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Comores
Ano 2014[1]
Católicos 7.761 (0,7%)
População 1.081.993
Paróquia 2[2][3] (3, se contada a paróquia localizada em Mayotte)[4]
Presbíteros 7
Religiosos 7
Religiosas 11
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Gilbert Guillaume Marie-Jean Aubry[5]
Núncio apostólico Paolo Rocco Gualtieri[6]
Códice KM

A Igreja Católica em Comores é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Este é um país onde quase a totalidade da população é muçulmana (98%), sendo o catolicismo a maior das religiões minoritárias, ainda que represente menos de 1% do total.[2][7] Ainda que a constituição preveja a liberdade religiosa, o governo continua a infringir esse direito.[3] Comores foi considerada pela ONG Portas Abertas como a região mais difícil do mundo para se evangelizar.[8]

Índice

HistóriaEditar

A presença missionária em Comores foi iniciada em 1935, com a chegada dos jesuítas, seguidos pelos espiritanos, capuchinhos e enfim pelos salvatorianos. Dom Charles Mahuza Yava, primeiro Vigário Apostólico eleito do arquipélago foi ordenado em 19 de junho de 2010. Participaram da cerimônia o chefe de Estado, primeiro ministro do país. Em 1° de maio de 2010 o Papa Bento XVI elevou a Administração Apostólica de Comores a Vicariato Apostólico; com a nova denominação de Comores, a mesma configuração territorial foi mantida.[9]

No final de julho de 2018, foi realizado no país um referendo com relação a uma reforma constitucional. O objetivo foi escolher qual a religião oficial do país, com a vitória do "sim", o que declarou o estado islâmico sunita. A constituição foi alterada e foram estabelecidos princípios e regras para o cumprimento dessa religião. Uma fonte local afirmou que a decisão deve ter um forte impacto sobre a minoria cristã.[10]

AtualmenteEditar

A prática pública do cristianismo é proibida, embora a Constituição de Comores permita a liberdade de culto, e o país há mais de 22 anos é incluído no World Watch, pela perseguição dos cristãos. Os cristãos não têm permissão para construir igrejas e são proibidos de distribuir materiais religiosos como a Bíblia.[2][8] Há apenas duas igrejas católicas no território comoriano, e nenhuma diocese.[2] As autoridades governamentais proíbem os cristãos de proselitismo; no entanto, não houve casos conhecidos em que as autoridades locais e a população restringiram o direito dos cristãos de praticar outros aspectos de sua fé. Existe uma discriminação generalizada da sociedade contra os cristãos em todos os setores da sociedade.[3][7] Oficiais do governo obrigam pais a enviarem seus filhos para as madraças e ali líderes muçulmanos ensinam sentimentos anticristãos.[10]

Muitos cristãos praticam sua fé em suas próprias casas. Os estrangeiros podiam praticar sua fé, mas não podiam tentar converter os locais. Se pego fazendo proselitismo para outras religiões que não o islamismo, os estrangeiros são deportados.[7][3][8] Os cidadãos que fazem proselitismo vão a julgamento e estão sujeitos a prisão. Em 29 de maio de 2006, quatro homens foram condenados a três meses de prisão por "evangelizar muçulmanos". Uma mulher também foi condenada, mas recebeu uma sentença suspensa de três meses. Eles haviam sido presos uma semana antes por sediar debates religiosos cristãos em uma residência particular.[3][8] "Não podendo fazer proselitismo os 6 mil católicos do Vicariato são formados por imigrantes, na maioria malgaxes. Temos somente um comorense que se converteu ao catolicismo, tendo como nome Jesus. A escolha trouxe para ele a distância da família e do centro hereditário", afirma o vigário apostólico das ilhas.[9]

A Caritas Comores tem duas áreas de intervenção: a primeira atua na área de saúde, com um centro de saúde e 12 postos de primeiros socorros nas três ilhas que formam o país. Fontes da própria instituição afirmam que cerca de 270 mil pessoas por ano usam essas unidades de saúde. A Caritas também administra um centro de recepção e apoio para pessoas carentes e um centro de nutrição. O setor da saúde emprega 65 pessoas. A segunda diz respeito à autopromoção feminina, incluindo três centros que acolhem uma média de 300 mulheres e meninas, promovendo-as alfabetização, costura e bordados e cursos de culinária.[4]


Dom Charles Mahuza Yava, vigário apostólico de Comores afirma que "a Igreja Católica é muito apreciada pela população local que é inteiramente muçulmana, pelas atividades caritativas e de promoção humana", em particular o hospital é muito apreciado pela população, por causa da qualidade da assistência e dos agentes. Atualmente no Vicariato Apostólico trabalham 5 salvatorianos (três sacerdotes religiosos congoleses, um sacerdote religioso belga, um irmão tanzaniano e um congolês) e por um sacerdote religioso indiano das Missões Exteriores de Paris (MEP), aos quais se acrescentam as Missionárias da Caridade e as Irmãs da Divina Providência. "A nossa é uma presença silenciosa, mas ativa que deseja testemunhar com obras concretas que a humanidade é amada por Cristo", afirma o vigário.[9] Atualmente considera-se que não há indicações de que haverá mudanças no futuro próximo quanto à liberdade religiosa no país.[7]

Atualmente, a Igreja Católica de Comores, e também do restante dos territórios da Conferência Episcopal do Oceano Índico (que também inclui a atuação da Igreja Católica nas Seicheles, em Reunião, em Maurício e em Mayotte), têm feito grandes esforços para atrair os jovens para a participação religiosa.[11]

Organização territorialEditar

As fontes podem apresentar dados divergentes sobre o número de paróquias no país, pelo motivo de que Comores reivindica a possessão francesa de Mayotte[12]; algumas somam a paróquia localizada na ilha reivindicada às outras duas localizadas em território comoriano.[2][4]

Paróquias em ComoresEditar

Paróquia em MayotteEditar

Conferência EpiscopalEditar

O episcopado é automaticamente um membro da Conferência Episcopal do Oceano Índico, que reúne os bispos das Comores, Maurício, Reunião, Mayotte e Seicheles.[5]

Delegação ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Delegação Apostólica para Comores

A Administração Apostólica de Comores foi criada em 1999[6], em 1° de maio de 2010 o Papa Bento XVI elevou a Administração a Vicariato Apostólico; com a nova denominação de Comores, a mesma configuração territorial foi mantida.[9]

Referências

  1. «Comoros». Catholic-Hierarchy. Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  2. a b c d e «Religion In Comoros Today». World Atlas. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  3. a b c d e f g «Comoros - International Religious Freedom Report 2006». Departamento de Estado dos Estados Unidos. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  4. a b c d e f «COMOROS». Caritas. Consultado em 23 de dezembro de 2018 
  5. a b «Conférence Episcopale de l'Océan Indien». GCatholic. Consultado em 23 de novembro de 2018 
  6. a b «Apostolic Delegation - Comoros». GCatholic. Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  7. a b c d «DISPOSIÇÕES LEGAIS EM RELAÇÃO À LIBERDADE RELIGIOSA E APLICAÇÃO EFETIVA». Ajuda à Igreja que Sofre. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  8. a b c d «Dos 25 países que mais perseguem os cristãos, 18 são muçulmanos.». Pro Ecclesia Catholica. 22 de setembro de 2014. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  9. a b c d «ÁFRICA/COMORES - "Somos uma Igreja silenciosa, mas operante" - disse à Fides o primeiro Vigário Apostólico de Comores». Fides. 2 de junho de 2010. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  10. a b «Islamismo é declarado religião oficial em Comores, na África». Folha Gospel. 8 de agosto de 2018. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  11. «Ilhas do Oceano Índico, tudo está focado nos jovens». Laity Family Life. 4 de dezembro de 2018. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  12. «Comores». InfoEscola. Consultado em 23 de dezembro de 2018 

Ver tambémEditar