Cleptocracia

Cleptocracia (do grego, κλέπτης kléptēs, "ladrão", κλέπτω kléptō, "roubar", e -κρατία -kratía de κράτος krátos, "poder, governo") é um governo cujos líderes corruptos (cleptocratas) usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, geralmente com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.[1][2] A cleptocracia ocorre quando um país deixa de ser governado por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor econômico, por diversos modos.[3]

A fase “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturada por pessoas que praticam corrupção política, institucionalizando a corrupção e seus derivados como o nepotismo, o peculato, de forma que estas acções delitivas ficam impunes, por todos os sectores do poder estarem corrompidos, desde a Justiça, os funcionários da lei e todo o sistema político e económico. O jornal britânico Financial Times classificou Angola como uma cleptocracia e os seus dirigentes como elite indiferente ao resto da população.[4][5]

ExemplosEditar

Classificação internacionalEditar

No início de 2004, a ONG anticorrupção com sede na Alemanha, Transparência Internacional, divulgou uma lista do que acredita serem os 10 líderes mais cleptocratas dos últimos anos.[6]

Em ordem de valor supostamente roubados (em dólar dos Estados Unidos), foram:[7]

  1. Ex-presidente da Indonésia, Suharto ($ 15 bilhões - $ 35 bilhões entre 1967 e 1998)
  2. Ex-presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos ($ 5 bilhões - $ 10 bilhões entre 1972 e 1986)
  3. Ex-presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko ($ 5 bilhões entre 1965 e 1997)
  4. Ex-chefe de Estado da Nigéria, Sani Abacha ($ 2 bilhões - $ 5 bilhões entre 1993 e 1998)
  5. Ex-presidente da Iugoslávia e da Sérvia, Slobodan Milošević ($ 1 bilhão entre 1989 e 2000)
  6. Ex-presidente do Haiti, Jean-Claude Duvalier ($ 300 milhões - $ 800 milhões entre 1971 e 1986)
  7. Ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori ($ 600 milhões entre 1990 e 2000)
  8. Ex-primeiro-ministro da Ucrânia, Pavlo Lazarenko ($ 114 milhões - $ 200 milhões entre 1996 e 1997)
  9. Ex-presidente da Nicarágua, Arnoldo Alemán ($ 100 milhões entre 1997 e 2002)
  10. Ex-presidente das Filipinas, Joseph Estrada ($ 78 milhões - $ 80 milhões entre 1998 e 2001)

Outros casosEditar

  1. Fontes listam o ex-presidente da OLP, Yasser Arafat como tendo desviado de US$ 1 bilhão a $ 10 bilhões.
  2. O presidente paquistanês Asif Ali Zardari por ter recebido propinas em contratos e apropriação indevida de fundos públicos, desvio mais de US$ 2 bilhões para suas contas na Suíça.[8]
  3. De acordo com investigações realizadas pelo Senado dos EUA no Banco Riggs,[9] o ditador chileno Augusto Pinochet terá acumulado uma fortuna de 28 milhões de dólares (cerca de 24 milhões de euros). Em Outubro de 2006 a justiça chilena iniciou uma investigação em que, alegadamente, Pinochet possuiria uma elevada quantia de barras de ouro (9 600 kg) avaliadas em 190 milhões de dólares, num banco de Hong Kong.[10][11][12]
  4. Fontes também mostraram que o ex-presidente egípcio, Hosni Mubarak roubou até $ 70 bilhões.[13]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Definition of kleptocracy». Dictionary.com (em inglês). Consultado em 8 de agosto de 2021 
  2. «Cleptocracia». Dicionário Online de Português. Consultado em 8 de agosto de 2021 
  3. http://www.mundoeducacao.com.br/politica/cleptocracia.htm
  4. «Artigo do Financial Times arrasa os "cleptocratas" de Angola». Público. 7 de março de 2015. Consultado em 22 de março de 2015 
  5. [1]
  6. «Plundering politicians and bribing multinationals undermine economic development, says TI» (pdf). Transparency International. 2004. Consultado em 16 de outubro de 2006 
  7. Artigo da BBC News de 25 de março de 2004, citando a Transparency International
  8. Alon, Gideon; Amira Hass. «MI chief: terror groups trying hard to pull off mega-attack». Haaretz. Consultado em 21 de julho de 2007  Parâmetro desconhecido |de= ignorado (ajuda)
  9. «Cópia arquivada». Consultado em 9 de março de 2014. Arquivado do original em 7 de outubro de 2007 
  10. [2]
  11. HARAZIM, Dorrit. Despedida: Em Família tudo se Sabe. Com uma fortuna ilícita de quase 20 milhões de dólares, era um reles ladravaz. Revista Piaui, janeiro de 2007
  12. Stahl, Lesley (9 de novembro de 2003). «Arafat's Billions, One Man's Quest To Track Down Unaccounted-For Public Funds». CBS News. Consultado em 21 de julho de 2007 
  13. «Hosni Mubarak's 'stolen' $70 billion fortune»