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Perestroika (do russo: перестройка, literalmente "reconstrução" ou "reestruturação") foi, em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas por Mikhail Gorbachev, em 1986[1].

A palavra Perestroika, que literalmente significa reconstrução, recebeu a conotação de reestruturação (abertura) econômica[2]. Gorbachev percebeu que a economia da União Soviética estava falhando e sentiu que o sistema socialista necessitava de uma reforma, e isto seria levado a cabo pelo processo da Perestroika. Uma chave principal da Perestroika era reduzir a quantidade de dinheiro gasto em defesa e, para fazer isso, Gorbachev sentiu que a União Soviética deveria: desocupar o Afeganistão, negociar com os Estados Unidos a redução de armamento (os acordos de Yalta) e não interferir em outros países comunistas (a Doutrina Sinatra).[3]

A Perestroika permitiu a liberalização do comércio exterior, os preços, a moeda, a eliminação dos limites de fabricação de produtos, a redução de subsídios à economia e a autorização de importação de produtos estrangeiros, o que levou a uma variação extrema de diversos factores económicos, que se fizeram sentir por todo o país.

Selo soviético relaciona comemorações do Grande Outubro com a Perestoika e o Glasnost
Neste outro, são mostradas as modernidades que a Rússia ganharia com este projeto

Em contraste às reformas econômicas da República Popular da China, a Perestroika é largamente avaliada como tendo falhado em seu objetivo principal de reestruturar a economia soviética. As razões para o seu fracasso foram examinadas por muitos economistas e historiadores. Uma das razões citadas para esse fracasso foi o insucesso na promoção e criação de entidades económicas privadas e semi-privadas e a indisposição de Gorbachev em relação a uma reforma na agricultura soviética[4].

Outra possível razão seria a má-vontade dos altos oficiais do Partido Comunista da União Soviética (a linha dura) e da facção liberal apoiada pelos EUA e que tinha como principal líder Boris Yeltsin em aceitar as medidas da Perestroika. Enquanto os primeiros não queriam mudanças, os últimos queriam que elas acontecessem mais rapidamente[5]. Isso gerou forte oposição ao projeto da Perestroika.

Contrariamente às reformas no Afeganistão, a Perestroika não só falhou no propósito de trazer benefícios econômicos imediatos para a maioria das pessoas, mas o desmantelar da economia planejada criou o caos econômico, o que constituiu um fator importante para o colapso da União Soviética.[6]

Entre as principais medidas que deveriam ser tomadas na Perestroika, estava a redução na quantidade de dinheiro investido no setor de defesa. Para realizar esta tarefa, Gorbachev indicou que a URSS precisava iniciar a desocupação do território afegão, renegociar a redução de armamentos definida com os EUA nos acordos de Yalta, além de parar a interferência na política em outras nações comunistas.

Para que esta reforma funcionasse de forma plena, Gorbachev teria que enfrentar inúmeras dificuldades que poderiam refrear sua aplicação. Isso ocorre, pois, naquela época, a URSS apresentava uma grande extensão territorial, sistemas de reformas que tinham fracassado em tempos remotos e imobilismo populacional por falta de reservas econômicas que impulsionassem o desenvolvimento. Além disso, existiam grupos que perderiam poder com a reforma e se demonstravam contrários à Perestroika.

No início de seu governo, para aplicar a Perestroika, Gorbachev realizou um expurgo político e recomendou a instalação de um novo tipo de sistema econômico (economia de mercado), além da propriedade privada. Porém, a reestruturação não obteve sucesso. Entre os principais motivos estavam o fracasso na criação de entidades de economia privada, as convicções conservadoras do núcleo do Partido Comunista, a manifestação rumo à independência de algumas repúblicas que formavam a URSS e o fato de Gorbachev não ter realizado reformas no modo de produção agrícola soviético.

Desta forma, os contrários à reforma destituíram Gorbachev do poder, passando suas atribuições para um Comitê de Estado. Porém, este golpe foi rapidamente desfeito pela KGB, juntamente com a população russa, que começa a demonstrar um descontentamento com o regime comunista. Gorbachev decide pela renúncia em 1991.

Ver tambémEditar