Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a planta extinta. Para o gênero botânico, veja Silphium.

Sílfio (em latim: Silphium) era uma planta umbelífera, de origem norte-africana, muito usada na Antiguidade Clássica, especialmente na cosmética, na culinária e na medicina. A espécie não foi identificada pela botânica moderna e alguns pesquisadores acreditam que se encontre extinta.[1][2]

Sílfio
Antiga moeda cunhada em Cirene mostrando um talo de Sílfio
Local
Antiguidade Clássica e Império Romano
Usos
Culinária, cosmética e medicina
Espécie
desconhecida, possivelmente extinta
Botânica

Era um produto essencial no comércio e na economia da cidade líbia de Cirene, no Norte da África, tanto que ela foi cunhada em moedas do período para demonstrar sua importância. Praticamente todas as partes do sílfio eram valiosas. O caule e as raízes eram comestíveis, atuando também como conservantes. Carneiros e ovelhas que consumissem sílfio teriam carne mais macia. As flores, em geral amarelas, eram usadas na confecção de perfumes. A seiva desidratada poderia ser utilizada em unguentos, temperos e até como afrodisíacos.[3][4]

Sílfio era uma importante espécie da região, evidenciada pelos antigos egípcios e pelos minoanos, que tinham um glifo específico para representar a planta.[5] Foi largamente utilizada por todo o Mediterrâneo.[3]

OrigemEditar

A exata identidade do sílfio é desconhecida. Acredita-se que ela seja uma espécie extinta do gênero Ferula, parente da cenoura ou seja um híbrido de plantas selvagens que cresce apenas na Líbia, ainda não identificado.[6]

Segundo Teofrasto, a planta teria raízes escuras, casca negra, compridas com o tamanho de um cúbito.[3] Teria o caule oco e as folhas douradas, semelhante ao aipo, tendo sido comparada à Magydaris pastinacea, que cresce na Síria e nas encostas do Monte Parnaso, próximo de Delfos.[3][7]

Em sua obra, História Natural, publicada em 77 EC, Plínio, o Velho, discute a importância da planta chamada silphium, cuja resina Plínio descreve como "um dos maiores presentes que a natureza já nos deu".[8]

Segundo relatos de exploradores botânicos, desde a Idade Média que a planta é procurada nos três continentes do mundo clássico. Para alguns botânicos, o desaparecimento do sílfio foi a primeira extinção registrada de qualquer espécie, planta ou animal por seres humanos.[9][10]

Possível redescobertaEditar

Em um artigo publicado na revista Plants em 2021, o professor chefe do Departamento de Farmacognosia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Istambul, Mahmut Miski, descreve as semelhanças entre o sílfio e a Ferula drudeana, que ele acredita ser a planta original, descoberta no sopé do Monte Hasan, na Capadócia, na Turquia: presença de raízes espessas e ramificadas, semelhantes ao ginseng, folhas como copas de árvores, um talo estriado que se ergue em direção a cachos circulares de flores, folhas em forma de aipo e cálice fino como o papel (ou mericarpos) em forma de corações invertidos.[11]

Hipócrates relatou que houve duas tentativas, sem sucesso, de transplantar o sílfio para a Grécia continental, mas a planta se mostrou voluntariosa com o clima da região. Segundo Miski, a F. drudeana também é uma planta difícil de transplantar. Sua equipe no Departamento de Farmacognosia conseguiu propagar a planta em uma estufa usando estratificação a frio, uma técnica em que as sementes são enganadas para germinar, expondo-as a condições úmidas, semelhantes ao inverno.[11]

Entretanto, as fontes antigas dizem que o sílfio vinha exclusivamente de uma zona estreita ao redor da cidade de Cirene, um local agora ocupado pelo moderno assentamento de Xaate, na Líbia. O sopé do Monte Hasan se encontra a 1290 km em direção ao nordeste, em linha reta, através do Mediterrâneo.[9]

Porém, os locais onde a planta crescem foram antigamente ocupados por populações gregas que podem não ter sabido que ali havia sílfio ou que levaram a planta da Líbia para a Turquia e ali a plantaram, já que as regiões são bastante semelhantes, com um clima mediterrâneo.[9][11]

Referências

  1. «Sílfio». Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Consultado em 23 de maio de 2022 
  2. Maria Lykoudis (ed.). «In Search of Silphion» (PDF). GradeBuddy. Consultado em 18 de janeiro de 2023 
  3. a b c d Zaria Gorvett (ed.). «O mistério da erva romana mais valiosa que o ouro - e que sumiu sem deixar rastros». BBC Brasil. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  4. Giovanni Prete (ed.). «Miracle Plant Used in Ancient Greece Rediscovered After 2,000 Years». Greek Reporter. Consultado em 18 de janeiro de 2023 
  5. C. Michael Hogan (ed.). «Knossos fieldnotes». Modern Antiquarian. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  6. Amigues, Suzanne (2004). «Le silphium - État de la question». Journal des savants (em French). 2: 191-226 
  7. The Straight Dope (ed.). «Did the ancient Romans use a natural herb for birth control». The Straight Dope. Consultado em 6 de novembro de 2017 
  8. Parejko, Ken (2003). «Pliny the Elder's Silphium: First Recorded Species Extinction». Conservation Biology. 17 (3): 925-927. Consultado em 18 de janeiro de 2023 
  9. a b c Alice Zoo, ed. (26 de setembro de 2022). «Sílfio: planta milagrosa desaparecida há 2000 anos está mesmo extinta?». National Geographic. Consultado em 18 de janeiro de 2023 
  10. Rohini Krishnamurthy, ed. (27 de setembro de 2022). «Ancient plant silphion known for curing many diseases probably still around: Expert». Down to Earth. Consultado em 18 de janeiro de 2023 
  11. a b c Miski, Mahmut (2021). «Next Chapter in the Legend of Silphion: Preliminary Morphological, Chemical, Biological and Pharmacological Evaluations, Initial Conservation Studies, and Reassessment of the Regional Extinction Event». Plants. 10 (102). doi:10.3390/plants10010102. Consultado em 18 de janeiro de 2023