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Conclave de 1304–1305

Conclave de 1304–1305
O Papa Clemente V
Data e localização
Pessoas-chave
Decano Giovanni Boccamazza
Camerlengo Teodorico Ranieri[1][2]
Protodiácono Matteo Orsini Rosso (ausente)[2][3]
Eleição
Eleito Papa Clemente V
(Raymond Bertrand de Got)
Participantes 19 (15 presentes)
Cronologia
Conclave de 1303
Conclave de 1314–1316
Brasão papal de Sua Santidade o Papa Clemente V

O conclave papal ocorrido entre 10 ou 17 de julho de 1304 a 5 de junho de 1305 resultou na eleição do arcebispo Raymond Bertrand de Got como Papa Clemente V depois da morte do Papa Bento XI[3]. Foi o último conclave antes do chamado Papado de Avinhão[3].

Cardeais eleitoresEditar

Participaram do conclave 15 dos 19 cardeais que compunham o Colégio dos Cardeais. Exatamente 10 desses constituíam o mínimo dos dois terços necessários que votaram a favor de Bertrand de Got, que se tornou Clemente V. Dois outros cardeais, Giacomo e Pietro Colonna, foram depostos pelo Papa Bonifácio VIII e foram portanto excluídos dos procedimentos eleitorais, sendo restituídos no Colégio dos Cardeais posteriormente, por Clemente V.[3]

Cardeais presentesEditar

AusentesEditar

O ConclaveEditar

 
Catedral de Perúgia, lugar da eleição.

O Colégio dos Cardeais se dividiu em duas facções: os pró-franceses e os opositores à França ("Bonifacianos"). O menor deles era o partido pró-francês que contava com seis cardeais, sob a direção dos prelados Napoleone Orsini Frangipani e Niccolò Albertini. Eles buscavam a reconciliação entre França e os Colonna. O partido maior, o anti-francês, encabeçado pelos cardeais Matteo Orsini Rosso e Francesco Caetani, o cardeal-sobrinho do Papa Bonifácio VIII, exigiu expiação pelo ultraje cometido na pessoa de Bonifácio VIII pelo chanceler francês Guillaume de Nogaret em Anagni e rechaçou qualquer concessão a Filipe IV da França. Eles contavam com 10 eleitores.[4]

No começo do conclave os cardeais arbitrariamente decidiram anular as regras mais restritivas da Constituição Ubi periculum sobre o conclave, o que permitiu prolongar o processo.[5] Durante os primeiros meses do conclave, ambos os partidos votaram por seus líderes: Matteo Orsini e Napoleone Orsini.[6] Mas o velho Matteo Orsini (74 anos) adoeceu e não pode seguir tomando parte ativa no conclave. A falta de uma liderança efetiva com o tempo levou à divisão no partido anti-francês. Alguns de seus membros, em busca de um compromisso, propuseram ao arcebispo Raymond Bertrand de Got de Bordeaux. Napoleone Orsini inicialmente era cético acerca desta candidatura, mas a aceitou posteriormente. Sua opinião foi decisiva para o resultado,[7] devido a uma aliança do partido pró-francês com os "dissidentes Bonifacianos", o que deu exatamente a maioria necessária de dois terços. Em 5 de junho de 1305, depois de 11 meses de deliberações, Bertrand de Got foi eleito para o papado.

No momento de sua eleição, De Got era arcebispo de Bordeaux e era um amigo de infância de Filipe IV da França.[8]

ConsequênciasEditar

 Ver artigo principal: Papado de Avinhão

Os cardeais pediram a De Got para unir-se a eles em Perúgia e posteriormente viajar a Roma para sua coroação pontifícia. Mas Clemente V ordenou viajar a Lyon para sua coroação em 4 de novembro de 1305, na que Filipe IV estava presente.[8] Durante a procissão pública ocorrida, o colapso de um muro feriu a Clemente V e matou o seu irmão e ao velho cardeal Matteo Orsini Rosso (participante de doze conclaves).[8] No dia seguinte, outro irmão de Clemente V morreu em uma disputa entre seus servos e os criados do Colégio Cardinalício.[8]

Filipe IV de imediato exigiu de Clemente V que a memória do Papa Bonifácio VIII fosse condenada, que seu nome fosse apagado da lista dos papas, que seus ossos fossem desenterrados e queimados, que suas cinzas fossem jogadas ao vento e que fosse declarado blasfemo, herege e imoral.[8] Clemente V ganhou tempo como uma ação sem rechaçar explicitamente e, no entanto, fez várias concessões importantes a Filipe IV: estendeu a absolvição concedida por Bento XI, criou nove cardeais franceses (entre cardeais da coroa e cardeais sobrinhos), restaurou o cardinalato de Giacomo e Pietro Colonna (que tinham sido excluídos por Bonifácio VIII), deu a Filipe IV um título de cinco anos a uma variedade de propriedades da igreja, retirou a bula papal Clericis Laicos (1296) e limitou a bula Unam Sanctam (1302), outorgou alguns ingressos da igreja a Carlos de Valois, pretendente ao trono bizantino e fez concessões para o enfraquecimento dos Cavaleiros Templários.[8] Todavia, Filipe IV queria ver um processo similar ao Sínodo do Cadáver, o qual queria iniciar contra Bonifácio VIII, que Clemente V cedeu no estabelecimento do Concílio de Vienne, em 2 de fevereiro de 1309; mas, como o processo se mostrou demorado e provavelmente favorável ao Pontífice falecido, Filipe IV o cancelou em fevereiro de 1311.

Entre 1305 e 1309, Clemente V transladou sua sé papal por Bordeaux, Toulouse e Poitiers, antes de tomar sua residência como hóspede no mosteiro dominicano de Avinhão. Clemente V tomou a decisão de transladar o papado para a França, sendo um dos temas mais debatidos no conclave papal de 1314-1316 depois de sua morte, durante o qual a minoria de cardeais italianos eram incapazes de desenhar o regresso do papado a Roma. Avinhão seguia sendo um território de Nápoles até que o Papa Clemente VI a comprou de Joana I de Nápoles por 80.000 florins de ouro em 1348.[8]

Referências

  1. Lista de Camerlengos da Santa Igreja Católica (em inglês)
  2. a b GCatholic (em inglês)
  3. a b c d The Cardinals of the Holy Roman Church (em inglês)
  4. G. Mollat, p. 3; K. Dopierała, p. 233. Vale a pena adjuntar que os dois cardeais Orsini, apesar de suas relações familiares, estavam em grupos opostos.
  5. A. Piazzoni, p. 205
  6. K. Dopierała, p. 233
  7. The Catholic Encyclopedia: Orsini
  8. a b c d e f g Pope Clement V" in the 1913 Catholic Encyclopedia[ligação inativa]

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar