Raimundo II de Trípoli

Raimundo II de Trípoli (c.1115-1152) foi conde de Trípoli de 1137 até à sua morte, sucedendo ao seu pai. Era filho de Pôncio de Trípoli com Cecília de França.

Raimundo II de Trípoli
Nascimento 1115
Trípoli
Morte março de 1152
Trípoli (Condado de Trípoli)
Cidadania Condado de Trípoli
Progenitores
Cônjuge Hodierna de Trípoli
Filho(s) Raimundo III de Trípoli, Melisenda de Trípoli
Ocupação aristocrata
Título conde

Herança do condadoEditar

Em 1137 casou-se com Hodierna, filha do rei Balduíno II de Jerusalém. Pouco depois, no mesmo ano sucedeu ao pai à frente do Condado de Trípoli, após Pôncio morrer em batalha contra o exército do sultão de Damasco. Presente na batalha, Raimundo considerou os cristãos sírios de Trípoli responsáveis pela traição que causou a derrota e morte do pai, e depois aprisionou um grande número destes, torturou-os e matou-os, no que foi apoiado e elogiado pelos cristão latinos do seu condado.

  Levou-lhes diversas torturas na presença do povo e, na justa proporção da enormidade do crime que haviam cometido, fez-lhes sofrer a morte nas suas formas mais cruéis. [...] Tais foram as primeiras provas de valor mostradas pelo jovem conde, pelas quais ganhou o afecto de todo o seu povo e a aprovação universal.  

Tradução livre da crónica de Guilherme de Tiro

Ainda no mesmo ano, o atabei Zengui de Alepo e Mossul cercou o castelo de Baarin no território de Trípoli. Raimundo solicitou a ajuda do rei Fulque de Jerusalém, mas o líder muçulmano derrotou-os e Raimundo foi aprisionado. Zengui continuou o cerco mas iniciou negociações com os sitiados quando teve notícias da iminente chegada de um exército comandado por Raimundo de Antioquia, Joscelino II de Edessa e pelo imperador bizantino João II Comneno, nessa altura a negociar em Antioquia. As forças cristãs cercadas em Barin não tinham conhecimento dos movimentos dos seus aliados e concordaram em ceder o castelo ao muçulmano em troca da libertação do seu conde.

Em 1142 Raimundo estabeleceu a Ordem do Hospital no condado, doando-lhes a Fortaleza dos Cavaleiros, uma enorme fortaleza na estrada de Damasco ao mar Mediterrâneo, bem como outros castelos menores. Esta ordem militar era virtualmente independente do condado e frequentemente responsável pela protecção das fronteiras de Trípoli, muitas vezes atacadas pelos muçulmanos de Damasco e pelas forças de Zengui.

Conflito com Afonso-Jordão de ToulouseEditar

Raimundo II era bisneto de Raimundo IV de Toulouse (ou Raimundo I de Trípoli), um dos líderes da Primeira Cruzada e o fundador deste condado, ainda antes da conquista da cidade de Trípoli. No entanto, descendia do primeiro através de Bertrando de Toulouse, um filho ilegítimo. Quando Afonso-Jordão de Toulouse, o filho legítimo de Raimundo IV, chegou à Terra Santa na Segunda Cruzada em 1147, temia-se que pudesse fazer valer a sua pretensão ao condado.

Afonso-Jordão morreu subitamente a caminho de Jerusalém, pelo que imediatamente se suspeitou de ter sido envenenado, possivelmente pela rainha Melisende de Jerusalém a pedido da sua irmã, Hodierna de Trípoli, esposa de Raimundo II. Esta acusação nunca foi provada, mas Raimundo recusou oferecer qualquer ajuda à cruzada, que terminou em fracasso.

Depois, o filho de Afonso-Jordão, também chamado Bertrando e também ilegítimo, tomou o castelo de Araima em Trípoli. Raimundo procurou a ajuda do filho e herdeiro de Zengui, Noradine, bem como do governador de Damasco, Muinadim Unur. Estes aliados muçulmanos retomaram Araima, que devolveram a Raimundo, e aprisionaram Betrando e a sua família.

Descendência e sucessãoEditar

Do seu casamento em 1137 com Hodierna, filha do rei Balduíno II de Jerusalém e de Morfia de Melitene, nasceram:

O matrimónio de Raimundo foi conflituoso. Tal como as suas irmãs, Hodierna era uma mulher independente, mas o conde de Trípoli reprovava este comportamento e mantinha-a em reclusão. Havia inclusivamente rumores de que a sua filha Melisende de Trípoli (baptizada com o prenome da rainha de Jerusalém) era filha de uma relação adúltera. Melisende de Jerusalém e o seu filho Balduíno III tiveram de intervir politicamente no condado em 1152.

Raimundo e Hodierna concordaram em reconciliar-se, mas foi decidido que a condessa deveria voltar a Jerusalém com a irmã por um curto período de tempo. O conde acompanhou-os a cavalo durante um curto percurso, e ao voltar a Trípoli foi morto pela Ordem dos Assassinos em frente aos portões da cidade, juntamente com dois dos seus cavaleiros. Foi assim o primeiro não-muçulmano a ser morto pelos Assassinos, provavelmente em retaliação ao estabelecimento da Ordem do Hospital no condado.

Hodierna voltou imediatamente aos seus domínios para assumir a regência do condado em nome do seu filho Raimundo III, ainda uma criança. Balduíno III garantiu o apoio dos nobres de Trípoli e Hodierna concordou em ceder o castelo de Tartous aos Cavaleiros Templários, para se defenderem dos ataques de Noradine, que invadira estas terras ao tomar conhecimento da morte de Raimundo II.

Melisende de Trípoli, a sua filha, foi posteriormente considerada para esposa do imperador bizantino Manuel I Comneno. O acordo matrimonial parecia confirmado e a jovem Melisende foi até referida como a futura imperatriz. No entanto, quando Manuel soube da sua suposta ilegitimidade, casou-se com Maria de Antioquia. Raimundo III assumiu isto como uma ofensa pessoal e em retaliação atacou Chipre, nessa época em mãos bizantinas.

BibliografiaEditar

  • A History of Deeds Done Beyond the Sea, Guilherme de Tiro, tradução para o inglês de E.A. Babcock e A.C. Krey, Columbia University Press, 1943
  • A History of the Crusades, Volume II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1952
  • Les comtes de Toulouse, Jean-Luc Dejean, 1979, 1988 (ISBN 2-213-02188-0)

Precedido por
Pôncio
 
Conde de Trípoli

1137 - 1152
Sucedido por
Raimundo III