Samael

Arcanjo judeu
 Nota: Para outros significados, veja Samael (desambiguação).

Segundo a etimologia, Samael significa Veneno (Sama) de Deus (El). Também é chamado de acusador, sedutor, ira de Deus e destruidor. Noutras crenças pode ser interceptado "estrela do absinto" ou então como o anjo do abismo, Anjo da morte, ira de Deus, não um demónio mas sim o Anjo (judaísmo) que desce para abrir o poço de Abadom (em hebraico: אֲבַדּוֹן, 'Ǎḇaddōn).

Tradições Judaicas editar

 
The Angel of Death I de Evelyn De Morgan

Na Cabala é um dos Anjos de Deus, os Anjos são formas dos Poderes Divinos. Tais poderes cósmicos podem ser polarizados tanto positiva quanto negativamente dentro do ser humano. A Polaridade negativa da energia cósmica de Samael simbolizada por um encarrega do por Deus de fazer a ira de Deus.

"Naquela noite, o anjo do SENHOR saiu e matou cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento assírio. Quando o povo se levantou na manhã seguinte, o lugar estava repleto de cadáveres!" (II Reis-19-35) [1] editar

Nas tradições judaicas é identificado como o Anjo da Morte, também um dos regentes do mundo material e espiritual, seguido por milhões de anjos.

Também é considerado o anjo que lutou com Jacó (Genesis 32:24–31) e o anjo que sustentou o braço de Abraão no momento do sacrifício de Isaque (Gênesis 22:1–13). Segundo a cabala é descrito como a "ira de Deus" e é considerado o quinto arcanjo do mundo de Binah. Foi o anjo guardião de Esaú.

Segundo a Cabalá tradicional nenhum anjo é inimigo de Deus, não tem livre arbitrio sem ordem de Deus pois são uma de suas emanações. Anjo (judaísmo)

Então, são os anjos que fazem com que o desejo do Criador seja executado no mundo, pelo que assumem as mais diversas tarefas. Essa, sua finalidade, podendo haver anjos encarregados até de certos aspectos, como os anjos do nascimento e da morte.[2]

Samael corresponde a Sefirot Geburah, significando "a severidade". Os Shedim associados a ele são descritos como monstros amarelos com corpo de cachorro e cabeças de demônio. Geburah também está associado ao racionalismo, ao intelectualismo, a justiça cega e ao oculto. Assim sendo, Samael se converte no justiceiro cego, no olho por olho-dente por dente, aquele que utilizando a lei não tem piedade. Por isso é considerado pelo leigo como inimigo.

Tradições Cristãs Gnósticas editar

Nas tradições cristãs de origem gnóstica (veja Apócrifo de João) encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi, Samael é o terceiro nome do demônio Demiurgo cujos outros nomes são: Yaldabaoth e Saclas[3]. É neste contexto que o seu nome significa "deus-cego". É retratado por uma serpente com rosto de leão e é filho do Aeon Sophia contra o qual se rebela.

No livro intitulado Sobre a origem do mundo, que faz parte da mesma biblioteca, Samael também é chamado de Ariael ("como um leão")[4].

Tradições Cristãs Canônicas editar

 
Gravura de Gustave Doré

Segundo as tradições cristãs canonicas, Samael era Lúcifer (Portador de Luz), o anjo que estava mais próximo de Deus. Ao querer usurpar o trono de Deus fazendo-se igual a Ele, reuniu um terço das milícias celestes e travou uma batalha com as hostes angélicas fiéis, sendo derrotado depois de uma dura batalha contra o arcanjo Miguel (cujo nome no original é Mikha'El e significa "Quem é como Deus?") sendo precipitado no Hades (Inferno).

Enquanto caía no Tártaro, Miguel e os anjos fiéis bradaram: Samael! Samael! Samael! Aludindo à queda daquele que desejava ser como Deus, mas havia se transformado em Satanás.

Porém, de acordo com as tradições judaicas e algumas cristãs, a passagem bíblica Isaías 14:12–14 se refere ao rei da Babilônia e não a um anjo, argumentando que no título do referido capítulo 14 é "O rei da Babilônia no mundo dos mortos".

No Livro de Jó encontra-se a afirmativa de que Satanás estava a rodear a Terra (Jó 2:2).

Referências em Jogos de Vídeo Game editar

  • Nos jogos da série Silent Hill, há várias referências à Samael. A Marca de Samael é um simbolo criado para esse jogo. Samael é o deus desse culto e devido às interferências dos colonizadores, teve o nome trocado de “deus do paraíso” para o nome de Samael, um demônio (segundo o documento About syncretic religions, SH3). A mudança fez com que o grupo passasse a considerar o demônio um deus que traria o paraíso. A cidade de Silent Hill então cresceu e o culto se enraizou na cultura local.

"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo."

Isaías 14:12–14

  • Há uma aparição dele no jogo Darksiders.
  • Samael também é um demônio recorrente na série de jogos Shin Megami Tensei, aparecendo nas raças Vile, Fallen e Dragon.

Referências

  1. Sayão, Luis (2023). 2Reis 19:35 NVI. [S.l.]: Editora Vida. pp. 2–Reis 19–35 
  2. «Anjo (judaísmo)». Wikipédia, a enciclopédia livre. 25 de setembro de 2023. Consultado em 3 de maio de 2024 
  3. Robinson, ed., James M. (1990). The Nag Hammadi Library, revised edition. The Apocryphon of John (Trad. de Frederik Wisse) (em inglês). San Francisco: Harper Collins. ISBN 0-06-066929-2 
  4. Robinson, ed., James M. (1990). The Nag Hammadi Library, revised edition. On the Origin of the World (Trad. de Hans-Gebhard Bethge e Bentley Layton) (em inglês). San Francisco: Harper Collins. ISBN 0-06-066929-2