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Arlindo Vicente
Nascimento 5 de março de 1906
Troviscal (Oliveira do Bairro)
Morte 24 de novembro de 1977 (71 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Direito, Pintura

Arlindo Augusto Pires Vicente (Troviscal (Oliveira do Bairro), 5 de março de 1906 — Lisboa, 24 de novembro de 1977) foi um advogado e pintor português.

Personalidade multifacetada, advogado, pintor autodidata, militante antifascista e declarado opositor ao Regime do Estado Novo, Arlindo Vicente destaca-se de modo particular no panorama político e cultural português entre as décadas de 1930 e 1950.

Pertence à segunda geração de pintores modernistas portugueses.[1]

Biografia: Santos, Miguel Dias, Arlindo Vicente e o Estado Novo. História, Cultura e Política. Coimbra, IUC, 2006.

BiografiaEditar

 
Retrato de João Gaspar Simões, carvão sobre papel, 62,5 x 50 cm

Frequenta o ensino secundário em Aveiro. Em 1926 matricula-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, curso que abandona. Frequenta o curso de Direito na Universidade de Lisboa, terminando essa licenciatura em Coimbra (1932).[2]

Embora sem formação específica na área, irá dedicar-se ao campo das artes, sendo autor de uma obra significativa de desenho e pintura. Em 1927 participa na organização do 1.º Salão de Arte dos Estudantes da Universidade de Coimbra. Participa no 1º e no 2º Salão dos Independentes (SNBA, Lisboa, 1930 e 1931), na Exposição dos Artistas Modernos Independentes (Casa Quintão, Chiado, Lisboa, 1936), em quase todas as Exposições Gerais de Artes Plásticas (exceto 1954 e 1955), ou em Salões da Sociedade Nacional de Belas Artes (onde desempenha cargos diretivos). Colabora nas revistas Presença, Bandarra e Acção.[3][4]

A sua oposição ao regime do Estado Novo coloca-o desde cedo em rota de colisão com o poder político. Ao longo das décadas de 1930 e 1940 dedica-se quase em exclusivo à advocacia, destacando-se na defesa de vários democratas e antifascistas perante os tribunais da ditadura. No período de maior dinamismo do Movimento de Unidade Democrática (MUD), Arlindo Vicente participa na luta antifascista; contribui ativamente para a candidatura do professor Ruy Luís Gomes à Presidência da República (1951). Em 1957, integra a lista da Oposição Democrática à Assembleia Nacional e, em 1958, disputa a campanha nas eleições para a Presidência da República, desistindo da candidatura a favor de Humberto Delgado. Em 1961 é detido sob acusação de atos subversivos, sendo condenado a 20 meses de prisão correcional e 5 anos de inibição de direitos políticos.[5][6]

Em 1970, Arlindo Vicente decide trocar a advocacia pela pintura e, nesse mesmo ano, realiza a primeira exposição individual na SNBA; quatro anos mais tarde ali volta a expor 70 obras.[7]

A 24 de setembro de 1983, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.[8]

Encontra-se representado com a obra "Os Ciganos", 1974, no Museu da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro, em Águeda.

Referências

  1. França, José Augusto - A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 317
  2. Gaspar Albino. «Arlindo Vicente». Consultado em 18 de agosto de 2013 
  3. França, José Augusto - A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 99, 196, 199, 213, 219, 317, 365, 579
  4. Jornal Avante!. «Arlindo Vicente». Consultado em 18 de agosto de 2013 
  5. Gaspar Albino. «Arlindo Vicente». Consultado em 18 de agosto de 2013 
  6. Jornal Avante!. «Arlindo Vicente». Consultado em 18 de agosto de 2013 
  7. Gaspar Albino. «Arlindo Vicente». Consultado em 18 de agosto de 2013 
  8. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Arlindo Vicente". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 9 de julho de 2019