Série 9100 da CP

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a antiga série de automotoras a gasóleo de via estreita. Se procura a antiga série de automotoras compridas a gasóleo de via larga, também conhecidas como Nohabs, veja Série 0100 da CP. Se procura a antiga série de automotoras curtas a gasóleo de via larga, igualmente conhecidas como Nohabs, veja Série 0050.

A Série 9100 corresponde a um tipo de automotora, que foi utilizada pela operadora Caminhos de Ferro Portugueses na Linha do Tâmega, em Portugal.

Série 9100
BSicon exTRAIN3.svg
Uma automotora da Série 9100, na Estação de Amarante.
Descrição
Propulsão Diesel-eléctrica
Fabricante Nydqvist & Holm AB
Características
Operação
Local de operação Portugal Portugal
Ano da entrada em serviço 1948
Ano da saída do serviço 2002

HistóriaEditar

Antecedentes e encomendaEditar

Após a Segunda Guerra Mundial, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses encontrava-se com dificuldades para assegurar os serviços de passageiros, devido à quantidade e ao estado do parque de material circulante; com efeito, embora ainda existisse um número suficiente de locomotivas a vapor para as necessidades de tráfego, a maior parte das máquinas não conseguiam atingir níveis de velocidade, conforto e consumo considerados aceitáveis para os padrões da época.[1] Por outro lado, a tracção a vapor também apresentava custos de combustível consideravelmente superiores aos combustíveis alternativos, especialmente o gasóleo e a electricidade, e produzia um elevado grau de poluição, com efeitos nefastos para os passageiros e populações, especialmente nas áreas urbanas e nos túneis.[1]

Esta forma, a Companhia iniciou um plano de apetrechamento, com o objectivo de renovar o parque de material circulante, através da aquisição de material circulante; a nível inicial, priorizou-se a tracção a gasóleo, devido aos elevados custos de instalação das infra-estruturas indispensáveis à tracção eléctrica.[1]

A tracção eléctrica, já experimentada com sucesso na Linha de Cascais, era menos dispendiosa do que o gasóleo, e a energia podia ser gerada em Portugal, mas acarretava pesados custos na instalação das infra-estruturas necessárias[1]; d No âmbito deste plano, encomendou, em 1946, por conta própria, 6 automotoras e 6 reboques de origem sueca, 12 automotoras nacionais e 60 carruagens, e, por conta do governo, mais 18 automotoras suecas, das quais 3 eram de via estreita, e 6 reboques; previa-se, em Março de 1948, que todo o material iria entrar ao serviço ainda durante esse ano.[1] O custo total da aquisição das carruagens e das automotoras atingiu um valor aproximado de 400 milhões de escudos.[1] As automotoras e os reboques de origem sueca foram fabricadas pela construtora Nydqvist & Holm AB, mais conhecida pela sigla NOHAB.[2]

Introdução ao serviçoEditar

As 3 unidades encomendadas entraram ao serviço em 19 de Maio de 1948, na Linha do Tâmega.[3] A primeira viagem foi acompanhada por vários engenheiros e funcionários superiores da Companhia, tendo sido realizada uma cerimónia na Estação de Amarante, com discursos do presidente e dos vereadores da Câmara Municipal, e animação musical pela banda dos Bombeiros Voluntários.[4]

Devido ao facto de terem sido entregues com apenas dois eixos, as automotoras revelaram vários problemas de estabilidade, que foi resolvido devido à introdução de 2 bogies de dois eixos, em esquema Bo-Bo, um em cada extremidade.[2]

Em 7 de Junho de 1998, as automotoras 9101 e 9102 colidiram junto a Fregim.[5] A 9101 foi abatida ao serviço, sendo utilizada para fornecer peças às outras duas unidades, que continuaram a circular; uma das cabines foi preservada, tendo sido colocada no Museu Nacional Ferroviário.[2]

Fim dos serviçosEditar

Foram retiradas ao serviço em 2002, sendo substituídas pelas automotoras da Série 9500.[5]

Ficha técnicaEditar

  • Características de exploração
    • Ano de entrada ao serviço: 1949[2]
    • Ano de saída ao serviço: 2002[2]
    • Número de automotoras: 3[6]
  • Dados gerais
    • Bitola de Via: 1000 mm[6]
    • Tipo de composição: Unidade Simples a Diesel (motora)[6]
    • Comando em unidades múltiplas: Não tem[2]
    • Comprimento total: 15,59 metros[2]
    • Tipo de tracção: Gasóleo (diesel)[6]
  • Transmissão
    • Tipo: Hidráulica[2]
  • Motores de tracção
  • Características de funcionamento
    • Velocidade máxima: 70 km/h[2]
  • Lotação
    • Primeira classe: 8[6]
    • Segunda classe: 28[6]

Lista de materialEditar

legenda; contagem
: qt. estado
810☑︎
2musealizadas, funcionais
880✖︎
1demolidas
3(total)
: a observações
9101
880✖︎
1998 Abatida, após colisão com a 9102, em 7 de Junho de 1998[2]
9102
810☑︎
2002 Parqueada na Estação Ferroviária de Livração[2]
9103
810☑︎
2002 Parqueada na Estação Ferroviária de Livração[2]

Referências

  1. a b c d e f «Os Caminhos de Ferro Portugueses e a sua modernização» (PDF). Lisboa. Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1447): 257, 259. 1 de Abril de 1948. Consultado em 28 de Fevereiro de 2013 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q NUNES, Rui (23 de Outubro de 2008). «Automotoras». Transportes XXI. Consultado em 22 de Outubro de 2010 
  3. AMARO, Jaime (2005). «Automotoras Allan de Via Estreita - Meio Século de Existência». Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. O Foguete. 4 (13): 8, 10. ISSN 124550 Verifique |issn= (ajuda) 
  4. «Linhas Portuguesas» (PDF). Lisboa. Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1451). 234 páginas. 1 de Junho de 1948. Consultado em 28 de Fevereiro de 2013 
  5. a b COSTA, Sérgio (Julho de 2002). «Nohab Série 9100: O Fim da Linha» (PDF). De Comboio. 1 páginas. Consultado em 22 de Outubro de 2010. Arquivado do original (PDF) em 13 de junho de 2010 
  6. a b c d e f «CP withdrawn locomotives» (em inglês). Railfaneurope. 16 de Julho de 2010. Consultado em 22 de Outubro de 2010 
 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Série 9100 da CP

Ligações externasEditar


  Este artigo sobre transporte ferroviário é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.