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Protestos no Sudão em 2018–2019

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Este artigo ou seção é sobre um evento atual. A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (editado pela última vez em 14 de março de 2019)

Os Protestos no Sudão iniciaram em 19 de dezembro de 2018 quando a sede do Partido do Congresso Nacional em Atbara foi incendiada.[3] O preço do combustível e do pão, a alta inflação e a escassez de dinheiro na economia contribuíram para o descontentamento público e reivindicações para que o presidente Omar al-Bashir renunciasse.[4][5]

Protestos no Sudão em 2018–2019
Período 19 dezembro 2018 (2018-12-19) – presente
Local  Sudão
Resultado
  • Imposição de um estado de emergência por um ano
  • Dissolução dos governos central e regional, formação de um novo governo
  • Adiamento de emendas constitucionais relativas à prorrogação do mandato de Omar al-Bashir, sem cancelar sua candidatura para outro mandato[1][2]
Causas
Objetivos
Características
Participantes do conflito
Diferentes grupos de movimentos civis e pessoas individuais  Governo sudanês
Líderes
Liderança não centralizada Omar al-Bashir
Presidente do Sudão

Mohammed Hamdan Dalgo (Hemaidttie)
Chefe das Forças de Apoio Rápido

Awad Ibn Oaf
Ministro da Defesa do Sudão
Salah Mohammed Abdullah (Gosh)
Chefe do Serviço Nacional de Inteligência e Segurança

Os manifestantes foram recebidos com gás lacrimogêneo e munição real,[6] causando dezenas de mortos e feridos e provocando críticas internacionais. "Apenas caia - isso é tudo" (تسقط – بس)[7] é um dos mais famosos slogans dos protestos sudaneses.

AntecedentesEditar

Em janeiro de 2018, grandes protestos começaram nas ruas de Cartum, capital do Sudão, em oposição ao aumento dos preços dos produtos básicos, incluindo o pão. Os protestos cresceram rapidamente e encontraram apoio de diferentes partidos da oposição. Os movimentos de jovens e das mulheres também se juntaram aos protestos.[8]

O governo sudanês iniciou medidas de austeridade recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI),[9] incluindo a desvalorização da moeda local, bem como a remoção de subsídios ao trigo e à eletricidade. A economia do Sudão agoniza desde a ascensão de Omar al-Bashir ao poder, mas tornou-se cada vez mais turbulenta após a secessão do Sudão do Sul em 2011, que até então representava uma importante fonte de divisas devido à sua produção de petróleo.[9][10] A desvalorização da libra sudanesa em outubro de 2018 levou a uma flutuação descontrolada das taxas de câmbio e à escassez de dinheiro em circulação.[10] Longas filas para produtos básicos como gasolina, pão, bem como dinheiro em caixas eletrônicos tornaram-se comuns. O Sudão possui uma inflação de cerca de 70%, perdendo apenas para a Venezuela.[10]

Em agosto de 2018, o Partido do Congresso Nacional apoiou a campanha presidencial de Omar Al-Bashir para 2020, apesar de sua crescente impopularidade e da sua declaração anterior de que não concorreria nas próximas eleições.[11] Essas medidas levaram à crescente oposição de dentro do partido exigindo o respeito à constituição, que atualmente impede que al-Bashir seja reeleito. Ativistas sudaneses reagiram nas mídias sociais e pediram uma campanha contra sua indicação.[11]

Al-Bashir governa o país desde 1989. Ele chegou ao poder liderando um golpe de Estado contra o eleito, mas cada vez mais impopular, primeiro-ministro da época, Sadiq al-Mahdi.[12] O Tribunal Penal Internacional (TPI) indiciou al-Bashir pelos crimes de guerra e crimes contra a humanidade ocorridos na região ocidental de Darfur.[13]

HistóricoEditar

As mais recentes ondas de protestos começaram em Atbara em 19 de dezembro de 2018, em resposta à triplicação do preço do pão, e logo se espalharam para Porto Sudão, Dongola e a capital Cartum. Os protestantes incendiaram a sede do partido nacional em Atbara e Dongola.[14] As autoridades usaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real para dispersar os manifestantes, causando dezenas de mortos e feridos.[15] O ex-primeiro-ministro Sadiq al-Mahdi retornou ao país no mesmo dia.[14]

O acesso às mídias sociais e mensageiros instantâneos foi cortado em 21 de dezembro pelos principais provedores de serviços do país, com evidências técnicas coletadas pelo observatório internet NetBlocks e voluntários sudaneses indicando a instalação de "um extenso regime de censura na Internet".[16][17]

Em 7 de janeiro de 2019, mais de 800 manifestantes contrários ao governo foram detidos e 19 pessoas, incluindo agentes de segurança, foram mortas durante os protestos.[18]

Em 9 de janeiro, milhares de manifestantes se reuniram na cidade de El-Gadarif, no sudeste do país.[19] Toques de recolher foram emitidos em todo o Sudão, com escolas fechadas em todo o país.

Protestos organizados pelas Associações de Profissionais Sudanesas levaram um médico a ser baleado em 17 de janeiro,[20] e a alegações de que os hospitais estavam sendo alvo das forças de segurança.[21]

A cobertura da mídia aos protestos foi estritamente controlada pelas forças de segurança. Al Tayyar passou a imprimir páginas em branco para mostrar a quantidade de cópias censuradas pelo governo. Outras agências de notícias tiveram toda sua tiragem confiscada pelo governo. O serviço de segurança (Serviço Nacional de Inteligência e Segurança) invadiu os escritórios da Al Jarida novamente, o que levou este último a parar de produzir a sua versão impressa. De acordo com The Listening Post, os videógrafos de língua árabe estrangeiros têm sido particularmente visados pelo governo.[22][23]

Em 22 de fevereiro de 2019, Bashir declarou estado de emergência nacional - o primeiro em vinte anos[24] — e "dissolveu os governos central e regional".[25] No dia seguinte, nomeou seu sucessor, Mohamed Tahir Ayala, como primeiro-ministro, e o ex-chefe de inteligência e então ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, como primeiro vice-presidente. Seu chefe de inteligência também anunciou que não buscaria a reeleição em 2020 e renunciaria ao cargo de líder do Partido do Congresso Nacional.[24]

As forças de segurança invadiram universidades em Cartum e em Ondurmã, supostamente espancando estudantes com porretes em Cartum em 24 de fevereiro.[26] Novas sentenças de dez anos de prisão e tribunais de emergência foram decretados no mesmo dia por al-Bashir.[27]

Referências

  1. Reuters (22 de janeiro de 2019). «Bashir Calls on Parliament to Delay Amendments Allowing Him Another Term». Haaretz 
  2. «Sudan Call Launch Campaign Against Al Bashir Re-Election». allAfrcia. 9 de outubro de 2018 
  3. «Sudão: "É hora do Presidente Omar al-Bashir renunciar", diz especialista». Deutsche Welle. 30 de dezembro de 2018 
  4. «Sudan political parties call for 'transitional council' to run country». Middle East Eye. 2 de janeiro de 2019 
  5. Osha Mahmoud (25 de dezembro de 2018). «'It's more than bread': Why are protests in Sudan happening?». Middle East Eye 
  6. «Newsday – A protester shot in Sudan explains why he'll continue to demonstrate – BBC Sounds». www.bbc.co.uk (em inglês) 
  7. «'تسقط تسقط تسقط بس'». Alhurra (em árabe) 
  8. Mohammed Amin (18 de janeiro de 2018). «Protests rock Sudan's capital as bread prices soar». Middle East Eye 
  9. a b Amina Ismail and John Davison (12 de dezembro de 2017). «IMF says Sudan must float currency to boost growth, investment». Reuters 
  10. a b c «'We are all Darfur': Sudan's genocidal regime is under siege». The Economist. 10 de janeiro de 2019 
  11. a b Mohammed Amin (14 de agosto de 2018). «Omar al-Bashir's nomination draws fire from all sides in Sudan». Middle East Eye 
  12. Alan Cowell; anon. (1 de Julho de 1989). «Military Coup In Sudan Ousts Civilian Regime». NY Times 
  13. Xan Rice (4 de março de 2009). «Sudanese president Bashir charged with Darfur war crimes». The Guardian 
  14. a b Khalid Abdelaziz (20 de dezembro de 2018). «Sudan price protests subverted by 'infiltrators': spokesman». Leading Sudanese opposition figure Sadiq al-Mahdi returned to Sudan on Wednesday from nearly a year in self-imposed exile 
  15. Ruth Maclean (30 de dezembro de 2018). «Dozens have been killed by the regime. But Sudan's protesters march on». The Guardian 
  16. «Study shows extent of Sudan internet disruptions amid demonstrations». NetBlocks (em inglês). 21 de dezembro de 2018 
  17. Yousef Saba; Nafisa Eltahir (2 de janeiro de 2019). «Sudan restricts social media access to counter-protest movement». Reuters 
  18. «Over 800 arrested in Sudan demos». Daily Nation 
  19. «Thousands protest al-Bashir's rule in eastern Sudanese city». News24. AP. 9 de janeiro de 2019 
  20. «Doctor and child killed as protests break out across Sudan». Al Jazeera. 17 de janeiro de 2019 
  21. «Is the government of Sudan's Omar al-Bashir unravelling?». The Take. Al Jazeera. 1 de fevereiro de 2019 
  22. «Sudan: A crumbling regime puts the squeeze on the media». The Listening Post. Al Jazeera. 16 de fevereiro de 2019 
  23. «Sudanese authorities prevent distribution of Al-Jarida newspaper». CPJ: Committee to Protect Journalists. 17 de junho de 2018 
  24. a b Khalid Abdelaziz (23 de fevereiro de 2019). «Day into emergency rule, Sudan's Bashir names VP and prime minister». Reuters 
  25. Mohammed Alamin (22 de fevereiro de 2019). «Sudan's Al-Bashir Declares State of Emergency for One Year». Bloomberg 
  26. Mohammed Alamin (27 de fevereiro de 2019). «Protesters Face Whippings and Tear Gas in Sudanese Crackdown». Bloomberg. Leading Sudanese opposition figure Sadiq al-Mahdi returned to Sudan on Wednesday from nearly a year in self-imposed exile 
  27. Mohammed Alamin (26 de fevereiro de 2019). «Sudan's Leader Issues Decrees to Curb Protests, Black Market». Bloomberg