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Comboios de Portugal

(Redirecionado de Caminhos de Ferro Portugueses)


A empresa Comboios de Portugal é uma empresa portuguesa de transporte ferroviário. Foi criada em 11 de maio de 1860 pelo empresário espanhol José de Salamanca y Mayol com o nome de Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses para construir as linhas ferroviárias que ligassem a cidade de Lisboa ao Porto e à fronteira com Espanha em Badajoz.[1] Mudou a sua designação após a Implantação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910, para Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[2] Na primeira metade do Século XX, passou por um processo de expansão, tendo assimilado várias empresas ferroviárias privadas, e os caminhos que ferro que tinham estado sob a gestão do Governo Português.[3] No entanto, os efeitos da Segunda Guerra Mundial, e o avanço dos transportes rodoviário[4] e aéreo[5] deterioraram de tal forma a sua situação económica que, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi necessário nacionalizar a Companhia, mudando novamente de nome, para Caminhos de Ferro Portugueses.[6] Esta empresa foi profundamente modificada pelo Decreto-Lei n.º 137-A/2009, retirando-lhe a gestão das infra-estruturas, que foi entregue a uma nova entidade, a Rede Ferroviária Nacional, ficando somente com a exploração dos serviços ferroviários; em sequência desta alteração, foi modificada a denominação social, que passou a ser Comboios de Portugal, E. P. E.[7]

CP - Comboios de Portugal, E.P.E.
Logótipo da Comboios de Portugal
Tipo Entidade Pública Empresarial
Slogan 'Sempre em movimento'
Fundação 11 de maio de 1860
Fundador(es) José de Salamanca y Mayol
Sede Calçada do Duque, 20
Encarnação, Lisboa
Área(s) servida(s) Portugal (Rede Ferroviária Portuguesa)
Proprietário(s) Estado Português
Presidente Carlos Nogueira (desde 2017)
Empregados 2684 (2015)
Clientes Aumento 115 milhões de passageiros (2016)
Serviços Transporte ferroviário
Divisões CP Lisboa, CP Porto, CP Longo Curso, CP Regional, CP Frota
Subsidiárias EMEF, FERNAVE, SAROS, ECOSAUDE
Receita Aumento EUR 220 milhões (2015)
Lucro Baixa EUR -278.426 milhões (2015)
LAJIR Baixa EUR 3.783 milhões (2015)
Antecessora(s) Caminhos de Ferro Portugueses, E.P.
Website oficial www.cp.pt
Comboios urbanos da CP na Estação de São Bento no Porto.
Comboio Alfa Pendular da CP na Gare do Oriente em Lisboa.

Índice

HistóriaEditar

 
Capa dos primeiros Estatutos da Companhia Real, em 1860.

AntecedentesEditar

A primeira empresa nacional para a construção de caminhos de ferro foi a Companhia das Obras Públicas de Portugal, criada em 1844 pelo governo de Costa Cabral para promover o desenvolvimento dos transportes em Portugal; no entanto, esta tentativa falhou devido à instabilidade política.[1] Após o regresso a um ambiente mais estável, renovou-se o interesse pelo caminho de ferro, pelo que em 1851 o empresário inglês Hardy Hislop apresentou uma proposta para uma linha de Lisboa a Badajoz, que foi entregue no ano seguinte à Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, formada por Hislop para esse fim.[1] No entanto, em 1855 as obras foram paralisadas devido a conflitos entre a empresa e os empreiteiros, tendo a gestão das obras passado para o estado português.[1] Em 28 de Outubro de 1856, foi inaugurado o primeiro troço, até ao Carregado, mas a companhia continuou a sofrer de graves problemas financeiros e de gestão.[1] O empresário inglês Samuel Morton Peto, que se encontrava a dirigir as obras, foi encarregado de formar uma nova empresa, que substituísse a Companhia Peninsular, mas sem sucesso, tendo o seu contrato sido terminado em 6 de Junho de 1859.[1]

FundaçãoEditar

Assim, o governo elaborou um novo contrato, em 30 de Julho, com o empresário espanhol José de Salamanca y Mayol, que formou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, para construir a ligação ferroviária das Linhas do Norte e Leste; os estatutos desta empresa foram elaborados em 12 de Dezembro, e aprovados no dia 22 do mesmo mês, tendo a empresa sido formalmente constituída em 11 de Maio de 1860[1], embora o decreto que oficializou este acto só foi publicado em 20 de Junho.[8]

Em 25 de Junho de 1865, a Companhia Real adquiriu os direitos de exploração da Linha do Norte a José de Salamanca;[1] no dia 10 de Novembro, a escritura pública foi aprovada, e o troço já construído, entre Lisboa e Ponte da Asseca, passou para a Companhia.[9]

Em Janeiro de 1902, já tinha chegado uma das locomotivas encomendadas pela Companhia à casa Fives-Lille para assegurar os serviços rápidos, encontrando-se, nesse mês, a ser montada nas oficinas de Lisboa.[10] O relatório de 1901, apresentado nesse mês, reportava que a situação financeira da Companhia era bastante favorável, devido, principalmente, à queda dos preços do carvão.[11]

Implantação da RepúblicaEditar

Após a Implantação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, a Companhia Real vê o seu nome modificado, ainda nesse ano, para Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[2]

 
Aviso de 1915 da CP, informando o público acerca das sobretaxas.

Primeira Guerra MundialEditar

Após o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, verificou-se um forte aumento nos preços do carvão, o que levou a Companhia a reduzir os serviços, e utilizar lenhas para alimentar as suas locomotivas, o que gerava vários problemas de manutenção do material circulante; esse ano ficou, igualmente, marcado por várias greves gerais dos ferroviários, tendo sido praticados graves actos de sabotagem[12] que conduziram à necessidade de ser ordenada uma intervenção do Exército.[13]

Período entre as duas Guerras MundiaisEditar

Após o final da Primeira Grande Guerra, permaneceram os problemas de exploração, devido ao aumento dos preços, aos quais as operadoras respondiam com a emissão de sobretaxas.[14] O carvão, em especial, continuava escasso e a preços excessivos, pelo que continuou a utilização de lenhas nas locomotivas.[14] Por outro lado, também continuaram os problemas sociais, agravados por novas medidas, com a introdução das 8 horas de trabalho diárias, que geraram vários conflitos e greves, como o encerramento das oficinas do Entroncamento em 1922, que tiveram efeitos nefastos no material motor.[14]

Em 11 de Maio de 1927, ganhou o concurso de arrendamento da exploração das ligações ferroviárias do Governo Português, até então geridas pela operadora Caminhos de Ferro do Estado; devido à falta de experiência na gestão de linhas de bitola reduzida, subarrendou a Linha do Tâmega à Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, e as Linhas do Corgo e Sabor à Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.[15] Em 1929, a tendência de crescimento da Companhia inverteu-se, devido à concorrência do transporte rodoviário; na Década de 1930, verificou-se uma regressão no transporte, inicialmente apenas para passageiros, e depois para mercadorias, o que forçou a uma redução nas despesas, como na manutenção de via e na mão-de-obra.[14] Por outro lado, também se começaram a estudar novas técnicas e novos meios de tracção, como locomotivas e automotoras a gasóleo.[14]

Em 1932, verificou-se uma alteração nos estatutos, tendo a Companhia passado a ser uma Sociedade anónima de responsabilidade limitada.[3]

 
Exposição das novas carruagens da CP na Estação do Rossio, em Julho de 1940

Segunda Guerra MundialEditar

Durante a Segunda Guerra Mundial, verificou-se uma escassez de carvão, o que levou, novamente, à redução dos serviços.[3] Mesmo assim, em 1940, a Companhia iniciou o serviço rápido Flecha de Prata, entre Lisboa e o Porto.[16]

Do final da Segunda Guerra Mundial à Revolução dos CravosEditar

Em 1945, é publicada a Lei n.º 2008, sobre a coordenação de transportes terrestres, que determinou a concentração de todas as concessões de exploração ferroviária numa só empresa; no ano seguinte, foi realizada a escritura de transição das Companhias dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, Nacional de Caminhos de Ferro e Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro para a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[3] Esta empresa começou, assim, em 1947, a explorar todas as linhas em Portugal, de bitola larga e estreita, excepto a Linha de Cascais, que tinha sido arrendada à Sociedade Estoril até 1976.[3]

Verificou-se, no entanto, uma acentuada quebra nas receitas, tendo a Companhia sido forçada, em 1950, a pedir um empréstimo de 50 milhões de escudos.[17] No ano seguinte, entrou em vigor o contrato único, que reorganizou a gestão do transporte ferroviário, e alterou os estatutos da Companhia.[17]

Ainda assim, a Companhia conseguiu realizar vários investimentos, apoiados pelo I Plano de Fomento (1953-1958), no sentido de modernizar os seus serviços; destaca-se, principalmente, a viagem inaugural do serviço rápido Foguete, em 1953, e os projectos de electrificação da Linha de Sintra e do troço entre Lisboa e Carregado da Linha do Norte, concluídos em 1956.[17] Em 1958, foi introduzido, para o pessoal das oficinas, o regime de semana inglesa, e, em 1959, a empresa contratou com a Ericsson para a instalação de sinalização e comando centralizado na Linha de Vendas Novas.[17] Em 1966, são publicados novos estatutos para a Companhia, e é completada a electrificação entre Lisboa e o Porto; em 1968, é assinado um contrato com um consórcio da SOMAFEL e Somapre, para a renovação total da via.[17]

Em 1973, é publicado o Decreto-lei n.º 104/73, que autorizou o Ministro das Comunicações a estabelecer um novo contrato de concessão com a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[17]

Revolução dos Cravos e nacionalizaçãoEditar

A situação da Companhia alterou-se profundamente após a Revolução de 25 de Abril de 1974; com efeito, várias inspecções levadas a cabo revelaram os graves problemas laborais, ocultados pela organização, e que tiveram de ser resolvidos, com efeitos nefastos sobre a já instável capacidade financeira da Companhia.[18] Esta situação foi piorada pelas Crises do petróleo de 1973 e 1978, e pelas novas prioridades do regime democrático, que reduziu substancialmente os apoios à Companhia, com os quais apenas se puderam fazer algumas obras de construção e manutenção de via, como a instalação dos acessos ferroviários ao Complexo Industrial de Sines, e prosseguir com o programa de substituição do material motor a vapor, que se tinha iniciado há cerca de 30 anos.[19] Em 1975, deu-se a nacionalização da Companhia, embora, na prática, este processo não tenha tido grandes efeitos, uma vez que a empresa já se encontrava quase totalmente subordinada ao Estado.[6]

Finais do século XXEditar

Com a entrada de Portugal na CEE em 1986, a CP usufrui de fundos cada vez maiores para modernizar a empresa e o Caminho de Ferro.

Em 1987, é lançado o serviço Alfa com recurso a carruagens Corail. Um ano depois, em 1988, é lançado o serviço Intercidades também assegurado com carruagens Corail e alguns anos depois com carruagens Sorefame modernizadas.[20]

No ano de 1988 são suprimidos os serviços de passageiros na Linha do Sabor, parte da Linha do Vouga e da Linha do Douro. No ano seguinte, são encerradas a Linha do Sabor, Linha do Dão, Linha de Guimarães entre Guimarães e Fafe e a Linha do Douro entre Pocinho e Barca d'Alva.[20]

Em 1990 é assinado o contrato de aquisição de 42 UQE para o serviço suburbano da Linha de Sintra, este investimento marca o ínicio da modernização do Caminho de Ferro em Portugal.[20]

A CP bate o recorde de velocidade ferroviária em Portugal em 1993 com uma locomotiva série 5600 e 3 carruagens Corail atingindo 220 km/h entre Espinho e Avanca na Linha do Norte.[21] Velocidade que seria atingida em serviço comercial apenas alguns anos depois pelos comboios Alfa Pendular.

Em 1993, a EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário é criada resultando da autonomização da área industrial da CP destinada à Reparação e Reabilitação do Material Circulante.[22]

Em 1997, é lançado o site da CP na Internet (www.cp.pt). O site permite a consulta dos horários por linha, dos serviços e da informação institucional sobre a empresa. Foi posteriormente adicionada uma procura de horários mais inteligente, que combina automaticamente várias linhas e vários serviços.[23]

A empresa é profundamente modificada pelo Decreto-Lei n° 104/97 que lhe retira a responsabilidade das infraestruturas. Competência transferida para uma nova empresa pública, a REFER. Nesse mesmo ano a administração da CP implementa uma organização mais flexível baseada em Unidades de Negócio [24] Depois desta reorganização do setor a CP concentra-se na modernização da sua frota de material circulante com a compra de novos comboios e a reabilitação de outros. Foi renovado o material circulante dos comboios suburbanos de Lisboa, nomeadamente com novos comboios de dois pisos,[25][26][27] e do Porto[28]. No serviço regional esta modernização foi materializada com a reabilitação de várias séries de material circulante. [29][30][31]

Entre 1997 e 1999 foram inauguradas várias obras que introduziram profundas alterações tecnológicas que por sua vez originaram melhorias como o aumento da segurança, do conforto e a diminuição dos tempos de percurso. A eletrificação e modernização da Linha da Beira Alta é concluída. Os CCC (Postos de Comando Centralizado) de Campolide e da Pampilhosa são inaugurados. Em 1998 é a vez da GIL - Gare Intermodal de Lisboa (Gare do Oriente) ser inaugurada. Foi eletrificado o Ramal de Leixões que contribuiu para a melhoria da eficiência do transporte ferroviário de mercadorias. Por fim são concluídas várias quadruplicações na Linha de Sintra, de Cintura e do Norte que resolveram graves estrangulamentos à exploração ferroviária.

Em 1999 é inaugurado o serviço Alfa Pendular assegurado com recurso as novas automotoras CPA 4000 que podem atingir os 220 km/h em serviço comercial.[32] Velocidades que não poderam ser praticadas nos primeiros anos devido ao atraso na modernização da Linha do Norte. Este novo serviço substitui o antigo "ALFA" assegurado por carruagens Corail.

Década de 2000Editar

Com a entrada no novo milénio a CP continua a renovar, modernizar e melhorar os seus serviços. São iniciadas as ligações Cacém/Alverca e Vila Franca de Xira/Alcântara Terra com recurso às novas automotoras de dois pisos UQE 3500. A partir de 2002, a classe única é generalizada no serviço Regional e InterRegional.[33]

A 5 de Junho de 2004 é inaugurado o "Eixo Atlântico" ou seja a ligação direta em Alfa Pendular entre Braga e Faro efetuada em cerca de 6 horas. O transbordo fluvial entre Santa Apolónia e o Barreiro, grave problema que vigorou durante mais de 100 anos, é definitivamente suprimido. Esta nova ligação foi possível graças à conclusão do Eixo Norte/Sul que implica a travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril e à modernização e eletrificação da Linha do Sul até Faro. O Eixo Atlântico foi inaugurado pelo Primeiro Ministro Durão Barroso.[34]

Em 2004, é progressivamente criada a nova rede de Urbanos do Porto com a inauguração da modernização da Linha do Minho, de Guimarães e do Douro. Toda a rede de urbanos do Porto é explorada com as novas automotoras UME 3400. Estas automotoras foram construidas na fábrica da Bombardier na Amadora (ex-Sorefame) e integram as tecnologias mais modernas existentes na altura.[35]

Em 2007 é suprimido o "Comboio Azul" que é substituído pela ligação em Alfa Pendular Braga/Faro inaugurada em 2004.

Nesse mesmo ano entram ao serviço as primeiras automotoras UQE 2300 renovadas. Estas automotoras fazem serviço na Linha de Sintra e de Azambuja. Os interiores são totalmente renovados com novas cores e estofos. Também é instalado o sistema visual e sonoro de informação ao público.

Nos anos de 2008, 2009 e 2010 é implementado o sistema de bilhética eletrónica nos comboios urbanos de Lisboa. Várias estações das Linhas de Sintra, Cascais e Azambuja são equipadas com cancelas automáticas com o objetivo de reduzir a fraude.[36]

CaracterizaçãoEditar

Actualmente, a CP transporta cerca de 115 milhões de passageiros[37] (112 milhões em 2015[38] e 109 milhões em 2014[39]). Encontra-se dividida em diferentes sub-empresas que representam unidades de negócio diferentes, cada uma com uma parte específica dos serviços prestados pela empresa:

A CP detém ainda a gestão destas empresas:

  • EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, S.A.
  • FERNAVE - Formação Técnica, Psicologia Aplicada e Consultoria em Transportes e Portos, S.A.
  • ECOSAÚDE - Educação, Investigação e Consultoria em Trabalho, Saúde e Ambiente, S.A.
  • SAROS - Sociedade de Mediação de Seguros, Lda.
Logótipos da CP, antes e depois de 1981.

A CP actualmente dedica-se apenas ao transporte e actividades conexas. A gestão da rede ferroviária nacional, que lhe pertenceu até 1997, está hoje entregue a uma outra empresa pública, a Infraestruturas de Portugal.
É liderada por Carlos Nogueira, presidente do Conselho de Administração da CP desde Julho de 2017..

Em Dezembro de 2015 a empresa apresentava um prejuízo de 278 milhões de euros e uma dívida de 3.742 milhões de euros[40].


Linhas em que presta ou prestou serviços de transporteEditar

Serviços ferroviáriosEditar

 
Alfa Pendular na estação da Pampilhosa

Tradicionalmente desde a sua fundação a CP - Comboios de Portugal separou completamente os seus serviços de Média Distância dos de Longa Distância. Na atualidade a divisão é mais flexível, existem serviços com ligação entre comboios de Média Distância e Longa Distância, e também comboios de Longa Distancia que admitem passageiros de Média Distância em certos trajetos entre cidades próximas.

Longa DistânciaEditar

Os serviços de Longa Distância são serviços não subvencionados, que geralmente incluem grandes prestações a bordo como cafetaria, classe preferente, restauração em assento ou a emissão de filmes. O nome de cada um dos serviços indica normalmente as prestações e o tipo de comboio, embora às vezes existam diferenças dentro de serviços com o mesmo nome. Estes serviços são prestados pela CP Longo Curso. Entre os serviços de Longa Distância incluem-se:

Este serviço dispõe de duas classes: Classe Turística (equivalente à Segunda Classe dos serviços Intercidades) - Carruagens 6 a 3 - e Classe Conforto (equivalente à Primeira Classe dos serviços Intercidades) - Carruagens 1 e 2. O Bar está localizado na carruagem 3. De salientar que as carruagens se encontram ordenadas de sul para norte (1 -> 6).

 
Comboio Intercidades à partida da estação de Porto-Campanhã

A numeração das carruagens neste serviço é pouco intuitiva e especialmente confusa para os novos utilizadores. As carruagens são numeradas como se segue (excepto os serviços Beira Baixa e Casa Branca - Beja, que são efectuados com automotoras CP 2240 e CP 0450, respectivamente), em circunstâncias ditas normais:

  • Números 21 a 29: Carruagens de Segunda Classe. As carruagens estão ordenadas (21 -> 29) no sentido sul -> norte e circulam na ponta norte do comboio.
  • Números 41 a 49: Carruagens de Segunda Classe. Esta númeração é apenas utilizada em dias de excepcional afluência (sextas, véspras de fim de semana prolongado ou feriados). Um exemplo da sua utilização é no Intercidades 723 (Lisboa - Braga) onde estão colocadas na cauda do comboio, seguem na retaguarda das carruagens de primeira classe, ordenadas 41 -> 49, no sentido sul -> norte. De notar que estas carruagens apenas circulam entre Lisboa e o Porto e são normalmente 4 (nº 41 a 44).
  • Números 81 a 89: Carruagem de Primeira Classe com Bar. Normalmente, cada comboio apenas circula com uma carruagem Bar (a número 81), mas em caso excepcionais, caso circule com mais, as carruagens estão ordenadas (81 -> 89) no sentido norte -> sul e circulam no "meio" do comboio, entre as carruagens de Segunda e Primeira Classe. De notar que a parte do Bar se encontra sempre do lado da carruagem 21 (lado norte).
  • Números 11 a 19: Carruagem de Primeira Classe. As carruagens estão ordenadas (11 -> 19) no sentido norte -> sul e circulam na ponta sul do comboio.

Média DistânciaEditar

InterRegionalEditar

 
Comboio regional na zona de Alcaria, na Linha da Beira Baixa

É o serviço mais rápido de entre os regionais, efectuando paragens apenas nas estações das cidades e vilas de maior importância. Estes serviços efectuam-se nas linhas do Norte, Minho, Douro, Oeste e no Ramal de Tomar. São operados pela CP Regional.

RegionalEditar

Os serviços locais da CP efectuam paragem em todas ou quase todas as estações e apeadeiros. São os únicos serviços de passageiros prestados na Linha do Vouga e na Linha do Leste, e nos troços Guarda-Vilar Formoso da Linha da Beira Alta, Lagos-Tunes e Faro-Vila Real de Santo António da Linha do Algarve. Também são prestados nas linhas do Norte, Minho, Douro, Beira Alta, Beira Baixa, Oeste, Alentejo e Ramal de Tomar. São operados pela CP Regional.

ProximidadesEditar

UrbanoEditar

 
Comboios suburbanos de Lisboa

Serviços prestados nas três maiores aglomerações urbanas portuguesas. Estão divididos em três unidades:

InternacionalEditar

 
Sud-Lusitânia parado na estação de Lisboa-Santa Apolónia

Existem três serviços da CP que cruzam as fronteiras nacionais:

Conselho de AdministraçãoEditar

 
Bilhete da CP

O Presidente do Conselho de Administração é o responsável máximo da empresa, liderando uma equipa geralmente constituída por cinco membros, contando com o próprio Presidente. Os membros do conselho de administração são nomeados diretamente pelo ministro da tutela e exercem geralmente um mandato trianual.

Sendo um cargo de confiança política, os nomeados são geralmente membros ou independentes próximos dos dois partidos que se alternam na chefia do Governo de Portugal, o PS e o PSD.

O atual Presidente do Conselho de Administração é Carlos Nogueira, que sucedeu a Manuel Queiró em Julho de 2017.

Acompanham-no os vogais Sérgio Abrantes Machado e Ana Maria dos Santos Malhó.

Esta administração tem como missão "o desenvolvimento de uma política que contribua para a coesão territorial do país, a renovação estratégica do material circulante e a reestruturação orgânica da empresa", segundo um comunicado do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.[41]

Titular Partido Político Mandato
Francisco Neto de Carvalho Ind. 1969—1974
Walter Rosa PS 1974—1975
José Augusto Fernandes Ind. 1975—1976
Amílcar Marques Ind. 1976—1980
José Ricardo Marques da Costa Ind. 1980—1982
António Queirós Martins PSD 1982—1986
Carvalho Carreira PSD 1986—1993
Pedro Alves PSD 1993—1994
António Brito da Silva PSD 1994—1996
Manuel Frasquilho Ind. 1996—1997
Crisóstomo Teixeira PS 1997—2003
Ernesto Martins de Brito PSD 2003—2004
António Ramalho PSD 2004—2006
Francisco Cardoso dos Reis PS 2006—2010
José Benoliel Ind. 2010—2013
Manuel Queiró CDS-PP 2013—2017
Carlos Nogueira Ind. 2017—presente

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681): 9-12. Consultado em 6 de Fevereiro de 2016 
  2. a b OJANGUREN, Arturo E. Sanchez (Dezembro de 1979). «Portugal se Esfuerza en la Modernizacion de sus Ferrocarriles». Madrid: Gabinete de Información y Relaciones Externas de RENFE. Via Libre (em espanhol). 16 (191). 16 páginas 
  3. a b c d e REIS et al, p. 62
  4. Martins et al, 1996:63, 64
  5. TAVARES, p. 107
  6. a b MARTINS et al, 1996:70
  7. PORTUGAL. Decreto-Lei n.º 137-A, de 5 de Junho de 2009. Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Publicado no Diário da República n.º 112, Série I, de 12 de Junho de 2009
  8. MARTINS et al, p. 16
  9. MARTINS et al, p. 18
  10. «Linhas portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (337). 1 de Janeiro de 1902. 11 páginas. Consultado em 6 de Fevereiro de 2016 
  11. «Orçamento da Companhia Real» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (340). 51 páginas. 16 de Fevereiro de 1902. Consultado em 6 de Fevereiro de 2016 
  12. REIS et al, p. 13
  13. REIS et al, p. 66
  14. a b c d e REIS et al, p. 63
  15. REIS et al, p. 62, 63
  16. REIS et al, p. 100
  17. a b c d e f REIS et al, p. 102
  18. MARTINS et al, 1996:68
  19. MARTINS et al, 1996:69
  20. a b c «A modernização e reconversão da CP». Comboios de Portugal. Consultado em 14 de junho de 2017 
  21. ««252 y 5600: Automotoras de Alta Velocidad»». Maquetren. 1993 
  22. «A Empresa – EMEF – Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário S.A.». www.emef.pt. Consultado em 28 de julho de 2017 
  23. «CP - Caminhos de Ferro Portugueses (Portuguese Railways)». 29 de janeiro de 1997. Consultado em 24 de junho de 2017 
  24. Território, Ministério Do Equipamento, Do Planeamento E Da Administração Do. «Decreto-lei 104/97, de 29 de Abril». Diários da República 
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  28. Portugal, Comboios de. «CP.PT | Comboios de Portugal». CP.PT | Comboios de Portugal (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2017 
  29. Portugal, Comboios de. «CP.PT | Comboios de Portugal». CP.PT | Comboios de Portugal (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2017 
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  31. Portugal, Comboios de. «CP.PT | Comboios de Portugal». CP.PT | Comboios de Portugal (em inglês). Consultado em 14 de junho de 2017 
  32. «Porto-Lisboa em duas horas e meia... mas só para VIP». PÚBLICO 
  33. Portugal, Comboios de. «CP.PT | Comboios de Portugal». CP.PT | Comboios de Portugal (em inglês). Consultado em 27 de julho de 2017 
  34. «Alfa Pendular inicia ligações Braga-Faro». PÚBLICO. Consultado em 27 de julho de 2017 
  35. «CP apresenta novos comboios suburbanos». PÚBLICO 
  36. «Comboios de Portugal : Fujitsu Portugal». www.fujitsu.com. Consultado em 27 de julho de 2017 
  37. Portugal, Comboios de. «CP.PT | Comboios de Portugal». CP.PT | Comboios de Portugal (em inglês). Consultado em 24 de junho de 2017 
  38. CP. «Relatório & Contas 2015» (PDF). Consultado em 30 de julho de 2016 
  39. «Relatório e Contas da CP (2014)» (PDF). CP - Comboios de Portugal, EPE. 2015. Consultado em 24 de junho de 2017 
  40. CP. «Relatório & Contas 2015» (PDF). Consultado em 30 de julho de 2016 
  41. «Carlos Gomes Nogueira será o novo presidente da CP» 

BibliografiaEditar

  • TAVARES, João Fernando Cansado (2000). 100 Obras de Arquitectura Civil no Século XX. Portugal. Lisboa: Ordem dos Engenheiros. 286 páginas. ISBN 972-97231-7-6 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 

Ligações externasEditar

Mais informações nos sites oficiais das empresas/entidades

  • Operador Ferroviário Português - CP - Comboios de Portugal, E.P.
  • Gestor das Infra-estruturas Ferroviárias Portuguesas - REFER - Rede Ferroviária Nacional, E.P.
  • Entidade Reguladora do Sector Ferroviário Português - IMTT - Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, I.P.
  • Material de Longo curso - Transportes XXI: CP- Longo Curso - Jul. 2012