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Padre Alfredo Kobal
Padre Alfredo Kobal no sepultamento do Coronel Fulgêncio em Minas Gerais durante a Revolução de 1932.
Nome completo Alfredo Cristóvão Kobal
Nascimento c. 1892
Celje,
Império Austríaco Eslovênia
Morte 21 de setembro de 1947
Miradouro,
Minas Gerais, Brasil
Nacionalidade esloveno
Ocupação religioso

Alfredo Cristóvão Kobal, nascido Alfred Krištof Kobal, (Celje, Eslovênia, c. 1892Miradouro, 21 de setembro de 1947) foi um religioso esloveno radicado no Brasil.[1]

Índice

BiografiaEditar

Nascimento e Primeiros AnosEditar

Nasceu na cidade de Celje, região da Estíria, na Eslovênia, época em que a região ainda compunha parte do Império Austro-Húngaro.[Nota 1] Era filho de Marko Kobal, oficial da Cavalaria Austríaca, natural da Eslovênia italiana, cidade de Gorizia, e Anna Heger, checa, natural de Vessely, na província da Morávia. Todos os filhos do casal, inclusive Padre Alfredo, seguiram a carreira esclesiástica.[2]

Quando ainda jovem, se alistou e serviu o Exército Austríaco, quando a explosão da Primeira Guerra Mundial, foi convocado para o fronte. Desempenhava o cargo de chefe do Regimento 127 da Infantaria Austríaca, e também desempenhou a guarda do imperador Francisco José I.[3] Seriamente atingido por um estilhaço de granada no braço direito, foi acometido de uma gangrena, que o levaria a amputar o mesmo braço.[2] Católico como era, fez a promessa que se se salvasse de tal mal, devotaria sua vida ao Serviço Divino.

Curado da ferida no braço direito, já dispensado do Exército, entrou para a Escola de Teologia da Gorizia, na Itália, onde mais tarde seria ordenado Padre Capuchinho. Já ordenado sacerdote, ainda foi nomeado durante a Guerra como Capelão Capitão da Cavalaria Austríaca. Ainda desempenhou em Europa, durante a Guerra, o cargo de Provincial por Schwamberg, na Áustria.

Imigração Para o BrasilEditar

Acabada a guerra, por motivos sociais, políticos e econômicos, resolve deixar a Europa, assim como muitas outras pessoas, passando pela Itália, e de lá seguindo para o Brasil.Em 1920 toma o vapor Principe di Udine, na cidade de Gênova, desembarcando no porto de Santos[3][4] no dia 8 de junho do mesmo ano.[Nota 2] Pouco depois se encaminha para a cidade de São Paulo, onde vive por um tempo com seu tio, também imigrante, o comerciante e madeireiro João Kobal.

LegadoEditar

Em 1925 é nomeado pelo bispo da Campanha, D. Inocêncio Engelke, para vigário da Paróquia de São Gonçalo do Sapucaí, sul de Minas Gerais.[5] Desempenha este cargo até 1927, quando é enviado a Lambari. Em 1930, é mandado a Virgínia, e aí permaneceria até a Revolução Constitucionalista de 1932, quando se oferece como voluntário para ordenar missas e salvamentos no front, na Região do Túnel, em Passa Quatro.[2] Sua atuação nas frentes de combate lhe renderam grande reconhecimento da mídia da época, em especial pelos seus gestos de bondade para com os soldados, distribuindo cigarros entre estes nas trincheiras, ou mesmo doando sangue para transfusão em soldados feridos.[6] Aí conhece o ainda médico da Força Pública Mineira e futuro Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, o qual se torna seu grande amigo.[7] Também se tornou amigo de José Alcino Bicalho, político e diplomata natural da cidade de Miradouro (Minas Gerais) e Benedito Valadares,[2] que mais tarde seria então governador do estado de Minas Gerais. Sua atuação na região do túnel em Passa Quatro mais tarde lhe rendera a nomeação ao cargo de capitão da Força Pública Mineira, sendo nomeado em 13 de outubro de 1932,[8] pouco depois do término dos combates da Revolução Constitucionalista de 1932.

Últimos Anos de Vida e MorteEditar

Com o fim da revolução, vai para Belo Horizonte, onde ainda viria tomar por frente a Paróquia de Santa Efigênia. Seus últimos trabalhos eclesiásticos foram nas cidades mineiras de Muriaé e Miradouro, onde morreu.[1]

NotasEditar

  1. Algumas citações biográficas atribuem a Padre Alfredo a nacionalidade austríaca por politicamente esta região ser pertencente ao Império Austro-Húngaro, antes de sua dissolução.
  2. Padre Alfredo consta como o número 173 na lista de passageiros, tendo se identificado como Cristóforo Kobal, sacerdote, 28 anos

Referências

  1. a b «Necrológico - Lista de Sacerdotes». Diocese Leopoldina. Consultado em 20 de junho de 2012 
  2. a b c d «Fez-se sacerdote por ter escapado da mutilação». A Noite. 6 páginas. 3 de abril de 1939. Consultado em 21 de setembro de 2013 
  3. a b «Nas linhas de frente em Minas». A Noite: capa. 11 de agosto de 1932. Consultado em 21 de setembro de 2013 
  4. «Lista geral de passageiros» (PDF). Museu da Imigração. Consultado em 25 de setembro de 2013. Arquivado do original (PDF) em 28 de setembro de 2013 
  5. Noviello, Celeste (1995). Minha Terra. Três Corações: Excelsior Gráfica e Editora 
  6. «Muito apreciado o gesto do Padre Christovam Kobal». Jornal do Brasil. 8 páginas. 31 de julho de 1932 
  7. «Padre Kobal». Portal da Minissérie JK - Rede Globo. Consultado em 15 de maio de 2012. Arquivado do original em 26 de abril de 2011 
  8. «Honras de capitão aos capellães militares mineiros». A Noite: capa. 17 de outubro de 1932