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Éfeso (em grego clássico: Ἔφεσος; em latim: Ephesus; em turco: Efes) foi uma cidade grega antiga[1] [2] na costa de Jônia, três quilômetros a sudoeste de Selçuk, atual em província de Esmirna, Turquia. Foi construída no século X a.C. no local da capital anterior de Arzawa[3] [4] por colonos gregos jônicos. Durante a era grega clássica foi uma das doze cidades da Liga Jônica. A cidade floresceu depois que veio sob o controle da República de Roma em 129 a.C. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano, apenas atrás de Roma, a capital do império.[5][6] Tinha uma população de 250 000 habitantes no século I a.C., o que também fazia dela a segunda maior cidade do mundo na época.[6]

Pix.gif Éfeso *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

9.03 Curetes Street in Ephesus.JPG
País  Turquia
Critérios (iii)(iv)(vi)
Referência 1018
Coordenadas 37° 55' 45" N 27° 21' 34" E
Histórico de inscrição
Inscrição 2015  (39ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

A cidade era famosa pelo Templo de Ártemis (terminado ao redor 550 a.C.), uma das sete maravilhas do mundo antigo. Entre muitos outros edifícios monumentais estão a Biblioteca de Celso e um teatro capaz de abrigar cerca de 25.000 espectadores.[7] Éfeso era uma das Sete Congregações da Ásia Menor que são citadas no Livro de Apocalipse.[8] O Evangelho de João pode ter sido escrito aqui.[9] A cidade foi o local de vários conselhos cristãos do século V (ver Primeiro e Segundo Concílio de Éfeso).

A cidade foi destruída em 263 pelos godos, uma tribo germânica e, apesar de ter sido reconstruída, a importância da cidade como um centro comercial declinou conforme o porto foi lentamente assentado acima pelo rio Caístro. A cidade foi parcialmente destruída por um terremoto no ano de 614.

As ruínas de Éfeso são uma atração turística internacional e local, em parte devido ao seu fácil acesso a partir do Aeroporto Adnan Menderes ou do porto de cruzeiros de Kuşadası, cerca de 30 km ao sul. Em 2015, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) integrou Éfeso na lista do Património da Humanidade.[10]

Índice

HistóriaEditar

 
Ágora de Éfeso.
 
Teatro de Éfeso.

A cidade era célebre pelo Templo de Ártemis, construído por volta de 550 a.C., uma das sete maravilhas do mundo. O templo foi destruído, juntamente com muitos outros edifícios, em 401 d.C. por uma multidão liderada por São João Crisóstomo.[11] O imperador Constantino I reconstruiu boa parte da cidade e ergueu novos banhos públicos, porém a cidade foi novamente destruída parcialmente por um terremoto, em 614. A importância da cidade como centro comercial diminuiu à medida que o seu porto começou a ser assoreado pelo rio Caístro (Küçük Menderes, em turco). Éfeso foi uma das Sete Igrejas da Ásia citadas no livro bíblico do Apocalipse.[12] O Evangelho de João pode ter sido escrito na cidade,[9] onde também se encontra um grande cemitério de gladiadores.

Em Éfeso existia um dos maiores teatros do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores de uma população total estimada em cerca de 400 mil a 500 mil habitantes.[8] Era a quinta mais populosa cidade do império. Também em Éfeso surgiram as condições para uma mudança fundamental no pensamento do Ocidente, durante os séculos VII e I a.C. Éfeso e Mileto, também na Ásia Menor, são berços da filosofia. Em 133 a.C., Éfeso foi declarada capital da província romana da Ásia, mas pesquisas arqueológicas revelam que Éfeso já era um centro urbano antes de 1 000 a.C., quando era ocupada pelos jônios.[carece de fontes?]

 
Mapa do Reino da Lídia na antiguidade
localização de Éfeso e outras cidades do oeste da Anatólia

Sua riqueza, contudo, não era apenas material. Nela se destacavam iniciativas culturais como escolas filosóficas; escola de magos e muitas manifestações religiosas, sendo a mais significativa em torno de Ártemis; a deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da fertilidade. É dedicado a Ártemis o maior templo nela encontrado por arqueólogos austríacos. Ao lado do templo de Ártemis, com 80 metros de comprimento e 50 metros de largura, foram encontrados suntuosos palácios romanos. Outras descobertas incluem uma bela casa de banho, de mármore, com muitos quartos, a magnífica Biblioteca de Celso, a "Catacumba dos Sete Adormecidos", onde foram encontrados centenas de locais de sepultura, e um templo dedicado à adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador que exilou João Evangelista na ilha de Patmos e perseguiu os cristãos. Como é comum em praticamente todas as cidades ao redor do Mediterrâneo, também Éfeso acumulava em sua tradição traços religiosos orientais, egípcios, gregos, romanos e judaicos.[carece de fontes?]

O antigo geógrafo Estrabão, que viveu de 64 a.C. a 25 d.C., descreveu-a como "o maior centro de comércio exterior que havia na Ásia" (Geografia XII, 8 e 5). Os arqueólogos encontraram uma inscrição em pedra (talvez erigida por ordem do imperador), que premiava Éfeso como a "mais ilustre de todas as cidades" da Ásia.[carece de fontes?]

Nos tempos apostólicos, Éfeso foi uma das cidades do Império Romano onde o cristianismo mais se difundiu. Paulo de Tarso e João Evangelista pregaram na cidade. A igreja que havia em Éfeso no fim do século I d.C. foi uma das sete igrejas mencionadas no Apocalipse, juntamente com Esmirna, Pérgamo, Sardes, Tiatira, Filadélfia (atual Alaşehir) e Laodiceia no Licos. A cidade também foi sede de dois concílios (o Primeiro e o Segundo Concílio de Éfeso). Nela se localizam ruínas da basílica de São João, o Teólogo.[carece de fontes?]

MitologiaEditar

De acordo com Ferecides de Leros, citado por Estrabão, Éfeso era ocupada pelos cários [13] (e pelos léleges [14]), e, quando houve a migração dos jônios para a região, a cidade de Éfeso foi fundada por Androclus, filho legítimo de Codro, o líder dos jônios,[13] que expulsou os cários e léleges.[14] Éfeso tornou-se o local do palácio real dos príncipes dos jônios, e a cidade ainda era governada por seus descendentes à época de Estrabão.[13]

Antigamente, Éfeso também se chamava Esmirna, do nome da amazona Esmirna, que havia tomado posse de Éfeso, porém mais tarde Esmirna foi fundada por habitantes de Éfeso.[15]

PersonalidadesEditar

Dentre as personalidades naturais de Éfeso, destacam-se:

Rua que vai ao porto de Éfeso.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Michael Gagarin (2010). The Oxford Encyclopedia of Ancient Greece and Rome. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 2–. ISBN 978-0-19-517072-6. Historical Overview A Greek city-state on the Aegean coast of Asia Minor, at the mouth of Cayster River (Küçük Menderes), Ephesus ... 
  2. Carlos Ramirez-Faria (1 de janeiro de 2007). Concise Encyclopeida Of World History. [S.l.]: Atlantic Publishers & Dist. ISBN 978-81-269-0775-5 
  3. Hawkins, J. David (2009). «The Arzawa letters in recent perspective». British Museum Studies in Ancient Egypt and Sudan. pp. 73–83 
  4. Sharon R. Steadman; Gregory McMahon; John Gregory McMahon (15 de setembro de 2011). The Oxford Handbook of Ancient Anatolia: (10,000-323 BCE). [S.l.]: Oxford University Press. p. 366 and 608. ISBN 978-0-19-537614-2. In the case of such settlements as Miletus and Ephesus, as implied, the Greeks chose the sites of former Anatolian cities of prominence 
  5. Quezi: Ephesus
  6. a b Oklahoma Christian University: Ephesus
  7. «accessed 14 de setembro de 2007». Penelope.uchicago.edu. Consultado em 20 de abril de 2009 
  8. a b Ring, Trudy; Salkin, Robert (1995). «Ephesus». International Dictionary of Historic Places: Southern Europe. London: Fitzroy Dearborn. p. 217. ISBN 978-1-884964-02-2 
  9. a b Harris, Stephen L., Understanding the Bible, Palo Alto, Mayfield, 1985.
  10. publico.pt. «UNESCO soma 24 sítios à lista do património mundial». Consultado em 7 de maio de 2015 
  11. John Freely, The Western Shores of Turkey: Discovering the Aegean and Mediterranean Coasts, 2004, p. 148.
  12. 2:1–7
  13. a b c Estrabão, Geografia, Livro XIV, Capítulo 1, 3 [fr] [en] [en] [en]
  14. a b Estrabão, Geografia, Livro XIV, Capítulo 1, 21 [fr] [en] [en] [en]
  15. Estrabão, Geografia, Livro XIV, Capítulo 1, 4 [fr] [en] [en] [en]
  16. a b c d e f Estrabão, Geografia, Livro XIV, Capítulo 1, 25 [fr] [en] [en] [en]

Ligações externasEditar