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Cuíto

É uma cidade e município, capital da província do Bié, em Angola
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Cuíto
Cidade do kuito.jpg

Centro do Cuíto, em 2017.
Dados gerais
Fundada em 1750 (269 anos)
Província Bié
Características geográficas
Área 4 814 km²
População 512.706[1] hab. (2018)
Densidade 99 hab./km²

Cuíto está localizado em: Angola
Cuíto
Localização de Cuíto em Angola
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Projecto Angola  • Portal de Angola

Cuíto, também escrita como Kuito, é uma cidade e município de Angola, capital da província do Bié.[2]

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 512.706 habitantes e área territorial de 4 814 km², sendo o município mais populoso da província e o décimo segundo mais populoso da nação.[1]

É limitado a norte pelos municípios de Cunhinga e Catabola, a leste pelo município de Camacupa, a sul pelo município de Chitembo, e a oeste pelo município de Chinguar.

Até 1975 designou-se "Silva Porto", em homenagem ao explorador português Silva Porto.

EtimologiaEditar

Duas versões existem para a origem do nome "Cuíto", sendo que a principal diz que provém do termo umbundo vakutiwa kwi, que em português significa "amarados fortemente". O termo viria da prática de alistamento militar forçado, praticado pelo rei do reino Bailundo Ekuikui I, que atava os soldados à beira de um rio para aguardar o combate. Quando as esposas dos combatentes os viram em tal situação, exclamaram: "soma Ekwikwi wakutila alume vetu voviti kwi", ou seja, "o rei Ekuikui amarou fortemente os nossos maridos nas árvores do rio!". O rio onde os soldados havia sido amarrados foi denominado de Kwitu, significando kwi, fortemente, e tu, todos.[3]

A segunda versão diz que Cuíto significa "lugar de carne", vindo da junção dos termos do umbundo ko, lugar, e ositu, carne.[3]

HistóriaEditar

O Cuíto foi erguido no centro de um dos principais reinos ovimbundos, o reino do Bié, por um homem chamado Viye, o governante dos bienos, e por sua esposa, de etnia songa, chamada Cahanda.[4] Os ovimbundos eram conhecidos por venderem cativos das tribos vizinhas para os comerciantes de escravos europeus, o que tornou a área um local ideal para o negócio de escravos e trouxe os colonos para a região.

Os portugueses estabeleceram um posto comercial na ombala Ecovongo (cidade-capital do reino do Bié; atualmente vila do município do Cuíto) em 1750,[5] transferindo-a, em 1771, na época do governador colonial Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, para o Cuíto como um posto militar avançado para o Planalto Central de Angola, bem como sede de uma missão católica sob direção do padre Gonçalo de Silveira. O padre inicialmente deu àquela o nome Amarante, tornando-se depois Belmonte.[3]

Posteriormente chamaram a então vila de Belmonte de vila de Silva Porto, em homenagem a António da Silva Porto, importante sertanista e explorador português para o centro angolano,[3] que chegou a construir sua casa na área.[6] O clima agradável na província do Bié foi atraente para os colonos portugueses e muitos fizeram a sua casa em Silva Porto no início dos anos 1900, quando a Caminho de Ferro de Benguela ligou a localidade à costa.

Em 31 de agosto de 1925, três anos após a criação do distrito do Bié, a povoação de Silva Porto ainda era precariamente a sede distrital, quando finalmente foi elevada a categoria de vila; pelo diploma legislativo nº 740, de 1935, a vila foi elevada a categoria de cidade.[3]

Cuíto tinha uma longa história de violência, começando com o comércio de escravos africanos e a guerra tribal. Mais tarde, na década de 1960, os portugueses usaram a cidade de Silva Porto como um centro de treinamento para o treinamento de soldados negros do Exército Português para enviar o norte de Angola para lutar contra os guerrilheiros nacionalistas durante a Guerra Colonial Portuguesa.

Após a independência de Portugal em 1975, o Cuíto teve os seus piores momentos em 6 de janeiro de 1993 quando a UNITA, durante a Guerra Civil Angolana, sitiou a cidade durante mais de 9 meses e mais de 30.000 pessoas foram mortas, tanto de efeitos de guerra, como de fome. Ninguém foi autorizado a entrar ou sair da cidade por nove meses e a cidade sofreu grandes danos. A UNITA acabou por ser expulsa do Cuíto e uma segunda tentativa foi tomada para capturar a cidade em 1998 usando enormes artilharias e tanques.[7]

GeografiaEditar

O município é formado pela comuna sede, que equivale à cidade do Cuíto, e pelas comunas de Chicala, Cambândua, Cunje e Trumba.

ClimaEditar

Dado sua localização no flanco oriental do Planalto do Bié o clima do município é excepcionalmente fresco, sendo classificado como clima subtropical úmido (Cwa), segundo a classificação climática de Köppen-Geiger. A temperatura média anual é de 18 °C, em grande parte devido à sua alta altitude. O período mais frio é de maio a agosto, quando quase não chove. Setembro e outubro são os meses mais quentes com um pouco de chuva. Chuvas fortes caem na estação chuvosa principal de novembro a abril.

Dados climatológicos para Cuíto
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 29 28 28 29 28 27 27 30 31 31 29 28 31
Temperatura máxima média (°C) 25 24 24 24 24 23 24 26 28 26 24 23 25
Temperatura média (°C) 19 19 19 18 17 14 15 17 20 19 19 18 18
Temperatura mínima média (°C) 14 14 15 13 10 6 7 9 12 13 14 14 12
Temperatura mínima recorde (°C) 3 7 5 0 -1 -5 0 0 3 6 6 5 -5
Precipitação (mm) 193 196 203 76 10 0 0 3 23 109 193 201 1 227
Fonte: weatherbase.com [8]

InfraestruturaEditar

TransportesEditar

A principal via de ligação terrestre do Cuíto é a rodovia EN-250 que liga a cidade às localidades de Cachiungo, à oeste, e à Catabola, à leste. Já a EN-260 a liga ao Mutumbo, ao sul, e; pela EN-140 faz-se a ligação do Cuíto ao Cunje e ao Cunhinga, ambas ao norte.[9]

A localidade também é atravessada pelo Caminho de Ferro de Benguela, que liga a cidade à Luena ao leste, e ao Porto do Lobito, no oeste.[10]

O Cuito ainda dispõe de um aeródromo, o Aeroporto Joaquim Kapango.[11]

EducaçãoEditar

A cidade do Cuíto dispõe de algumas instituições de ensino superior, dentre elas a Escola Superior Politécnica do Bié, vinculada à Universidade José Eduardo dos Santos, e a Escola Superior Pedagógica do Bié.

Cultura e lazerEditar

 
Estátua de Silva Porto, no Cuíto, cravejada de tiros e sem a mão esquerda.

CulturaEditar

Alguns dos equipamentos culturais de maior relevo na cidade, seja por interesse artístico ou arquitetônico são o Cine Sporting, o Centro Turístico Chicava e a Estação do Cuíto do Caminho de Ferro de Benguela. Outros locais de interesse também são o Jardim da Vergonha, a Estátua de Silva Porto e as ruínas do Forte de Silva Porto.

Uma das principais manifestações religiosas do Cuíto é a Peregrinação Anual ao Morro Chimbango. Os peregrinos saem da cidade do Cuíto, caminhando 75 quilómetros até o Chinguar, ao norte, no intuito de saudar as festividades da aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, em Portugal, em 1917. Esta peregrinação é capitaneada pela Diocese do Cuíto-Bié.[12]

LazerEditar

No futebol, o clube da cidade é o Sporting Clube Petróleos do Bié, foi fundado em 1915, disputou o Girabola, o maior nível de clubes de futebol de Angola, jogou quatro temporadas isoladas no Girabola, a liga profissional, para voltar a competir desde 2005 na segunda divisão, a Gira Angola.[13]

O Estádio dos Eucaliptos do clube possui 16.000 espectadores. Outros desportos incluem basquetebol, andebol e hóquei em patins, que estão localizados no complexo esportivo do clube na Avenida Sagrada Esperança. Local onde funciona a sede do clube.

A cidade do Cuíto também mantém o Estádio Municipal do Cuito com 9.000 lugares.[14]

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. «LEI 8 de 2016 CODIFICAÇÃO DAS CIRCUNSCRIÇÕES TERRITORIAIS» (PDF). Consultado em 21 de Agosto de 2018 
  3. a b c d e Laurindo, Martins Kamulengo Siluqui. Abordagem do Léxico Toponímico Municipal do Cuito da Província do Bié: Caso de Bairros, Comunas, Embalas e Aldeias. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2015.
  4. T. Ernest Wilson, Angola Beloved p. 32.
  5. John Marcum, The Angolan Revolution vol I (1950-1962): The Anatomy of an Explosion. p. 102n.
  6. Henry W. Nevison. A Modern Slavery p. 84.
  7. Martin James, Historical Dictionary of Angola
  8. «Weatherbase: Historical weather for Silva Porto, Angola». Consultado em 13 de fevereiro de 2010 
  9. Bié: Novas vias encurtam distâncias. Portal Angop. 21 de julho de 2015.
  10. Bié: CFB abre rota Cuito-Luena. Portal Angop. 17 de julho de 2018.
  11. Aeroporto do Cuito vai alavancar economia na região. Club-k.net. 25 de fevereiro de 2017.
  12. Igreja Católica realiza peregrinação domingo ao Morro Chinbango. Portal Angop. 25 de maio de 2013.
  13. Angola 2005, RSSSF
  14. «Estádio Municipal do Kuito». Consultado em 10 de março de 2019 

Ver tambémEditar

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