Abrir menu principal

A Acção Realista Portuguesa, herdeira da Acção Tradicionalista Portugueza de 1921[1], foi uma organização política monárquica de Portugal do final da Primeira República Portuguesa.

Ideologia e historialEditar

Conjugava as doutrinas tradicionalistas com o apoio ao deposto rei D. Manuel II, que reinava segundo a Carta Constitucional, distinguindo-se assim dos integralistas lusitanos e dos miguelistas que eram apoiantes do ramo de D. Miguel banido pela Convenção de Évora Monte[2].

Este surge de uma cisão de Alfredo Pimenta e Caetano Beirão com o Integralismo Lusitano por este se ter desvinculado então da obediência a D. Manuel II, durante um período a que chamaram de «interregno», em que foram estabelecida negociações com o Partido Legitimista, onde decidem passar a obedecer politicamente e a apoiar as pretensões ao trono de Duarte Nuno de Bragança[3] seu representante genealógico para a causa miguelista.

Sendo assim criada em 8 de Dezembro de 1923, a Acção Realista Portuguesa, independente da Causa Monárquica que estava subordinada ao lugar-tenente de D. Manuel II através de Aires de Ornelas[4].

Doutrina realistaEditar

No seu programa doutrinário monárquico era nacionalista e tradicionalista, onde o rei exercia efectiva autoridade política e governativa, apoiado numa aristocracia, no poder espiritual da Igreja Católica, e no povo que se governava a si mesmo em cada município, graças às prerrogativas existentes em cada carta de foral e que permitiam este auto-governo. Veiculava também as concepções orgânicas sobre a soberania e representação não parlamentar do tipo tradicional, colocando ao mesmo nível a monarquia constitucional e a república que se opunham[5].

RealistasEditar

Liderado por Alfredo Pimenta e Caetano Beirão, assinaram também com eles o primeiro manifesto da nova organização, publicado no Correio da Manhã em 28 de Julho de 1921, Alberto Ramires dos Reis, Luís Rufino Chaves Lopes e Mateus de Oliveira Monteiro (o chamado Grupo dos Cinco)[6].

Depois juntaram a esse grupo António Cabral, ex-ministro da monarquia, João Ameal[7] e Caetano Beirão, dissidente do Integralismo Lusitano[8], Fernando Campos, Ernesto Gonçalves, Joaquim Guilherme Santos Silva e Alfredo de Freitas Branco[9] e Laertes de Figueiredo[10][11].

Jornal e revistaEditar

A partir de 10 de Dezembro de 1921 publicaram um jornal mensal intitulado Acção Realista[12] (cujo director era Ernesto Gonçalves), um semanário com o título de A Voz Nacional (dirigido por Luís Chaves). Em 1926, o primeiro passa a ser diário, à frente do qual esteve João Ameal[13].

Notas

  1. O integralismo lusitano nas origens do salazarismo, Manuel Braga da Cruz, Análise Social vol XVIII (70), 1982-1.º, pág.s 143 e 144
  2. Respublica: Repertório Português de Ciência Política
  3. Foram muitos os monárquicos que se sentiram traídos pelas hesitações e ambiguidades demonstradas pelos representantes oficiais de D. Manuel II no País durante as sublevações monárquicas que culminaram com a Monarqua do Norte, fazem a cisão dinástica a 19 de Outubro de 1919 - O integralismo lusitano nas origens do salazarismo, Manuel Braga da Cruz, Análise Social vol XVIII (70), 1982-1.º, pág.s 143 e 144
  4. Há quem diga que a sua génese terá estado uma recusa de mesmo Ornelas em aceder a um pedido de Alfredo Pimenta para integrar a Causa Monárquica - Respublica: Repertório Português de Ciência Política.
  5. A contra-revolução na I República, 1910-1919, Miguel Dias Santos, Imprensa da Univ. de Coimbra, 2010, pág. 214, 215 e 226
  6. O integralismo lusitano nas origens do salazarismo, Manuel Braga da Cruz, Análise Social vol XVIII (70), 1982-1.º, pág.s 143 e 144
  7. João Ameal, in Infopédia, Porto Editora, Porto, 2003-2012 (Consult. 2012-08-23)
  8. Cf. Caetano Beirão, na Infopedia.
  9. O integralismo lusitano nas origens do salazarismo, Manuel Braga da Cruz, Análise Social vol XVIII (70), 1982-1.º, pág.s 143 e 144
  10. A contra-revolução na I República, 1910-1919, Miguel Dias Santos, Imprensa da Univ. de Coimbra, 2010, pág. 232
  11. Figueiredo, Laertes de, Hemeroteca Municipal de Lisboa, 2005
  12. Cf. Acção Realista no catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal.
  13. O integralismo lusitano nas origens do salazarismo, Manuel Braga da Cruz, Análise Social vol XVIII (70), 1982-1.º, pág.s 143 e 144

Fontes bibliográficasEditar