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Régis Duprat (Rio de Janeiro, 11 de julho de 1930) é um músico, musicólogo e professor brasileiro.

Filho de Delio Duprat e Olga Ronchi, e irmão de Rogério Duprat, estudou violino e viola com Joahanes Oesner, e contraponto e composição com Olivier Toni e Claudio Santoro. Formou-se em História pela USP e cursou o Instituto de Musicologia e o Conservatório de Paris, onde foi aluno de Marcel Beaufils. Foi professor de viola e de História da Música na Universidade de Brasília, onde fez seu doutorado em musicologia. Também lecionou na pós-graduação da UNESP e da Universidade Federal Fluminense e é professor titular de Estética e História da Música na USP.[1][2]

De 1950 a 1966 atuou como violista em vários conjuntos de câmara e sinfônicos. Dirigiu o Sindicato dos Músicos e a Associação dos Professores da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Foi cofundador da Orquestra de Câmara de São Paulo e da Orquestra Angelicum do Brasil.[1]

Destaca-se sua atuação como musicólogo e pesquisador. É um dos principais e um dos mais citados pesquisadores da música colonial brasileira, e segundo o professor e pesquisador da USP Diósnio Machado Neto, Duprat é um dos que exerceram o maior impacto na musicologia histórica nacional, ultrapassando as correntes do modernismo nacionalista e a escola do determinismo antropológico liderada pelo influente Curt Lange, e impulsionando a musicologia nativa "a uma atualização constituída pela proximidade teórica com a linha hermenêutica, considerando a condição humana vivida em sociedade como elemento primordial, e não a raça ou a cultura, [...] uma transformação teórica de fato que trazia à musicologia aspectos teóricos de ponta do pensamento histórico-filosófico coevo, principalmente superando as posturas estruturalistas vividas intensamente na segunda metade do século XX".[3]

Dedicou especial atenção a André da Silva Gomes, sobre quem é uma das principais autoridades, redescobriu a maioria das partituras hoje conhecidas e foi o autor do catálogo geral das suas composições. Dois trabalhos sobre este compositor são especialmente importantes: A Música na Sé de São Paulo Colonial (1995), que inclui o catálogo, e uma edição comentada de sua Arte explicada do contraponto (1998). Outros livros que merecem nota são Garimpo Musical (1985) e a série Música do Brasil Colonial (1997). É sócio honorário da Sociedade Brasileira de Musicologia e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Brasileira de Música. Integra o Conselho Editorial da Revista Brasileira de Música, do Programa de Pós-Graduação da Escola de Música da UFRJ, e da revista Modus, da Universidade do Estado de Minas Gerais. Tem grande obra científica publicada no Brasil e exterior. Coordenou a organização do Acervo Curt Lange no Museu da Inconfidência, sendo o principal responsável pela elaboração de três catálogos sobre os manuscritos musicais lá depositados. Suas pesquisas sobre a música colonial paulista lhe valeram um prêmio especial oferecido em 1970 pela Associação Paulista de Críticos Teatrais. Também recebeu o Prêmio Clio de 1996, da Sociedade Paulistana de História.[1][2]

Referências

  1. a b c Academia Brasileira de Música. Régis Duprat
  2. a b ARLAC IMS | Musicología para América Latina y el Caribe. Regis Duprat.
  3. Machado Neto, Diósnio. "Curt Lange e Régis Duprat: os modelos críticos sobre a música no período colonial brasileiro". In: Revista Brasileira de Música, 2010; 23 (2):73-94

Ligações externasEditar