Vela Guterres

Vela Guterres (em castelhano: Vela Gutiérrez; fl. 1129–1160) foi um rico-homem do Reino de Leão, o único filho documentado do conde Guterre Vermudes e da condessa Toda Peres de Trava. Mordomo-mor do rei Fernando II de Leão, governou várias tenências, fundou o Mosteiro de Santa Maria de Nogales, e é considerado o genearca da linhagem dos Ponce de Leão, que desempenhou um papel importante na história medieval da Península Ibérica.[1]

Vela Guterres
Conde e genearca dos Ponce de Leão
Cônjuge Sancha Ponce de Cabrera
Descendência Ver descendência
Morte 1160
Pai Guterre Vermudes
Mãe Toda Peres de Trava

AntepassadosEditar

Seu pai, o conde Guterre Vermudes, era membro da linhagem dos condes de Cea, descendente por linha reta masculina do conde Bermudo Nunes. Sua mãe era filha do poderoso conde galego Pedro Froilaz, senhor da Casa de Trava. Antigos genealogistas como Luis de Salazar y Castro e Gaspar Ibáñez de Segovia, marquês de Mondejar, equivocadamente consideraram-no um descendente do conde Ossorio Guterres, «genealogia aceite por quase todos os genealogistas posteriores».[2][3]

Esboço biográficoEditar

Aparece com freqüência nos documentos do mosteiro de Lourenzá, a primeira vez em 1129 numa transacção famíliar,[4] e depois em 1141 no Mosteiro de Belmonte de Miranda, com seu primo o conde Pedro Afonso.[5] A partir dessa data até à sua morte em 1160, a sua presença regista-se constantemente na cúria régia, onde confirma diplomas reais assim como em outros actos familiares. Em 1136 já era o mordomo-mor do infante Fernando, o futuro rei Fernando II de Leão, enquanto seu pai, o conde Guterre Vermudes era o mordomo-mor do imperador Afonso VII. A partir de 1156, o conde Vela foi o mordomo-mor do rei Fernando II.[5]

Governou várias tenências, incluindo Morales por designação de seu sogro, o conde Ponce, Comarcas de La Cabrera por ordem real desde 1149 até 1154,[1] e desde 1150 aparece também como tenente em Malgrat, antigo nome de Benavente.

Fundação do Mosteiro de Santa Maria de NogalesEditar

 
Ruínas do Mosterio de Santa Maria de Nogales

Em 14 de maio de 1149, Afonso VII doou a Vela e a sua esposa Sancha a villa de Nogales como um presente de casamento.[6][7] No ano seguinte, em abril de 1150, o matrimónio doou esta vila a Aldara Peres, abadessa do mosteiro de São Miguel de Bóveda em Ourense para que ali fundaram um mosteiro com monjas beneditinas do mosteiro galego.[7] Na doação, ambos reconhoceram que as propriedades foram doadas pelo rei e que foram anteriormente do conde Rodrigo Martines.

O conde Vela morreu em 4 de novembre de 1160,[5][8] antes que a construção do mosteiro tinham sido concluída. As monjas devolveram a doação a sua viúva Sancha [7] que em 1164 doou o mosteiro à Mosteiro de Santa Maria de Moreruela que foi fundado por seu pai o conde Ponce Giraldo de Cabrera.[7]

Os três sepulcros de pedra que sua viúva mandou lavrar, um para o seu marido, outro para um filho falecido, e um para ela, que morreu em 1176,[4] [7] foram colocados na capela da igreja do mosteiro, que foi consagrada em 1172.[7]

Matrimónio e descendênciaEditar

Casou-se antes de 1149, quando o imperador doou à vila de Nogales, com Sancha Ponce de Cabrera, filha do conde Ponce Giraldo de Cabrera, o príncipe de Zamora, e de sua primeira esposa, Sancha Nunes.[7][8][4][1][a][b] Os filhos deste casamento foram:

Também poderão ser os pais de um filho chamado Garcia Vela.[11]

NotasEditar

[a] ^ Embora aparece em algumas genealogias como a filha da segunda mulher do conde Ponce, Maria Fernandes de Trava, filha do conde Fernando Perez de Trava, Sancha Ponce de Cabrera foi a filha de sua primeira esposa, Sancha Nunes como é registrado na documentação em 1221 quando os filhos do conde Vela e Sancha, João, Fernando e Maria, doaram umas propriedades ao Mosteiro de Santa Maria de Meira que herdaram de sua avó Sancha Nunes.[15]
[b] ^ Ver a Colección documental do Mosteiro de Santa María de Meira, María Mercedes Domínguez Casal.

Referências

BibliografiaEditar

  • Barton, Simon (1992). «Two Catalan magnates in the courts of the kings of León-Castile: the careers of Ponce de Cabrera and Ponce de Minerva re-examined». Journal of Medieval History (18): 233-266. ISSN 1873-1279 
  • Calleja Puerta, Miguel (2001). El conde Suero Vermúdez, su parentela y su entorno social: La aristocracia asturleonesa en los siglos XI y XII. [S.l.]: KRK Ediciones. ISBN 84-95401-68-1 
  • Carriazo Rubio, Juan Luis (2002). La memoria del linaje: Los Ponce de León y sus antepasados a fines de la Edad Media. Sevilla: Universidad de Sevilla, Secretariado de Publicaciones. ISBN 84-472-0723-4 
  • Enríquez de Salamanca Gómez, Almudena (2010). «El archivo del Monasterio de Santa María de Nogales en el Tumbo de Astorga (1639)». Universidad Complutense de Madrid, Servicio de Publicaciones. Documenta & Instrumenta. 8: 47-66. ISSN 1697-4328 
  • Fernández-Xesta y Vázquez, Ernesto (1991). Un magnate catalán en la corte de Alfonso VII: "Comes Poncius de Cabreira, Princeps Çemore". Madrid: Prensa y Ediciones Iberoamericanas, D.L. ISBN 84-865-6841-2 
  • Salazar y Acha, Jaime de (1985). «Una Familia de la Alta Edad Media: Los Velas y su Realidad Histórica». Asociación Española de Estudios Genealógicos y Heráldicos. Estudios Genealógicos y Heráldicos). ISBN 84-398-3591-4 
  • Torres Sevilla-Quiñones de León, Margarita Cecilia (1999). Linajes nobiliarios de León y Castilla: Siglos IX-XIII. Salamanca: Junta de Castilla y León, Consejería de educación y cultura. ISBN 84-7846-781-5