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Shlomo Goren
Na juventude, como oficial das Forças de Defesa de Israel
Nome de nascimento Shlomo Gorenchik
Dados pessoais
Nascimento 3 de fevereiro de 1917 Zambrow,  Polónia
Morte 29 de outubro de 1994 (77 anos) Telavive,  Israel
Esposa Tzfia Cohen
Vida militar
Hierarquia general-de-exército
Comandos Rabino Chefe de Israel

Shlomo Goren (em hebraico: שלמה גורן; Zambrow, 3 de fevereiro de 1917Telavive, 29 de outubro de 1994), foi um rabino ortodoxo e líder sionista em Israel, especialista no Talmude e uma das principais autoridades no estudo da Halachá, a lei judaica. Ele fundou e serviu como primeiro líder do rabinato militar das Forças de Defesa de Israel e posteriormente como o terceiro rabino-chefe dos asquenazes em Israel, de 1973 a 1983, estabelecendo em seguida um yeshiva em Jerusalém, por ele liderado até a morte.

InfânciaEditar

O sobrenome original de Goren era Gorenchik. Ele nasceu em Zambrów, na Polônia, e imigrou com sua família para o então Mandato Britânico da Palestina em 1925. Goren cresceu em Kfar Hasidim, uma vila de judeus observantes próxima a Haifa, cofundada por seu pai. Ele começou a estudar no yeshiva de Hebrom em Jerusalém aos 12 anos, quando foi identificado como prodígio. Seu primeiro livro foi publicado quando Goren contava 17 anos.[1]

Carreira MilitarEditar

 
Goren à esquerda, em continência, no túmulo de Uri Ilan, em 1955.

A carreira de Goren foi caracterizada pelo comprometimento com os valores sionistas de sua juventude. Ele voluntariou-se para o Haganah em 1936, e serviu como capelão para a região de Jerusalém durante a guerra árabe-israelense de 1948, quando foi avaliado e aprovado como paraquedista. Goren foi capelão da brigada Carmeli durante a guerra. Imediatamente após a guerra de independência, ele se dedicou, frequentemente com grande risco, a reunir os corpos dos caídos nas batalhas e a dar-lhes o enterro apropriado conforme as regras judaicas. Ele se opôs fortemente à ideia de unidades religiosas e seculares separadas e trabalhou pela integração de todos os soldados em unidades comuns. Goren chegou a ser promovido a general-de-brigada.

Em seguida ao estabelecimento do país, Goren foi indicado Rabino Chefe de Israel, função do rabinato militar das Forças de Defesa de Israel com a patente de major-general, posição na qual ele se manteve até 1968. O rabino Goren se valeu da oportunidade para estabelecer o trabalho de capelania militar, criando os procedimentos para a criação de espaços para os serviços religiosos e a produção de consumo de alimentos kosher.

Shlomo Goren também serviu durante Crise de Suez em 1956 e na Guerra dos Seis Dias em 1967, onde foi promovido a general-de-exército. Goren estava no momento da captura de Jerusalém Oriental em 7 de junho de 1967, onde fez um serviço de Ação de Graças ao vivo para todo o país. Logo em seguida Goren, soprando um shofar e carregando um Sefer Torá fez a primeira oração no Muro das Lamentações desde 1948. O evento foi um dos momentos definidores da guerra e várias fotografias de Goren, envolto pelos soldados em oração, tornou-se famosa pelo mundo e especialmente em Israel. A fotografia mais famosa mostra Goren soprando o Shofar diante do fundo do Muro das Lamentações.[2]

ControvérsiaEditar

Goren atraiu muitos admiradores por sua paixão e dedicação ao sionismo religioso e pela sua combinação da atividade sionista com o comprometimento com o religião judaica e os estudos. No entanto, sua personalidade também fez com que ele se tornasse uma figura polarizante e controversa na política de Israel.

O rabino Shlomo Goren passou a maior parte de seu mandato como Rabino Chefe de Israel tentando conciliar os ensinamentos religiosos judeus com os problemas modernos do Estado judeu e da realidade contemporânea, inclusos nesta última os avanços tecnológicos. Goren frequentemente conflitava com os colegas mais conservadores no rabinato.[3]

AtivismoEditar

Goren também ficou conhecido por sua postura controversa no que dizia respeito à soberania judaica sobre o Monte do Templo. Em 15 de agosto de 1967, logo após a Guerra dos Seis Dias, ele liderou um grupo de 50 judeus em direção ao Monte do Templo, onde, lutando contra guardas muçulmanos e a polícia israelense e, desafiadoramente, ali realizou um serviço religioso.[4] Por muitos anos o rabino continuou a orar numa construção próxima, com vista para o Monte, conduzindo anualmente os serviços religiosos. Ele também foi duramente criticado pelo Ministério da Defesa de Israel, que, considerando a alta patente do capelão Goren, julgou seu comportamento inadequado. O episódio fez com que os Rabinos Chefes da época restabelecessem as leis nas quais nenhum judeu pode ter aceita a entrada no Monte do Templo por questões de impureza ritual. As autoridades seculares receberam bem esta regra, porque preservava o status quo com o Waqf, a autoridade islâmica. Em desacordo com seus colegas, Goren manteve seu posicionamento, de que os judeus não tinham apenas a permissão - mas sim a obrigação - de ascender e orar no Monte.

A razão real do radicalismo de Goren permanece controversa. Uma história sobre Goren, frequentemente repetida, é a de que logo em seguida à captura israelense do Monte do Templo, o rabino teria declarado que Israel deveria destruir a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha ou simplesmente disse que seria uma "coisa boa" se ambos tivessem sido destruídos.[5] A acusação feita pelo general Uzi Narkiss, uma testemunha, em uma entrevista feita para o jornal Haaretz [6] na qual o rabino Goren, tendo clamado pela destruição das mesquitas, foi usada para declarar que existe um extremismo judeu comparável ao extremismo islâmico. O assistente pessoal de Goren, o rabino Menachem Ha-Cohen, que acompanhou Shlomo Goren durante todo aquele dia, negou que ele tivesse dito isso. O próprio Goren negou pessoalmente esta acusação várias vezes.[7] No entanto, mais tarde naquele ano Goren fez um discurso numa convenção de militares, gravado e mais tarde transmitido na rádio do Exército israelense[8] no qual ele disse o seguinte sobre o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Aqsa: "Certamente devíamos tê-las explodido. É uma tragédia que não o tenhamos feito." [9]

Outra história, possivelmente apócrifa, diz que o rabino entrou acidentalmente em Hebrom e na Caverna dos Patriarcas em 8 de junho de 1967, antes que o Exército tomasse a cidade e foi saudado com bandeiras brancas.[10] A cidade foi tomada pelas forças comandadas pelo coronel Amitai, o comandante da região de Jerusalém, no início da noite de 7 de junho, encontrando apenas pequenos focos espalhados de resistência.[11]

O rabino também defendeu repetidamente e apoiou a ideia da construção de um Terceiro Templo no Monte do Templo a partir da década de 1960, tendo sido associado a vários projetos messiânicos envolvendo o local. No verão de 1983, Goren e vários outros rabinos juntaram-se ao rabino Yehuda Getz, que trabalhava para o Ministério de Assuntos Religiosos no Muro das Lamentações em um passeio por uma câmara subterrânea no monte, ilegalmente escavada por Getz, e onde este e Goren declararam ter visto a Arca da Aliança. O túnel foi rapidamente descoberto e isto provocou uma grande rixa entre jovens judeus e árabes na região. O túnel foi apressadamente selado com com concreto pela polícia israelense.[12] A entrada selada pode ser vista do túnel no Muro das Lamentações, aberto ao público em 1996.

Shlomo Goren também fez manchetes após o fim de seu mandato como Rabino Chefe de Israel. Ele opôs-se fortemente aos Acordos de Oslo e declarou em 1993 que era proibido pela lei judaica o desmonte de qualquer assentamento na Terra Bíblica de Israel e encorajou a recusa de quaisquer soldados ordenados a isso. Em 1994 ele anunciou que a Halachá fazia disso um dever para os judeus matarem Yasser Arafat. Goren, que era um grande apoiador de alianças entre Israel e os cristãos evangélicos, também condenou as reuniões entre Israel e a Santa Sé, denominando-as como "blasfêmia além de qualquer expressão."[13]

Goren também falou contra o terrorismo judeu. Em 1981, ele e o rabino Ovadia Yosef condenaram oficialmente um tiroteio realizado no Monte do Templo por um imigrante americano que resultou na morte de um muçulmano e em vários feridos. Em declaração conjunta realizada pelos Rabinos Chefes, eles declararam que "Nós e todo o povo judeu atacamos e deploramos o ato criminoso do homicídio de todas as formas possíveis. Com esse abominável ato [Alan] Goodman removeu-se ele próprio do povo judeu...".[14]

PrêmioEditar

  • Em 1961, Goren recebeu o Israel Prize de literatura rabínica.[15]

FrasesEditar

Referências

  1. «Shlomo Goren (Israeli rabbi)». Britannica Online Encyclopedia. 29 de outubro de 1994. Consultado em 9 de setembro de 2011 
  2. «Goren at the Dome of the Rock. (Hebrew)». haaretz.co.il 
  3. See http://hebrewbooks.org/pdfpager.aspx?req=28315&pgnum=36&hilite= and http://www.hebrewbooks.org/pdfpager.aspx?req=12319&st=&pgnum=26 and http://www.hebrewbooks.org/pdfpager.aspx?req=33389&pgnum=8 and http://hebrewbooks.org/pdfpager.aspx?req=47045&st=&pgnum=82
  4. «Forcing the End. (Evangelicals and rabbis' look at the Six day War and views about End Times)». pbs.org 
  5. «Let if Fall, (citing Goren's views on the Dome of the Rock and the Temple Mount)». arutzsheva.com 
  6. Haaretz, edição de 31 de dezembro de 1997, também citado emn Nur Masalha, The Bible and Zionism: Invented Traditions, Archeology and Post-Colonialism in Palestine-Israel, Zed Books, London 2007 p.79
  7. «The Political Role of the Israeli Chief Rabbinate in the Temple Mount Question». Jcpa.org. Consultado em 9 de setembro de 2011 
  8. Transmissão realizada em 31 de dezembro de 1997.
  9. Nur Masalha, The Bible and Zionism:Invented Traditions, Archeology and Post-Colonialism in Palestine-Israel, Zed Books, London 2007 p.79
  10. «Israelis Against Israel. (Goren at Hebron)». frontpagemag.com [ligação inativa]
  11. Randolph Churchill, W.S.Churchill,The Six Day War, 1967.
  12. «Preparations for a Third Jewish Temple. (Goren about Temple Mount)». templemount.org 
  13. «The End of History—Messiah Conspiracy.». ramsheadpress.com 
  14. «Goren denounces terrorism». jcpa.org 
  15. «Israel Prize recipients in 1961 (in Hebrew)». cms.education.gov.il (Israel Prize official website). Consultado em 14 de março de 2017. Cópia arquivada em 11 de abril de 2010 
  16. Solomon, Norman (2005). «Judaism and the ethics of war». International Review of the Red Cross. 87 (858): 295–309. doi:10.1017/S1816383100181354 
  17. «Settlement Snapshots». fmep.org. Consultado em 14 de março de 2017. Arquivado do original em 14 de julho de 2006 

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar