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Rufo Herrera (Córdoba, 1933) é um compositor, bandoneonista e educador musical argentino radicado no Brasil desde 1963.

É autor de mais de 200 obras[1], dentre elas quatro cantatas, cinco óperas e três bailados[2], além de obras sinfônicas e diversas peças de câmara, no âmbito da música erudita contemporânea, além de composições de caráter popular.

BiografiaEditar

Iniciou-se no bandoneón aos dez anos de idade de maneira autodidata, recebendo posteriormente orientação do bandoneonista Pedro Garbero. Em 1957, foi para Buenos Aires, onde realizou estudos de aperfeiçoamento em bandoneón com Marcos Madrigal e ingressou no Conservatório Nacional, onde estudou violoncelo com o professor Roberto Libón.

Iniciou, em 1961, uma viagem por vários países da América Latina para realizar pesquisa sobre aspectos estruturais, timbrísticos e estéticos da música dos povos remanescentes das civilizações originais dos subcontinentes Centro e Sulamericano.

Em 1963, estabeleceu-se em São Paulo e desenvolveu seus estudos de composição sob a orientação do maestro e Compositor brasileiro Olivier Toni - e piano complementar - com Marta Cerri.

Em 1966, convidado pelo sello Farrouphilha, gravou o disco "Tangos de Vanguarda", no qual registrou a sua própria versão de seis temas de Astor Piazzola.

Estréia como compositor em 1968, no Festival de Música Contemporânea brasileira de São Caetano do Sul (SP),0 com a obra "Oito Variações para Orquestra de Cordas Sobre um Tema Pentatónico", interpretado pela Orquestra Musicâmera de São Paulo regida pelo Maestro Thomas Di Jaime.

Em 1969, convidado pelo grupo de compositores da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, transfere-se para Salvador, integrando o movimento emergente da música contemporânea brasileira. Ali desenvolve, sob orientação do compositor suíço-brasileiro Ernst Widmer, ampla pesquisa e aperfeiçoamento na linguagem musical contemporânea e suas novas técnicas de estruturação incluindo as multimídias. Estreou mais de 50 trabalhos considerados dentro da expressão de vanguarda no período de 1969 a 1976. Na UFBA atuou com nomes como Lindembergue Cardoso, Milton Gomes e Walter Smetak, entre outros.

A convite do Instituto Nacional da Cultura do Panamá, em 1976, criou e implementou nesse país oficinas de criação e repertório como nova proposta para a formação de compositores em centros onde não existam escolas superiores de música. Esse trabalho teve continuidade sob a orientação do compositor Raul Sarmiento (Guatemala) e, posteriormente, Reque Cordeiro, panamenho radicado nos Estados Unidos.

Em julho de 1976, convidado pelo Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais realiza em Ouro Preto oficina de arte integrada desenvolvendo um trabalho processual com as diversas áreas da criação artística. Esse trabalho teve continuidade nos festivais subsequentes (realizados anualmente) até 1988, resultando na criação e posterior profissionalização do Grupo Oficcina Multimédia, hoje participante de vários eventos internacionais. A proposta do grupo foi acolhida pela Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte (F.E.A.), entidade à qual o compositor permanece ligado desde 1977 até os dias atuais e onde preside o Centro Latino Americano de Criação e Difusão Musical, criado em 1986 pelo 1º Encontro de Compositores Latino Americanos, sob os auspícios da F.E.A., da Funarte e do Ministério da Cultura.

De 1982 a 1985, realizou cursos e organizou grupos de música e teatro pelo interior de Minas Gerais, principalmente na região do Vale do Jequitinhonha, participando também dos "Festivais da Cultura Popular".

Por muito tempo o compositor esteve afastado do bandoneon, dedicando-se à composição, à educação e à música de vanguarda. Voltando a assumi-lo como instrumento principal em 1986, após uma apresentação de Piazzola em Belo Horizonte.

Em 1991, com a proposta de alargar o espaço da música contemporânea, criou o Quinteto Tempos, ao lado do qual vem atuando em diversas ocasiões, desde a Bienal de Música Contemporânea Brasileira - na sala nobre da Escola Nacional de Música da URFJ - e a sala Villa-Lobos do Centro de Estudios Paraguayos-Brasileiros, em Asunción, até no encerramento da Nona Semana da Cultura de Capelinha, no Vale de Jequitinhonha, em praça pública, ou nos encontros de compositores latino-americanos realizados em Belo Horizonte, nos quais o público é formado em parte por compositores, intérpretes, didatas e estudantes de música.

Desde 1994 é professor na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), onde fundou a Orquestra Experimental da UFOP, atual Orquestra Ouro Preto. Realiza atividades culturais na cidade de Ouro Preto, tendo sido agraciado com os títulos de Doutor Honoris Causa pela UFOP (2005) e de Cidadão Honorário, concedido em Novembro de 2005 pela Câmara Municipal de Ouro Preto [2].

Foi premiado no Festival de Cinema de Brasília de 1995 pela melhor trilha sonora original do curta Negócio da China.

Em 2001, estreou a cantata cênica "Sertão Sertões", sobre texto extraído de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

DiscografiaEditar

  • Tangos de Vanguarda — 1966
  • Tocata Dell Alba (Com Quinteto Tempos) — 1995
  • Toda Música (Com Quinteto Tempos) — 1999
  • Bandoneon (Acompanhado pela Orquestra Experimental da UFOP) — 2003

Referências

Ligações ExternasEditar

Site oficial: www.rufoherrera.com