seja, a expressão do nacionalismo crítico do movimento modernista brasileiro da vertente Pau-Brasil.

Índice

MúsicaEditar

A paródia, em música, seguiu sendo um estilo que tomou conta do novo método do Século XVI, com uso do cantus firmus que entrava em seu desuso sério da polifonia do Século XIV e XV. A partir de então, o cantus firmus se utilizou em raras ocasiões. A paródia seguiu sendo prominente em certos estilos de música instrumental, primeiramente na música para teclados. Conforme a música evoluiu pelo início do Barroco, a paródia entrou na história da ópera, e conta com inúmeros exemplos. Ironicamente iniciam-se com interlúdios cómicos nas óperas dramáticas, chamados de intermezzos. Exemplos destes intermezzos se encontram em óperas de Jean-Baptiste Lully (1632-1687), um compositor acostumado a escrever balés para a corte real.[2] Mas os intermezzos cómicos eram pequenos trechos para serem interpretados entre atos da opera séria, um intervalo sarcástico e humorístico durante um espetáculo dramático. Lully era amigo de Molière e juntos criaram um novo estilo, o comédie-ballet, qual combinava teatro, comédia e balé. Um dos pioneiros da ópera francesa, e depois partiu solo com seu novo estilo, conhecido particularmente pelo nome de ópera buffae tem geralmente rimas.

Cinema e TVEditar

Existem muitas paródias no cinema e na TV, como o actual filme Vampires Suck (br: Os Vampiros que se Mordam/pt: Ponha Aqui o seu Dentinho), que é uma paródia dos filmes da Saga Twilight.

Um exemplo de paródia no cinema que demonstra audácia do produtor Woody Allen é seu magnifico filme Zelig. Pela apropriação de personagens históricos em diversas cenas, utilizando-se de truques cinematográficos, o personagem Zelig passa a contracenar com o Papa, com Hitler e outros personagens não menos famosos, assim pela corrosão nessas cenas, introduziu-se a paródia.[3]

Século XVIEditar

Século XVIIIEditar

Século XIXEditar

Século XXEditar

Paródia segundo a lei brasileiraEditar

Segundo a lei brasileira sobre direitos autorais:

Referências

  1. SANT'ANNA, Affonso Romano. Paródia, paráfrase & cia. São Paulo: Ática, 2003
  2. Referência cultural: A relação entre o Rei Louis XIV e Lully foi representada no filme frances de Gérard Corbiau, Le Roi Danse, 2000 IMDB.com (Trad livre: O rei está dançando). (em inglês)
  3. Afonso, Sant'Anna Afonso Romano (2003). Paródia paráfrase & cia. [S.l.: s.n.] ISBN 85 08 00703 5 

Ver tambémEditar

  Este artigo sobre literatura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.