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Anticristianismo

movimento político, filosófico ou religioso que visa fazer frente às instituições religiosas e políticas cristãs
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Cruz de São Pedro (Cruz Invertida). A cruz é um símbolo cristão; a cruz invertida, portanto, seria um símbolo "anticristão".

O anticristianismo é um movimento político, filosófico e/ou religioso que visa fazer frente às instituições religiosas e políticas cristãs. Um dos fundamentos mais conhecidos para esta posição se baseia na visão niilista do cristianismo apresentada por Friedrich Nietzsche através dos livros Assim Falou Zaratustra e O Anticristo.

Este movimento tenta construir uma sociedade alternativa ao cristianismo, com valores não-cristãos. O movimento anticristianista pode estar contido em religiões e formas espirituais alternativas, numa ciência cética, ou também incorporando os movimentos pagãos, místicos diversos, thelêmicos, satanistas, neo-pagãos helênicos ou new ages que vão contra, mas não necessariamente, a doutrina religiosa. Não deve se confundir o movimento anticristão filosófico e intelectual com outras vertentes.

Os anticristãos consideram-se contra todas as formas de cristianismo: todas as doutrinas católicas, protestantes e reformistas. Cada anticristão possui personalidade própria e não é obrigado a ter uma veste específica ou estilo de vida (muitos não os têm), pois, como já dito, ele se incorpora. Também não se deve confundir anticristianismo com anticlericalismo (contra todas as formas de clero) nem com o ateísmo, uma vez que o ateu simplesmente rejeita a ideia de uma ou mais divindades, mas não necessariamente é antirreligioso.

Anticristãos apontam quase sempre para a "hipocrisia cristã", ou para contradições e falhas nas crenças e doutrinas. Os anticristãos muitas vezes são vítimas de preconceito. Como os ensinamentos de Jesus se difundem ao islamismo (que o tem como um profeta), os anticristãos podem reagir negativamente ao islamismo (islamofobia ou "anti-islamismo"). Anticristianistas não são obrigados a vincularem-se ao marxismo ou ao comunismo (este último uma pretensão de promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida), mas pode se incorporar a eles assim como a ideologias capitalistas.

Anticristãos acreditam na independência da religião, qualquer que seja o motivo que os inspire a ser anticristãos. Para os anticristãos, a religião cristã é uma ditadura, baseada em dogmas (verdades absolutas), onde será impossível para qualquer grupo discordante (herege) conviver pacificamente. Para alguns anticristãos, por vezes, o cristianismo é visto como uma filosofia que não cabe na sociedade, pois consideram que religiões e filosofias não-cristãs, mulheres, homossexuais, dentre outros, são, pelo seu proselitismo homogenizador, objecto de constrangimento por parte do cristianismo. Para os anticristãos, portanto, o cristianismo, onde se manifeste, gera um relacionamento conturbado, portanto uma religião de falsa paz. O anticristianismo define-se essencialmente por este conjunto de crenças.[carece de fontes?]

Índice

HistóriaEditar

 
Frontispício da Encyclopédie (1772), desenhado por Charles-Nicolas Cochin e gravado por Bonaventure-Louis Prévost. Esta obra está carregada de simbolismo: a figura do centro representa a verdade – rodeada por luz intensa (o símbolo central do iluminismo). Duas outras figuras à direita, a razão e a filosofia, estão a retirar o manto sobre a verdade.

Logo na Idade Média os anticristãos foram perseguidos sem distinção por serem considerados hereges e blasfemos, também foram mortos, perseguidos com eles as bruxas, os ciganos, os filósofos diversos, ateístas, as religiões indígenas, ameríndias, as religiões pagãs, as crenças africanas, os homossexuais e as prostitutas da época. Também com eles a maçonaria, muito da ciência e algumas das crenças orientais, muitas religiões/filosofias simplesmente desapareceram, independente o que estavam dizendo ou não.

Dentre as grandes mentes e personagens marcantes desse evento estão Galileu Galilei, por acreditar que a Terra gira em torno do Sol, Giordano Bruno que era astrônomo e matemático e místico, acreditava que o universo era infinito o que sugeria vida fora da Terra, disse:

Joana d'Arc, uma grande expressão das mulheres guerreiras, da estratégia de guerra e inteligência política para França, foi queimada viva após confessar ouvir vozes (padeceria de alucinações auditivas).

O anticristianismo teve princípio logo no início do cristianismo. O anticristianismo, todavia, teve auge no iluminismo: corrente cultural que reclamava trazer "luzes" ao obscurantismo (do qual, em certa medida, culpava a religião) e uma filosofia que não incluía dogmas, perseguições ou moralidade dúbia. No "século das luzes" (século XVIII), filósofos como René Descartes, John Locke (estes dois últimos século XVII), Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau começam a lançar as bases da independência ao cristianismo.

Na França, Voltaire (1694-1770) foi considerado o maior dos filósofos iluministas e um dos maiores críticos do Antigo Regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Mas as liberdades de pensamento e expressão, no caso dele, significavam liberdade de pensamento e de expressão desvinculada da doutrina cristã. Além de combater a Igreja Cristã como instituição, Voltaire combate também a sua doutrina. Neste combate, afirmava em suas cartas

Esmague a infame
Écrasez l´infâme

Por infame referia-se Voltaire à Igreja de Cristo. Voltaire defendia a ideia de uma fraternidade em bases puramente humanas, sem a necessidade de Deus ou superior a Deus. Além da de Voltaire, também a ação difusora dos filósofos Denis Diderot e Jean le Rond d’Alembert foi fundamental para que os valores iluministas ganhassem muita popularidade e tivessem êxito. Muitas das ideias do iluminismo perpetuaram-se até hoje. Por exemplo, alguns defendem que a ideia de liberdade de pensamento de que certa gente é hoje adepta, pode remontar-se ao iluminismo.

Ao longo da história a Igreja Cristã passou por vários processos de mudança e em alguns casos teve de enfrentar-se com o anticristianismo.

Anticristianismo entre artistas, filósofos e cientistasEditar

 
Banda Venom, em show ao vivo. É uma forma de demonstrar o anticristianismo dentro da música, atualmente.

Algumas pessoas usavam e usam de ambiguidade e de citações dúbias tais, que poderão levar outras a identificar os primeiros com o anticristianismo. Entre os que se pronunciariam ambiguamente pode-se citar William Shakespeare, Leonardo da Vinci, Sigmund Freud (ateu declarado e pai da psicanálise) e Friedrich Nietzsche.

Freud era contra a religiosidade e a favor do homem acreditar em sí.

Anticristianismo hojeEditar

Presentemente há muitos jovens em movimentos definidos como ateísmo, materialismo, ceticismo, racionalismo, niilismo, anticlericalismo ou anticristianismo. O desenvolvimento da ciência em disciplinas como a biologia, física, astronomia, entre outras, terá ajudado à expansão deste movimento. Richard Dawkins, biólogo ateu, autor de The God Delusion ("Deus, um Delírio") e Stephen Hawking, físico agnóstico, aclamados divulgadores de ciência, defendem, em diferentes campos da ciência, que as leis que os regem não requerem a existência de Deus. No meio musical atualmente, bandas de rock e heavy metal podem usar anticristianismo em suas artes, assim como alguns escritores e romancistas: Aldous Huxley é um exemplo disso.

Ver tambémEditar