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Antónia Rodrigues
Nascimento 1580 (aproximadamente)[1]
Aveiro,[1] Portugal
Nacionalidade portuguesa
Ocupação Militar da Coroa Portuguesa

Antónia Rodrigues (Aveiro, 1580local e data da morte desconhecidos) foi uma militar e heroína portuguesa.[1] Por sua coragem e bravura, bem como pelos seus feitos realizados a serviço da Coroa Portuguesa, recebeu várias honrarias e foi apelidada de «Cavaleira Portuguesa».[2][nota 1]

Índice

Militar da Coroa PortuguesaEditar

AntecedentesEditar

Natural da Freguesia da Apresentação, em Aveiro, Antónia Rodrigues era filha de Simão Rodrigues Mareares, marinheiro, e de Leonor Dias.[1] Nasceu numa família de recursos limitados e ainda jovem, aos doze anos, foi levada por seus pais para Lisboa,[1] para a companhia de uma irmã casada, com a qual não se deu bem em virtude da sua índole livre e insubmissa e dos tratamentos ríspidos da sua irmã.[1]

Aos doze anos e com o pouco dinheiro de que dispunha, corta os cabelos louros que a emolduravam,[3] compra vestimenta típica de marinheiros e disfarça-se de rapaz.[1] Então, denominando-se António Rodrigues ajusta-se com o mestre de uma caravela carregada de trigo para Mazagão, Marrocos, o qual a emprega como grumete.[1][nota 2]

Militar condecoradoEditar

Depois da viagem, alista-se na infantaria local, na qual adquire habilidades no manejo das armas e alcança o comando de uma tropa contra uma invasão de mouros. Entra vitorioso em Mazagão e é triunfalmente aclamado e integrado à cavalaria da praça. Por suas seguidas e brilhantes atuações militares, fica conhecido como o «terror dos mouros» e ganha a estima e o respeito de todos.

No decorrer dos factos, uma donzela filha de um cavaleiro apaixona-se pelo valente «soldado» e, devido ao seu prestígio, o pai pede-lhe que case com sua filha. O assédio de várias jovens fidalgas portuguesas da época para que o jovem oficial as desposasse obriga a heroína a confessar a verdade ao Provisor do Eclesiástico, cinco anos depois. Após a revelação da sua verdadeira identidade, Antónia resolve mudar as suas atividades militares e tornar-se uma cidadã civil comum. Pouco depois, casa-se com um ex-colega de armas e regressa a Portugal, onde o rei Filipe II a recompensa pelos serviços prestados, conferindo-lhe diversas condecorações reais tanto a ela como a sua família.

No livro «Corografia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal», de 1708, há o seguinte relato:

«Antónia Rodrigues, chamada vulgarmente Antónia de Aveiro, achava-se esta donzela em Lisboa em casa de uma irmã casada, que a tratava mal, e tendo aos doze anos de idade um espirito muito varonil, se vestiu de grumete e embarcou para Mazagão. Ali assentou praça de soldado com o nome de António Rodrigues, e se fez em pouco tempo tão destra em todas as armas que a passou o capitão ao soldo e milícia de cavalaria, na qual achando-se com valor conhecido em muitas pelejas era amada e respeitada em toda aquela praça. Passados cinco anos que sempre em cautela se soube recatar, ela mesma foi dizer ao Provisor que era mulher. E casando com um cavalheiro dos principais da vila, veio à corte requerer seus serviços, que El Rey premiou com tença, como aos melhores soldados (...)»[5][nota 3]

A partir de então a sua vida ficou envolta em mistério e pouco se sabe sobre seus dados familiares, bem como a data e o local da sua morte.

Notas e referências

Notas

  1. Alguns autores a denominaram «a Amazona de Mazagão».[2]
  2. Grumete: marinheiro iniciante na armada. Do francês arcaico gromet.[4]
  3. Tença: pensão dada em remuneração por bons serviços prestados.[6]

Referências

  1. a b c d e f g h O Archivo popular, Volume 2. [S.l.]: A.J.C. Da Cruz. 1838 
  2. a b António Maria José de Melo César e Meneses Sabugosa (conde de). Neves de Antanho. Lisboa: Livraria Bertrand. 315 páginas 
  3. Arquivo do Distrito de Aveiro, Volume 40. [S.l.: s.n.] 1974 
  4. «grumete». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Priberam Informática 
  5. Costa, António Carvalho da (1708). Corografia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal. [S.l.: s.n.] 
  6. «tença». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Priberam Informática