Teoria da ação

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Teoria da ação é uma área da filosofia que se dedica à análise de processos que causam os movimentos humanos voluntários de um tipo mais ou menos complexo. Esta área tem sido alvo dos filósofos, principalmente desde a obra de Aristóteles, Ética a Nicómaco. Com o advento da psicologia e mais tarde da neurociência, muitas teorias da ação têm sido colocadas a testes empíricos.

A teoria da ação filosófica ou filosofia da ação, não deve ser confundida com as teorias sociológicas de ação social, como a teoria da ação estabelecida por Talcott Parsons.

Visão geralEditar

A teoria da ação básica geralmente descreve a ação como um comportamento causado por um agente em uma situação particular. Os desejos e crenças do agente (por exemplo, eu querer um copo d'água e acreditar que o líquido claro no copo à minha frente é água) levam ao comportamento corporal (por exemplo, estender a mão para pegar o copo). Na teoria simples (ver Donald Davidson), o desejo e a crença causam conjuntamente a ação. Michael Bratman levantou problemas para essa visão e argumentou que devemos considerar o conceito de intenção como básico e não analisável em crenças e desejos.

Em algumas teorias, um desejo mais uma crença sobre os meios de satisfazê-lo são sempre o que está por trás de uma ação. Os agentes visam, ao agir, maximizar a satisfação de seus desejos. Essa teoria da racionalidade prospectiva fundamenta grande parte da economia e de outras ciências sociais dentro da estrutura mais sofisticada da escolha racional. No entanto, muitas teorias da ação argumentam que a racionalidade vai muito além do cálculo dos melhores meios para atingir os fins de alguém. Por exemplo, a crença de que devo fazer X, em algumas teorias, pode me levar diretamente a fazer X sem que eu tenha que querer fazer X (isto é, ter desejo de fazer X). A racionalidade, em tais teorias, também envolve responder corretamente às razões que um agente percebe, não apenas agir de acordo com desejos.

Embora os teóricos da ação geralmente empreguem a linguagem da causalidade em suas teorias sobre o que é a natureza da ação, a questão de a que vem a determinação causal tem sido central para as controvérsias sobre a natureza do livre arbítrio.

As discussões conceituais também giram em torno de uma definição precisa de ação na filosofia. Os estudiosos podem discordar sobre quais movimentos corporais se enquadram nesta categoria, por exemplo, se o pensamento deve ser analisado como ação, e como ações complexas envolvendo várias etapas a serem tomadas e diversas consequências pretendidas devem ser resumidas ou decompostas.

Leitura adicionalEditar

  • Maurice Blondel (1893). L'Action - Essai d'une critique de la vie et d'une science de la pratique
  • G. E. M. Anscombe (1957). Intention, Basil Blackwell, Oxford.
  • James Sommerville (1968). Total Commitment, Blondel's L'Action, Corpus Books.
  • Michel Crozier, & Erhard Friedberg (1980). Actors and Systems (Chicago: [University of Chicago Press].
  • Donald Davidson (1980). Essays on Actions and Events, Clarendon Press, Oxford.
  • Jonathan Dancy & Constantine Sandis (eds.) (2015). Philosophy of Action: An Anthology, Wiley-Blackwell, Oxford.
  • Jennifer Hornsby (1980). Actions, Routledge, London.
  • Lilian O'Brien (2014). Philosophy of Action, Palgrave, Basingstoke.
  • Christine Korsgaard (2008). The Constitution of Agency, Oxford University Press, Oxford.
  • Alfred R. Mele (ed.) (1997). The Philosophy of Action, Oxford University Press, Oxford.
  • John Hyman & Helen Steward (eds.) (2004). Agency and Action, Cambridge University Press, Cambridge.
  • Anton Leist (ed.) (2007). Action in Context, Walter de Gruyter, Berlin.
  • Timothy O'Connor & Constantine Sandis (eds.) (2010). A Companion to the Philosophy of Action, Wiley-Blackwell, Oxford.
  • Sarah Paul (2020). The Philosophy of Action: A Contemporary Introduction, London, Routledge.
  • Peter Šajda et al. (eds.) (2012). Affectivity, Agency and Intersubjectivity, L'Harmattan, Paris.
  • Constantine Sandis (ed.) (2009). New Essays on the Explanation of Action, Palgrave Macmillan, Basingstoke.
  • Constantine Sandis (ed.) (2019). Philosophy of Action from Suarez to Anscombe, London, Routledge.
  • Michael Thompson (2012). Life and Action: Elementary Structures of Practice and Practical Thought, Boston, MA, Harvard University Press.

Links externosEditar

Ver tambémEditar