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Triplo salto
Olímpico desde 1896 H / 1996 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeões Olímpicos
Rio 2016
Homens Christian Taylor
 Estados Unidos
Mulheres Caterine Ibargüen
 Colômbia
Campeões Mundiais
Londres 2017
Homens Christian Taylor
 Estados Unidos
Mulheres Yulimar Rojas
 Venezuela

Triplo salto (português europeu) ou salto triplo (português brasileiro) é uma especialidade olímpica de atletismo que requer uma combinação de velocidade e técnica do atleta que o pratica. Os praticantes deste esporte são, no português do Brasil, chamados de triplistas.[1][2]

Índice

HistóriaEditar

Fontes históricas dos Jogos da Grécia Antiga mencionam saltos de até 15 metros de comprimento. Isto fez com que pesquisadores e historiadores concluíssem que esta distância deveria ter sido alcançada com uma série de saltos, o que levou ao conceito moderno do salto triplo. Porém, não há nenhuma evidência deste salto ter sido incluído nos Jogos da Antiguidade e é possível que o registro de distâncias tão grandes possam ter sido mais fruto da licença poética dos autores de poemas sobre as vitórias gregas do que uma tentativa de fazer um registro apurado dos resultados.[3]

Na mitologia irlandesa, o geal-ruith (salto triplo) era um evento disputado nos Jogos Tailteann, da Irlanda pré-cristã, desde datas tão antigas quanto 1829 a.C.[4]

O salto triplo faz parte da competição olímpica desde sua primeira edição moderna em Atenas 1896. O primeiro campeão olímpico foi o americano James Connolly.[5] Nos primeiros Jogos porém, os dois primeiros pulos do salto eram dados no mesmo pé e então o salto final.[6] Assim como no salto em distância, no início também havia a modalidade do salto triplo sem corrida, apenas com a impulsão do corpo saindo da inércia, modalidade não mais disputada. Ele estreou para as mulheres apenas em Atlanta 1996, exatamente cem anos depois de sua introdução nos Jogos Olímpicos, sendo vencido pela ucraniana Inessa Kravets, que também é a recordista mundial da prova, com 15,50 m.[7] O recorde mundial masculino é do britânico Jonathan Edwards, com 18,29 m.[8] Os atuais campeões olímpicos são Christian Taylor dos Estados Unidos e Caterine Ibargüen da Colômbia.

De todas as modalidades do atletismo olímpico, esta é a de maior tradição para o mundo lusófono. O Brasil tem quatro grandes nomes na história do salto, com Adhemar Ferreira da Silva, recordista mundial e bicampeão olímpico em Helsinque 1952 e Melbourne 1956,[9] Nelson Prudêncio, recordista mundial e medalha de prata na Cidade do México 1968 e bronze em Munique 1972,[10] João Carlos de Oliveira, o "João do Pulo", recordista mundial e medalhas de bronze em Montreal 1976 e Moscou 1980[11] e Jadel Gregório, três vezes medalha de prata em mundiais e o recordista lusófono com 17,90 m;[12] por seu lado, Portugal tem Nélson Évora, campeão olímpico em Pequim 2008 e campeão mundial em Osaka 2007.[13]

Técnica e regrasEditar

O Salto Triplo é uma combinação de três saltos sucessivos que terminam com a queda numa caixa de areia. A prova inicia-se com uma corrida de impulso. O salto começa com o contacto da perna de impulsão tocando o solo (maior absorção de impacto); segue-se uma pequena flexão da perna de impulsão (maior tensão elástica); nesse momento a perna de impulsão sofre grande pressão (até 6 vezes o peso do atleta), sendo que quanto maior o ângulo maior a pressão. A chamada é realizada com um movimento de patada, onde o saltador faz um movimento brusco com a perna para trás e para cima, tentando assim reduzir a perda de velocidade horizontal. O ângulo resultante de saída é menor que o salto da distância. Por fim, na fase de voo, deve-se corrigir o equilíbrio através da rotação horizontal dos braços, colocando o centro de gravidade no lugar.

Numa outra técnica, o salto realiza-se com a perna de elevação (+ fraca); dá-se o toque sobre a planta do pé (maior absorção de impacto) e o movimento de "patada" ativa na chamada para reduzir a perda de velocidade horizontal; existe maior tempo de contacto com o solo; a fase de voo é próxima da do salto em comprimento, e tem apenas como diferença a menor velocidade horizontal, provocando uma menor fase de voo. Para tal utiliza-se outro tipo de estilo - o tipo peito e o carpado. A correção do equilíbrio é feita através da rotação horizontal de braços, na fase terminal.

A Federação Internacional de Atletismo descreve a mecânica obrigatória do salto da seguinte maneira:"o salto deve ser feito de tal maneira que o atleta pouse, no primeiro salto, com o mesmo pé com que ele saltou após a corrida; o segundo salto deve pousar com o pé trocado, o qual serve de impulsão para o salto final dentro da caixa de areia"[14]

Os saltos são invalidados caso o atleta pise na borda ou em algum ponto tábua de impulsão. A marca é medida da ponta da tábua até a primeira marcação do corpo do saltador na caixa de areia. Assim como em várias outras modalidades do atletismo, marcas conseguidas com vento a favor superior a 2 m/s não são consideradas para recordes.[6]

Mecânica e técnica do salto

RecordesEditar

De acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][15]

Homens
Recorde
Distância
Atleta
País
Data
Local
 
18,29 m
Jonathan Edwards
 
7 agosto 1995
Gotemburgo
 
18,09 m
Kenny Harrison
 
27 julho 1996
Atlanta 1996
Mulheres
Recorde
Distância
Atleta
País
Data
Local
 
15,50 m
Inessa Kravets
 
10 agosto 1995
Gotemburgo
 
15,39 m
Françoise Mbango Etone
 
17 agosto 2008
Pequim 2008

Melhores marcas mundiaisEditar

As marcas abaixo são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][16]

HomensEditar

Posição Distância Atleta País Data Local
1
18,29 m
Jonathan Edwards
 
7 agosto 1995
Gotemburgo
2
18,21 m
Christian Taylor
 
27 agosto 2015
Pequim
3
18,11 m
Christian Taylor
 
26 maio 2017
Eugene
4
18,09 m
Kenny Harrison
 
27 de julho 1996
Atlanta
5
18,08 m
Pedro Pablo Pichardo
 
28 maio 2015
Havana
6
18,06 m
Pedro Pablo Pichardo
 
15 maio 2015
Doha
18,06 m
Christian Taylor
 
9 julho 2015
Lausanne
8
18,04 m
Teddy Tamgho
 
18 agosto 2013
Moscou
18,04 m
Christian Taylor
 
15 maio 2015
Doha
10
18,01 m
Jonathan Edwards
 
9 julho 1988
Oslo

MulheresEditar

Posição Distância Atleta País Data Local
1
15,50 m
Inessa Kravets
 
10 agosto 1995
Gotemburgo
2
15,39 m
Françoise Mbango Etone
 
17 agosto 2008
Pequim
3
15,34 m
Tatyana Lebedeva
 
4 julho 2004
Heraklion
4
15,33 m
Inessa Kravets
 
31 julho 1996
Atlanta
15,33 m
Tatyana Lebedeva
 
6 julho 2004
Lausanne
6
15,32 m
Tatyana Lebedeva
 
9 setembro 2000
Yokohama
15,32 m
Hrysopiyi Devetzi
 
21 agosto 2004
Atenas
8
15,31 m
Caterine Ibargüen
 
18 julho 2014
Mônaco
9
15,30 m
Françoise Mbango Etone
 
21 agosto 2004
Atenas
10
15,29 m
Yamilé Aldama
 
11 julho 2003
Roma

Melhores marcas olímpicasEditar

As marcas abaixo são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[17]

HomensEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
18,09 m
Kenny Harrison
 
ouro
Atlanta 1996
2
17,88 m
Jonathan Edwards
 
prata
Atlanta 1996
3
17,86 m
Christian Taylor
 
ouro
Rio 2016
4
17,81 m
Christian Taylor
 
ouro
Londres 2012
5
17,79 m
Christian Olsson
 
ouro
Atenas 2004
6
17,76 m
Will Claye
 
prata
Rio 2016
7
17,71 m
Jonathan Edwards
 
ouro
Sydney 2000
8
17,68 m
Christian Olsson
 
Atenas 2004
9
17,67 m
Nélson Évora
 
ouro
Pequim 2008
10
17,63 m
Mike Conley
 
ouro
Barcelona 1992

* A marca do sueco Christian Olsson (17,68 m) foi conseguida nas eliminatórias de Atenas 2004.

MulheresEditar

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
15,39 m
Françoise Mbango Etone
 
ouro
Pequim 2008
2
15,33 m
Inessa Kravets
 
ouro
Atlanta 1996
3
15,32 m
Hrysopiyi Devetzi
 
Atenas 2004
15,32 m
Tatyana Lebedeva
 
prata
Pequim 2008
5
15,30 m
Françoise Mbango Etone
 
ouro
Atenas 2004
6
15,25 m
Hrysopiyi Devetzi
 
prata
Atenas 2004
7
15,23 m
Hrysopiyi Devetzi
 
bronze
Pequim 2008
8
15,20 m
Teresa Marinova
 
ouro
Sydney 2000
9
15,17 m
Caterine Ibargüen
 
ouro
Rio 2016
10
15,14 m
Tatyana Lebedeva
 
bronze
Atenas 2004

* A marca da grega Hrysopiyi Devetzi (15,32 m) foi conseguida nas eliminatórias de Atenas 2004.

Marcas da lusofoniaEditar

País
Masculino
Atleta
Ano
Local
Feminino
Atleta
Ano
Local
 
17,90 m
Jadel Gregório
2007
Belém
14,58 m
Keila Costa
2013
São Paulo
[18]
 
17,74 m
Nélson Évora
2007
Osaka
14,65 m
Patrícia Mamona
2016
Rio de Janeiro
[19]
 
16,43 m
António Santos
1988
Annaba
13,49 m
Teresa Nzola
1992
Angers
[20]
 
15,76 m
Pedro Noronha
1988
Gaborone
sem registro
[21]:608
 
14,60 m
Eder Pires
2012
Lisboa
11,81 m
Claudina Borges
2010
Lisboa
[22]

Referências

  1. Jonathan Silva é único triplista com índice
  2. «triplista». Dicionário Aulete. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  3. Koski, Rissanen & Tahvanainen (2004). Antiikin urheilu. Olympian kentiltä Rooman areenoille. [The Sports of Antiquity. From the Fields of Olympia to Roman Arenas.] Jyväskylä: Atena Kustannus Oy. ISBN 951-796-341-6
  4. Adams, Patricia (2006-03-01). History of the Highland Games and Women in Scottish Athletics. ...contained in the Irish "Book of Leinster", which was written in the twelfth century AD...this book describes the Tailteann Games held at Telltown, County Meath from 1829 BC until at least 554 BC...included in these events...were the geal-ruith (triple jump). Clan MacTavish Genealogy and History, 1 March 2006. Retrieved from http://www.dunardry.net/ladies_lounge.html Arquivado em 17 de maio de 2008, no Wayback Machine..
  5. «James Connolly». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  6. a b «Triple jump». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  7. «Athletics at the 1996 Atlanta Summer Games: Women's Triple Jump». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  8. «Jonathan Edwards». Sportsreference. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  9. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  10. «Da pista para a cátedra». CBAtl. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  11. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  12. a b c «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  13. «honours». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  14. «IAAF Competition Rules 2012-2013» (PDF). Consultado em 18 de agosto de 2013 
  15. «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  16. «All time best». IAAF. Consultado em 6 de setembro de 2015 
  17. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013 
  18. «Recordes». CBat. Consultado em 1 de setembro de 2015. Arquivado do original em 23 de setembro de 2015 
  19. «Patrícia Mamona bate recorde nacional e fica em sexto no triplo salto». Diário de Notícias. Consultado em 6 de julho de 2017 
  20. «estatisticas». FAA. Consultado em 1 de setembro de 2015 
  21. «IAAF WORLD CHAMPIONSHIPS LONDON 2017 STATISTICS HANDBOOK». IAAF. 2017. Consultado em 3 de agosto de 2017 
  22. «Tabela de Records de Cabo Verde». FCA. Consultado em 1 de setembro de 2015. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 

Ligações externasEditar