Yume

filme de 1990 dirigido por Akira Kurosawa e Ishirō Honda

Yume (?) ou Sonhos [3]é um filme japonês de 1990, em coprodução americana, do cineasta, diretor e roteirista Akira Kurosawa [4]. O filme foi exibido no Festival de Cannes de 1990.Conta com as oito histórias distintas a seguir:[5]

Yume
Sonhos de Akira Kurosawa[1] (PRT)
Sonhos[2] (BRA)
 Japão /  Estados Unidos
1990 •  cor •  119 min 
Direção Akira Kurosawa
Roteiro Akira Kurosawa
Elenco Akira Terao
Mitsuko Baisho
Toshie Negishi
Martin Scorsese
Gênero drama
fantasia
Idioma japonês

Histórias[6][7]Editar

Um raio de sol através da chuva[8]Editar

Neste primeiro sonho, um garoto desacata o desejo de uma mulher, possivelmente sua mãe, para permanecer em casa durante um dia com tal clima. Escondido atrás de uma árvore na floresta, ele é testemunha de um lento processo de matrimônio do kitsune. Infelizmente, ele é descoberto por uma raposa e foge. Quando ele tenta voltar para casa, a mesma mulher diz que a raposa tinha vindo até a casa e deixado uma espada curta. A mulher diz que isso significa que o garoto deve suicidar-se porque as raposas estão bravas com o observador indesejado. Então, o garoto sai a caminho para cumprir sua missão.

O jardim das pessegueiras[9]Editar

Hinamatsuri, o Festival de Bonecas[10], ocorre tradicionalmente na primavera, quando as flores das pessegueiras estão totalmente abertas. Dizem que as bonecas que são exibidas nessa época são representativas, simbolizando as pessegueiras e suas flores rosas. A família de um garoto, entretanto, corta seu jardim de pessegueiras, fazendo com que o garoto sinta um forte senso de perda durante o festival do ano. Depois de ter sido censurado por sua irmã, o garoto descobre uma menina saindo pela porta da frente. Ele a segue para o jardim, agora podado, onde as bonecas da coleção de sua irmã ganharam vida e estão paradas em frente a ele nos declives do antigo jardim. As bonecas repreendem o garoto por ter cortado as preciosas árvores, mas após perceberem o quanto ele amava as flores, elas concordam em dar a ele a oportunidade de um último olhar para as pessegueiras através de uma lenta e bela dança.

A tempestade[11]Editar

Um grupo de alpinistas esforça-se para escalar uma montanha durante uma nevasca horrível, objetivando chegar a um acampamento. No entanto, devido aos fortes ventos, não conseguem enxergar direito e acabam se perdendo gradualmente um do outro. Por fim, não aguentam mais prosseguir e desmaiam. Aos poucos, o grupo é coberto pela neve, e ninguém mais tem forças para levantar, o que dá a entender que todos estão se entregando à morte. De repente, uma estranha mulher (possivelmente a Yuki-onna da mitologia japonesa) aparece do nada e, vendo que um dos homens ainda está vivo, tenta atraí-lo para a morte, dizendo que a neve e o gelo são confortáveis, dando a entender que ele poderia morrer tranquilamente. Entretanto, de alguma forma, a mulher não consegue cumprir seu objetivo, e o homem resiste ao encanto. Desistindo, ela desaparece em meio aos fortes ventos, e no mesmo instante a nevasca cessa. Então o homem, vendo que tudo passou, consegue se levantar e resgatar todos os outros alpinistas que quase morreram na neve. Ao olhar mais à frente de onde estão, eles avistam uma pequena bandeira vermelha: conseguiram chegar ao acampamento. Nesse sonho, podemos entender que o homem, perante à natureza, não significa nada.

O túnel[12]Editar

Um oficial do exército japonês está viajando por uma estrada ao anoitecer. Ele entra por um túnel de pedestres que está completamente escura e parece permanecer assim para sempre. De repente, um cachorro raivoso, com uma aparência quase demoníaca, corre para fora do túnel e o ameaça, desaparecendo logo depois de volta à escuridão do túnel. Levemente agitado, o oficial, todavia, prossegue através do túnel e sai do outro lado, mas então testemunha algo terrível - o yurei (fantasma japonês) de um dos soldados que ele tinha comandado na guerra vem para fora do túnel atrás dele, tendo o rosto, as mãos e as partes visíveis do corpo azúis pela morte. O soldado parece não acreditar que ele está morto, mas o oficial o convence a voltar para a escuridão do túnel. Quando o comandante pensa ter visto o pior, o terceiro pelotão que esteve sob seu comando marcha para fora do túnel. Ele tenta contar-lhes que estão mortos, e expressa seu profundo sentimento de culpa por deixá-los morrer na guerra. eles voltam, seguidos por uma segunda aparição do cachorro infernal, mas o homem continua seu caminho .

Corvos[13]Editar

Com a participação do diretor e cineasta Martin Scorsese como Vincent Van Gogh. Um estudante de artes descobre-se dentro do vibrante e por vezes caótico mundo dentro dos trabalhos de arte de Vincent Van Gogh durante uma visita a um museu de artes. Nas telas do artista, ele encontra o próprio Van Gogh em um campo aberto e conversa com ele. O estudante perde a trilha do artista (o qual está sem uma orelha, em referência ao episódio da auto-dilaceração cometida por Van Gogh, e já próximo do fim de sua vida) e viaja através de outros trabalhos tentando encontrá-lo. A pintura Campo de trigo com corvos é um elemento importante neste sonho.

Monte Fuji em chamas[14]Editar

A segunda seqüência de pesadelos do filme. Uma grande usina de energia nuclear próxima ao Monte Fuji começa a derreter, pintando o céu com um vermelho horrível e compelindo milhões de cidadãos japoneses a escapar desesperadamente pelo oceano. Três adultos e duas crianças são deixados para trás no local, mas logo percebem que a radiação os matará de qualquer forma. Um deles revela ser em parte responsável pelo ocorrido, e diz que "coloriu" as fumaças radioativas (conforme é visto) para distingui-las uma das outras. Logo depois, joga-se do penhasco por se sentir responsável pelas vidas perdidas.

O demônio que chora[15]Editar

Um homem se encontra vagando em torno de um nublado terreno montanhoso. Ele encontra com um ser estranho: um oni, que é na verdade um humano mutante com um chifre. O "demônio" explica que houve holocaustos nucleares que resultaram na perda da natureza e dos animais, enormes frutos e dentes-de-leão e humanos com chifres desenvolvidos, causadores de tanta agonia que você pode escutá-los uivando durante a noite. O demônio leva-o até um local onde vários outros demônios estão reunindo, chorando pela dor e agonia provocada pelos chifres. Este é, na verdade, uma recontagem pós-apocalíptica de uma clássica fábula budista de mesmo nome.

O vilarejo dos moinhos[16]Editar

Um jovem chega a um pacato vilarejo cercado por correntezas. O viajante encontra um velho ancião da vila, muito sábio, que está consertando a roda quebrada de um moinho. O ancião explica que as pessoas do seu vilarejo decidiram, há muito tempo, abrir mão da influência poluidora da tecnologia moderna e retornar para uma sociedade mais feliz e limpa. Eles escolheram a saúde espiritual a despeito da conveniência, e o jovem viajante fica surpreso e intrigado com esta noção.No final da seqüência que é também o final do filme, a procissão de um funeral de uma mulher ocorre no vilarejo, que ao invés de estar de luto, celebra contentemente o propício fim de uma boa vida. O ancião, que até então conversava com o jovem viajante, resolve acompanhar a procissão, não sem antes contar-lhe sobre algo que o jovem presenciou ao entrar na vila - crianças colhendo flores e colocando-as sobre uma pedra ao lado da trilha. O ancião diz que há muito tempo um homem havia morrido ali depois de muito sofrer, e desde então o ato de colocar flores sobre a pedra debaixo da qual foi sepultado se faz uma tradição do vilarejo. O viajante se despede do lugar repetindo o gesto das crianças.

ElencoEditar

Atores principaisEditar

Referências

  1. «Sonhos de Akira Kurosawa». no CineCartaz (Portugal) 
  2. «Sonhos». no AdoroCinema 
  3. www.amazon.com.br https://www.amazon.com.br/Sonhos-DVD-Akira-Terao/dp/B07QWYHD8W. Consultado em 11 de setembro de 2020  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. Pedras, Por Cristiano. «Sobre o filme "SONHOS" (1990), de Akira Kurosawa». Consultado em 11 de setembro de 2020 
  5. Kawanami, Silvia (20 de maio de 2020). «Filme 'Yume' (Sonhos) de Akira Kurosawa | Curiosidades do Japão». www.japaoemfoco.com. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  6. «'Sonhos', filme de Kurosawa, é exibido com trilha sonora ao vivo». Catraca Livre. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  7. Costa, Patrícia Tavares da (10 de dezembro de 2000). «A "Lógica Poética" de Vico, o Nascimento da Estética». Primeiros Escritos (3). 111 páginas. ISSN 2594-5920. doi:10.11606/issn.2594-5920.primeirosestudos.2000.104510. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  8. AdoroCinema, Sonhos, consultado em 11 de setembro de 2020 
  9. «SONHOS - Akira Kurosawa - DVD». Travessa.com.br. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  10. «Hina matsuri - Dia da Meninas | Curiosidades do Japão». www.japaoemfoco.com. 3 de março de 2013. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  11. Sá, Zé Felipe de. "Sonhos" de Akira Kurosawa: uma Leitura Junguiana (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  12. «Akira Kurosawa». www.ufscar.br. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  13. AdoroCinema, Sonhos, consultado em 11 de setembro de 2020 
  14. Fan, por Ritter (30 de agosto de 2018). «Crítica | Sonhos (1990)». Plano Crítico. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  15. «Sonhos | Akira Kurosawa». NIPOCULTURA. 18 de junho de 2008. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  16. «Sonhos | Akira Kurosawa». NIPOCULTURA. 18 de junho de 2008. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  17. AdoroCinema. «Toshie Negishi». AdoroCinema. Consultado em 11 de setembro de 2020 
  18. AdoroCinema, Sonhos, consultado em 11 de setembro de 2020 
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