Abrir menu principal
Adelino Sassi
Casa Sassi

Adelino Sassi (Caxias do Sul, 12 de outubro de ? — Caxias do Sul, 13 de agosto de 1948) foi um colonizador, latifundiário, comerciante, industrial e político brasileiro. Ativo também em Porto Alegre, deixou sua marca mais forte em sua cidade natal, onde ao lado de suas atividades empresariais desempenhou uma série de funções de destaque na sociedade civil, sendo lembrado como um patriota e um cidadão benemérito.

Era filho de Giuseppe Sassi, imigrante italiano. Lançou-se na indústria do vinho ainda no fim do século XIX, conseguindo rapidamente construir uma grande empresa e tornando-se um dos maiores empresários caxienses do setor nas primeiras décadas do século XX,[1] além de abrir uma casa comercial de secos e molhados, fazendas, louças, ferragens, produtos coloniais e miudezas.[2]

Sua liderança abriu-lhe o caminho para ocupar várias posições de relevo na comunidade. Integrou a Diretoria por vários anos e foi presidente (1912-1913) da Associação dos Comerciantes,[3][4] entidade que reunia a elite do empresariado, exercia grande influência política e determinava os rumos da economia caxiense, considerado "um dos braços fortes da Associação" e tendo sua gestão elogiada pelos "relevantíssimos serviços prestados".[5] Foi um dos idealizadores,[6] o principal organizador[7] e primeiro presidente (1927-1928) do Sindicato Viti-Vinícola do Rio Grande do Sul,[8] cujo braço comercial, a Sociedade Vinícola Rio-Grandense, viria a ser o maior produtor e exportador de vinho do Brasil e desempenharia papel fundamental na modernização e profissionalização do setor, estimulando a introdução de novas castas viníferas, estabelecendo novos parâmetros técnicos e sanitários e reorganizando o sistema de comércio do produto.[6][1]

Foi também membro do Diretório e presidente do Conselho Consultivo do Partido Republicano Rio-Grandense, dirigente do Centro Republicano e do Grêmio Republicano Liberal Guilherme Flores da Cunha,[9][10][11][12] membro da Diretoria da Liga Pró-Pátria e Aliados e da Comissão de Propaganda do Préstito Italiano,[13][14] conselheiro municipal e vice-presidente do Conselho,[15][16] coronel da Guarda Nacional,[17] membro da Comissão de Alistamento Militar,[18] agente da companhia de seguros Aliança da Bahia,[19] conselheiro do Clube Juvenil[20] e membro da Diretoria da Festa da Uva de 1934 e de 1937.[21][22]

Viajava com frequência à capital do estado, onde viveu por algum tempo, dedicando-se ao comércio de exportação e a sociedades com companhias de seguros e de navegação,[23][24] e ali foi membro do Sub-Comitê Misto Rio-Grandense de Companhias de Seguros,[25] e um dos fundadores da Sociedade Ervateira do Rio Grande.[26] Além disso, teve terras na zona rural caxiense,[27] e foi um dos sócios da Sociedade Territorial Sul Brasileira H. Hacker & Cia., que em parceria com outras empresas desenvolveu a colonização da região catarinense do Contestado, incluindo áreas em Bom Retiro, Leãozinho, Capinzal, Rio do Peixe, Uruguai, Campos Novos e Concórdia.[28] Nesta mesma região foi proprietário da Fazenda Bom Retiro, que deu origem à cidade de Luzerna.[29]

Sempre interessado pelos problemas da comunidade, foi ativo colaborador da Associação Damas de Caridade, fundadora do Hospital Pompeia, sendo um dos paraninfos de sua inauguração,[30][31] um dos fundadores e dirigente do Centro Municipal da Legião Brasileira de Assistência,[32] membro do Conselho Consultivo do Orfanato Santa Teresinha,[33] um dos fundadores e presidente do Centro dos Amigos de Caxias[34] e membro de várias comissões municipais para tratar de interesses caxienses, como a reurbanização da Praça Dante Alighieri, a instalação da nova sede dos Correios, a construção da Usina do Lajeado Grande e a construção do primeiro campo de aviação.[35][36][37][38]

Adelino Sassi foi destacado em um grande álbum comemorativo dos 50 anos da imigração italiana no estado, publicado pelo Governo do Rio Grande do Sul em associação com o Consulado da Itália, onde foram-lhe dirigidos exaltados elogios pela sua dedicação ao trabalho e o seu caráter reto, chamado de "patriota autêntico", gozando em Caxias de "uma posição invejável", "buscando sempre ser útil à comunidade", personificando "o triunfo da vontade dirigida não apenas a fins utilitários, mas também aos mais nobres e altos da vida", e constituindo "uma família italiana modelar".[39]

Seu desaparecimento em 13 de agosto de 1948 causou grande consternação, sendo muito louvado em obituários e em um poema do acadêmico Cyro de Lavra Pinto.[40][41] A casa que ergueu na Praça Dante Alighieri, um representativo exemplo da arquitetura eclética, foi tombada pela Municipalidade,[42] que atribuiu ainda seu nome a uma rua. Foi casado com Amabile, filha de Romano Lunardi, deixando descendência.[43]

Referências

  1. a b Valduga, Vander. "Estado e turismo: a construção do patrimônio do vinho no RS (Brasil) de 1900 a 1930". In: IX Seminário da Associação Nacional Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo. Universidade Anhembi Morumbi, 30/08-01/09/2012
  2. "Ao Mais Barato". O Regional, 30/01/1935
  3. "Telegrammas". Cidade de Caxias, 16/03/1912
  4. "Associação Commercial de Caxias". A Época, outubro de 1949 — edição especial de aniversário
  5. "Homenagem Associação dos Commerciantes de Caxias". Città di Caxias, 06/04/1918
  6. a b Cavagnolli, Anelise. Os Parceiros do Vinho: a vitivinicultura em Caxias do Sul 1911-1936. Dissertação de Mestrado. UFP, 1989, pp. 36; 142-148
  7. "Syndicato Vinicola". O Regional, 12/10/1927
  8. "Syndicato Vinicola". O Regional, 21/11/1927
  9. "A successão intendencial de Caxias". O Brasil, 27/07/1924
  10. "Hospedes e viajantes". O Brasil, 08/09/1924
  11. "Proclamação". O Brasil, 27/07/1924
  12. "A Diretoria do Grêmio Republicano Liberal Guilherme Flores da Cunha". O Momento, 06/01/1933
  13. "O emprestimo italiano". Città di Caxias, 23/03/1918
  14. "Cronaca di Caxias". Città di Caxias, 20/01/1918
  15. "Lei nº 8". Correio do Municipio, 31/01/1909
  16. "Editaes". O Brasil, 11/08/1924
  17. "No Recreio da Juventude". O Regional, 11/09/1926
  18. "Editaes". Correio do Municipio, 07/01/1909
  19. "Alliança da Bahia". Città di Caxias, 09/03/1914
  20. "Club Juvenil". Città di Caxias, 25/01/1913
  21. "A Festa da Uva de 1934". O Momento, 08/01/1934
  22. Giron, Loraine Slomp. "Lembranças da Festa da Uva de 1937". História Daqui, 24/05/2014
  23. "Viajantes". O Momento, 09/01/1936
  24. "Chegou do Rio de Janeiro o Cel. Adelino Sassi". O Momento, 25/01/1937
  25. "Sub-Comitê Mixto Rio Grandense de Companhias de Seguros". O Regional, 30/04/1927
  26. "Sociedade Hervateira do Rio Grande Ltda." O Momento, 02/05/1933
  27. "Bom negócio". Città di Caxias, 21/08/1917
  28. Thomé, Nilson. História do Contestado: A Ocupação do Território Contestado após 1917. Universidade do Contestado, 14/02/2009
  29. "São João Batista". Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, 04/04/2013
  30. "Associação Damas de Caridade". A Época, 13/08/1951
  31. "Terá lugar amanhã a inauguração do Hospital de Caridade N. S. de Pompeia". O Momento, 23/12/1940
  32. "Legião Brasileira de Assistencia". O Momento, 19/12/1942
  33. "Orfanato Sta. Terezinha". O Momento, 07/09/1946
  34. "Proclamada oficialmente a candidatura do sr. Dante Marcucci". O Momento, 26/09/1935
  35. "Os serviços de remodelação Praça Dante". O Momento, 15/08/1935
  36. "Edificio para Correio e Telegrafo". O Momento, 09/08/1934
  37. "A Posse da Nova Diretoria da Ass. dos Comerciantes". O Momento, 29/11/1934
  38. "Campo de Aviação Militar". O Momento, 11/09/1933
  39. Cichero, Lorenzo (org). Cinquantenario della Colonizzazione Italiana nel Rio Grande del Sud, 1875-1925. Comitato pro Cinquantenario [Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Consulado da Itália], Vol. II, 1925. Edição fac-similar de Pozenato Arte & Cultura, 2000, p. 13
  40. "Adelino Sassi". O Momento, 21/08/1948
  41. Pinto, Cyro de Lavra. "Cel. Adelino Sassi". O Momento, 21/08/1948
  42. Mezzalira, Heloísa. Memórias de Caxias do Sul pelo viés do Patrimônio Tombado. FUNDOPROCULTURA, 2008, p. 43
  43. "Hygino Lunardi". A Época, 09/02/1941

Ver tambémEditar