Tourada (canção)

"Tourada" foi a canção escolhida para representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção 1973, interpretada em português por Fernando Tordo. Foi a terceira canção a ser interpretada na noite do evento, a seguir à canção belga "Baby, Baby", interpretada pelo duo Nicole & Hugo e antes da canção alemã "Junger Tag", interpretada por Gitte. No final, terminou em décimo lugar, recebendo 80 pontos.

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LetraEditar

A canção tem uma letra que foi claramente entendida em Portugal como uma metáfora/alegoria em que se comparava a tourada ao decrépito regime ditatorial do Estado Novo, a canção é uma crítica à sociedade portuguesa daquele tempo: "Entram velhas, doidas e turistas / Entram excursões / Entram benefícios e cronistas / Entram aldrabões / Entram marialvas e coristas / Entram galifões de crista" (...).

Na letra também faz-se uma crítica ao snobismo e hipocrisia da sociedade ("Entram cavaleiros à garupa / Do seu heroísmo / Entra aquela música maluca / Do passodoblismo / Entra a aficcionada e a caduca / Mais o snobismo e cismo [...]") e às contradições existente na sociedade, bem como aos lucros de alguns ("Entram empresários moralistas / Entram frustrações / Entram antiquários e fadistas / E contradições / Entra muito dólar, muita gente / Que dá lucro aos milhões").

Há uma alusão à chamada Primavera Marcelista ("Estamos na Praça da Primavera"), uma pretensa mudança efetuada no governo de Marcelo Caetano – mudavam-se os nomes; p. ex. censura passou a ter o nome de "exame prévio", mas na prática pouco mudava.

Não se soube como é que a censura vigente na época não conseguiu entender a mensagem transmitida pela letra, que era uma crítica/sátira mordaz ao regime.

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