Rua Direita (São Paulo)

Rua Direita é uma via importante localizada na região da , no centro da cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, Brasil. Tem início na Praça da Sé e término na Praça do Patriarca. Forma em conjunto com a rua Quinze de Novembro e a rua São Bento, o histórico triângulo do centro da cidade.[1] Faz esquina com a rua José Bonifácio, o Largo da Misericórdia e a rua Quintino Bocaiuva.

Rua Direita
Tipo estrada
Geografia
Coordenadas 23° 32' 54.438" S 46° 38' 14.482" O
Localização São Paulo
País Brasil

OrigemEditar

 
Rua Direita, por Guilherme Gaensly. IMS, São Paulo, 1900.

Foi aberta no final do século XVI para ligar o centro da cidade com a antiga estrada que levava à aldeia indígena de Pinheiros [2].

Delineou-se sem nenhum planejamento, por força da necessidade. Do Pátio do Colégio, berço de São Paulo, seguindo-se pela Igreja da Misericórdia, e após, a Igreja de Santo Antônio. Dali precipitava-se para o Vale do Anhangabaú, subia-se no que futuramente seria a Ladeira do Piques: rua Quirino de Andrade, e então o caminho de Pinheiros, atual Rua da Consolação (antiga Estrada de Sorocaba). Entrava-se no sertão.

Por estar no primeiro trecho no planalto, e não por ser absolutamente reto é que a rua ganhou o nome de 'Direita'. Inicialmente, "Direita de Santo Antonio". Também "Direita da Misericórdia", sendo os templos religiosos as referências.

Entre 1700 e início de 1800, a maioria das casas eram assobradadas, com o comércio no térreo e a residência no andar superior. Em 1828, a rua ganhou iluminação pública com lampiões funcionando à azeite ou óleo de peixe. Somente a partir de 1870, com os melhoramentos da cidade, passa a ter iluminação pública a gás, bondes tracionados por burros, água encanada e calçamento com paralelepípedos. A iluminação elétrica chega em 1890 [3].

Em conjunto com as Ruas São Bento e XV de Novembro, formou o célebre “Triângulo” paulistano, representando o centro da vida comercial, intelectual e elegante da cidade de São Paulo dos finais do século XIX e início do século XX [2].

Foram seus moradores ilustres, o Barão de Iguape (Antônio da Silva Prado), o Barão do Tietê (José Manoel da Silva), e ainda o senador Nicolau de Campos Vergueiro.

O Edifício Guinle, situado na rua, é considerado o 1º arranha-céu de São Paulo, com 7 andares, sendo o precursor da verticalização na cidade, construido entre os anos de 1913 a 1916, de autoria do arquiteto Hipólito Pujol Junior, com sua construção apenas aprovada pela Prefeitura após laudo oficial, pois o então prefeito Barão de Duprat duvidou que um edifício de tal porte tivesse estabilidade. Pediu um aval ao engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza, o diretor da Escola Politécnica. Possui figuras que lembram folhas e frutos de café, que remetem à riqueza do "ouro verde" que viabilizou a construção do prédio no início do século 20.

A partir de 1950, torna-se uma rua destinada ao uso estrito de pedestre[3] .

ComércioEditar

Desde os meados do século XIX, a série de lojas da rua Direita era iniciada pela Casa Lebre, funcionando em casarão de propriedade do Barão de Tietê, esquina com a rua XV de Novembro, loja que sobreviveu por décadas.

No início do século XX, começaram a aparecer lojas bem mais sofisticadas, quando foram adotadas vitrinas e atendimento mais elaborado. Assim surgiu a Casa Alemã (depois,Galeria Paulista de Modas), que construiu uma moderna sede na rua Direita e atravessou décadas. A Casa Au Bon Marché, quase na esquina da atual Praça do Patriarca e depois, quase em frente, instalou-se a Casa Bonilha. Também foi escolhida pela Casa Bevilaqua, uma das primeiras em instrumentos musicais do Brasil [4].

Consta no Farol Paulistano de 1828, a divulgação de cadeiras e canapés vindos da Inglaterra que poderiam ser encontrados à Rua Direita, 2 ou na casa do Sr. Joaquim Elias[5] .

O luxuoso Cine Alhambra foi construído em 1927 e pertencia aos senhores João Batista de Souza e Manuel Pereira Guimarãe. Foi inaugurado no ano de 1928, com a exibição do filme "A Carne e o Diabo" da MGM, cuja exibição foi considerada "imprópria para senhoritas" na época [6].

Ocupou o local onde ficava a loja Au Bon Diable.

E ainda se estabeleceram na rua Ao Preço Fixo, Sedanyl, Tecelagem Francesa, Casa Henrique, Casa Cosmos, Casa Sloper, Lojas Brasileiras, Lojas Americanas, Marcel Modas e outras tantas que mantiveram longamente a sua tradição comercial.

Referências

  1. «Rua Direita». SampaArt. Consultado em 1 de março de 2011 
  2. a b Alex, Felipe; Herculano, re (16 de maio de 2013). «Triângulo Histórico – Rua Direita». SAMPA HISTÓRICA. Consultado em 15 de junho de 2020 
  3. a b gibarios (20 de abril de 2015). «RUA DIREITA». São Paulo e Suas Ruas. Consultado em 15 de junho de 2020 
  4. «Rua Direita :: São Paulo - Minha Cidade». www.saopaulominhacidade.com.br. Consultado em 15 de junho de 2020 
  5. «História do Comércio do Centro de São Paulo: Estabelecimento da Rua Direita número 2 - 1828». www.moyarte.com.br. Consultado em 15 de junho de 2020 
  6. «Cine Alhambra». São Paulo Antiga. 26 de março de 2015. Consultado em 15 de junho de 2020 

BibliografiaEditar

  • AMERICANO, Jorge: São Paulo Naquele Tempo (1895 - 1915). Carrenho Editorial/Narrativa Um/Carbono 14, 2004.
  • PIRES,Mario Jorge: Sobrados e Barões da Velha São Paulo. Editora Manole Ltda., 2006.

Ligações externasEditar