Dulcina de Moraes

actriz brasileira

±[1]

Dulcina de Moraes
Nascimento 3 de fevereiro de 1908
Valença, RJ, Brasil
Morte 27 de agosto de 1996 (88 anos)
Brasília, Brasil
Nacionalidade brasileira
Cônjuge Odilon Azevedo (1930-1966)
Ocupação Atriz
Principais trabalhos Sadie Thompson, em Chuva, de John Colton
Prêmios 1981 (especial pela carreira) - Prêmio Moliere

Dulcina Mynssen de Moraes (Valença, 3 de fevereiro de 1908Brasília, 28 de agosto de 1996) foi uma atriz de teatro brasileira, criadora da Fundação Brasileira de Teatro (FBT) depois transformada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília.

É considerada uma das grandes damas do teatro nacional.[2] Em 1939, foi agraciada com a medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) como melhor atriz do ano pelo conjunto da obra.[2]

BiografiaEditar

Dulcina nasceu em 1908, em Valença. Era filha de dois grandes atores da época: Átila Galaor de Moraes e Conchita de Moraes. O seu nome é uma homenagem a sua avó materna Dulcina Bernard de Los Rios, que também era atriz. Seu nascimento aconteceu durante uma turnê da companhia de teatro onde seus pais se apresentavam. Eles estavam hospedados em um hotel em Valença, quando Conchita entrou em trabalho de parto. O dono do hotel, ao ver que Dulcina iria nascer, proibiu que os pais dela ficassem lá. Diante da situação, o elenco se revoltou e se recusou a continuar hospedado no local. A Condessa de Valença soube do ocorrido e rapidamente disponibilizou uma casa desabitada para Conchita dar a luz. A população local se solidarizou, levando mantimentos para Conchita até que, finalmente, Dulcina nasceu.[3][4]

Com um mês de vida, Dulcina já estava em cena nas apresentações mambembes, ocupando o lugar de uma boneca em um berço utilizado na peça. Na década de 1920, começa sua carreira com a Companhia Brasileira de Comédia, de Viriato Corrêa. Aos 15 anos estreou o espetáculo Travessuras de Berta, pela Companhia Brasileira de Comédia no Teatro Trianon[3][4] e aos 17 anos ingressa na companhia teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante do início do século passado.[2]

Mesmo em começo de carreira, era bastante elogiada, chamando a atenção de público e crítica pela naturalidade e temperamento nos palcos, muitas vezes criticados negativamente por sua impetuosidade na atuação.[2] Foi a atriz principal de Lua Cheia, de André Birabeau.[5] Atuou em diversos papéis, muitos de comédia, mas também em dramas e montagens históricas e peças clássicas da dramaturgia mundial.[2][4]

Em 4 de julho de 1930, casa-se com o empresário e também ator Odilon Azevedo[2] e em 1935, junto de Odilon, funda a Companhia Teatral Dulcina-Odilon, responsável por várias peças de sucesso nos palcos nacionais. A companhia foi a primeira a trazer para o público brasileiro peças de autores como García Lorca (Bodas de Sangue), D’Annunzio (A Filha de Iório), Bernard Shaw (César e Cleópatra, Santa Joana, Pigmaleão) e Jean Giraudoux (Anfitrião 38).[2][6]

Alguns dos trabalhos de maior sucesso de Dulcina foram as peças Amor, em 1933, e A Chuva, em 1945. Ambas as peças permaneceram anos em cartaz e percorreram todo o país. Em 1955, Dulcina inaugurou a Fundação Brasileira de Teatro, dedicando-se integralmente a este projeto, primeiro no prédio onde hoje está o teatro que leva seu nome, no centro do Rio de Janeiro, e mais tarde, em 1972, em Brasília, formando centenas de atores.[3][4]

Em 21 de abril de 1980, inaugura o Teatro Dulcina em Brasília. Entre 1973 e 1980, Dulcina não atuou em nenhuma peça porque estava se dedicando a transferir a FBT para Brasília e a inaugurar o Teatro Dulcina. Mas em 1981, ela voltou a atuar na peça "O Melhor dos Pecados", texto de Sérgio Viotti e com direção de Bibi Ferreira.[4][5]

Em 1982, Dulcina criou em Brasília a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, prolongamento da Fundação Brasileira de Teatro. A partir daí, Dulcina se dedicou exclusivamente a dar aulas de teatro na faculdade. Ela morava sozinha na Asa Sul, em Brasília, num apartamento que ganhou do Presidente Emílio Garrastazu Médici e raramente falava com a imprensa.[5][6]

Em 1990, a FBT chegou a estar à beira da falência, mas amigos de Dulcina organizaram a campanha "Viva Dulcina!", cuja renda salvou a fundação.[2][3][4]

MorteEditar

Odilon morreu em 1966. Em 1972, Dulcina passou a morar e trabalhar em Brasília e só retornou ao Rio de Janeiro em 1981, a convite de Bibi Ferreira, que a dirigiu em O Melhor dos Pecados, de Sérgio Viotti, peça que foi escrita especialmente para a atriz.[3][4]

Dulcina estava internada no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília, para tratar uma diverticulite e morreu em 28 de agosto de 1996, aos 88 anos. Ela foi sepultada no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul da capital federal.[7]

LegadoEditar

Os autores nacionais também tiveram sua vez no repertório de Dulcina, como Viriato Correia (A Marquesa de Santos), Raimundo Magalhães Júnior (O Imperador Galante) e Maria Jacintha (Convite à Vida, Conflito, Já é Manhã no Mar), entre muitos outros. A faculdade de artes, criada por Dulcina em Brasília, ainda existe mas há anos enfrenta problemas financeiros e administrativos.[2][8]

Em 2007, o Teatro Dulcina foi tombado e passou a ser considerado patrimônio cultural, mas também enfrenta dificuldades financeiras.[9]

EspetáculosEditar

 
Dulcina de Moraes , foto sem data.

Como atrizEditar

  • 1923 - O Discípulo Amado
  • 1923 - Zuzu
  • 1923 - Travessuras de Berta
  • 1923 - Fogo de Vista
  • 1923 - Viúva dos 500
  • 1924 - As Libélulas do Amor
  • 1925 - As Mulheres Não Querem Alma
  • 1925 - Partida para Citera
  • 1925 - Lua Cheia
  • 1925 - O Pulo do Gato
  • 1925 - A Melhor Aventura
  • 1926 - A Musa do Tango
  • 1926 - A Mulher de César
  • 1926 - O Homem das Cinco e Meia
  • 1927 - Vida e Morte de Santa Teresinha do Menino Jesus
  • 1929 - Chauffeur
  • 1930 - Com Amor não se Brinca
  • 1930 - O Rei dos Piratas
  • 1930 - A Descoberta da América
  • 1930 - O Hotel dos Amores
  • 1930 - O Homem de Fraque Preto
  • 1930 - Amor... Que Praga!
  • 1930 - Felicidade
  • 1930 - Coitado do Xavier
  • 1931 - A Vida É Um Sonho
  • 1931 - Um Tostãozinho de Gente
  • 1931 - Sorrisos de Mulher
  • 1931 - Manhãs de Sol
  • 1931 - Casamento a Yankee
  • 1933 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1933 - Amor
  • 1934 - Ela e Eu
  • 1934 - Canção da Felicidade
  • 1934 - O Último Lord
  • 1934 - A Bela e a Fera
  • 1934 - Fredaine Vai Casar
  • 1934 - Matei!
  • 1934 - Bebezinho de Paris
  • 1935 - O Pássaro que Foge
  • 1935 - No Mundo da Lua
  • 1935 - Lê Bonheur
  • 1935 - Esta Noite ou Nunca
  • 1935 - Mascote
  • 1935 - Alegria de Amar
  • 1935 - Pancada de Amor
  • 1935 - O Nono Mandamento
  • 1936 - Mas, Que Pequena!
  • 1936 - Noites de Carnaval
  • 1937 - Certa Noite em Nova York
  • 1937 - Fontes Luminosas
  • 1938 - A Mentirosa
  • 1938 - O Oficial da Guarda
  • 1938 - A Marquesa de Santos
  • 1938 - Alegria de Amor
  • 1939 - Secretário de Madame
  • 1939 - Senhorita Minha Mãe
  • 1939 - Grã-Fina
  • 1939 - Cara ou Coroa
  • 1939 - Zazá
  • 1939 - Uma Mulher Livre
  • 1939 - Experiência de Amor
  • 1939 - A Voz Humana
  • 1939 - Conflito
  • 1940 - Sinhá Moça Chorou
  • 1941 - Os Homens Preferem as Viúvas
  • 1941 - As Loucuras de Madame Vidal
  • 1941 - Sinfonia Inacabada
  • 1941 - Nunca Me Deixarás
  • 1941 - A Comédia do Coração
  • 1941 - Alvorada
  • 1942 - Pigmalião
  • 1942 - A Mulher Inatingível
  • 1942 - Do Mundo Nada Se Leva
  • 1943 - Delírio
  • 1943 - Uma Mulher do Outro Mundo
  • 1943 - Os Maridos de Vitória
  • 1944 - César e Cleópatra
  • 1944 - Santa Joana
  • 1944 - Bodas de Sangue
  • 1944 - Anfitrião 38
  • 1944 - Convite à Vida
  • 1944 - Deslumbramento
  • 1945 - Rainha Vitória
  • 1945 - O Pirata
  • 1945 - Chuva
  • 1945 - Sereia Louca
  • 1946 - Avatar
  • 1946 - Ana Christie
  • 1947 - A Filha de Tório
  • 1948 - Já É Manhã no Mar
  • 1948 - Águia de Duas Cabeças
  • 1948 - A Família e a Festa na Roça
  • 1948 - Dona do Mundo
  • 1948 - Mulheres
  • 1949 - Nossa Querida Gilda
  • 1949 - Sorriso de Gioconda
  • 1949 - O Bar do Crepúsculo
  • 1949 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1949 - Anita Garibaldi
  • 1950 - Loucuras de Madame Vidal
  • 1950 - Chuva
  • 1951 - A Doce Inimiga
  • 1952 - Vivendo em Pecado
  • 1953 - O Imperador Galante
  • 1954 - O Homem da Minha Vida
  • 1954 - Helena de Troia
  • 1954 - Figueira do Inferno
  • 1955 - Leonora (Porto Alegre)
  • 1959 - Tia Mame
  • 1963 - Tchin-Tchin
  • 1963 - Os Sábios se Divertem
  • 1963 - Oito Mulheres
  • 1965 - Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio
  • 1965 - O Noviço
  • 1967 - O Inspetor Geral
  • 1967 - A Ópera dos Três Vinténs
  • 1969 - Catarina... da Russia
  • 1970 - Como É Que Eu Posso Ouvir Você Com a Torneira Aberta?
  • 1971 - Um Vizinho em Nossas Vidas
  • 1972 - Tia Mame (no Teatro Nacional, Sala Martins Penna, em Brasília)
  • 1981 - O Melhor dos Pecados

Como diretoraEditar

  • 1923 - O Discípulo Amado
  • 1923 - Viúva dos 500
  • 1924 - As Libélulas do Amor
  • 1925 - As Mulheres Não Querem Alma
  • 1925 - O Pulo do Gato
  • 1925 - A Melhor Aventura
  • 1926 - A Musa do Tango
  • 1929 - Chauffeur
  • 1930 - Amor... Que Praga!
  • 1930 - Coitado do Xavier
  • 1931 - Manhãs de Sol
  • 1933 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1935 - Lê Bonheur
  • 1935 - Mascote
  • 1935 - Alegria de Amar
  • 1935 - Pancada de Amor
  • 1935 - O Nono Mandamento
  • 1936 - Mas, Que Pequena!
  • 1936 - Noites de Carnaval
  • 1937 - Certa Noite em Nova York
  • 1937 - Fontes Luminosas'
  • 1938 - A Mentirosa
  • 1938 - O Oficial da Guarda
  • 1938 - A Marquesa de Santos
  • 1938 - Alegria de Amor
  • 1939 - Secretário de Madame
  • 1939 - Senhorita Minha Mãe
  • 1939 - Grã-Fina
  • 1939 - Cara ou Coroa
  • 1939 - Zazá
  • 1939 - Uma Mulher Livre
  • 1939 - Experiência de Amor
  • 1939 - A Voz Humana
  • 1939 - Conflito
  • 1940 - Sinhá Moça Chorou
  • 1941 - Os Homens Preferem as Viúvas
  • 1941 - As Loucuras de Madame Vidal
  • 1941 - Sinfonia Inacabada
  • 1941 - Nunca Me Deixarás
  • 1941 - A Comédia do Coração
  • 1941 - Alvorada
  • 1942 - Pigmalião
  • 1942 - A Mulher Inatingível
  • 1942 - Do Mundo Nada Se Leva
  • 1943 - Delírio
  • 1943 - Uma Mulher do Outro Mundo
  • 1943 - Os Maridos de Vitória
  • 1944 - Santa Joana
  • 1944 - Anfitrião 38
  • 1944 - Convite à Vida
  • 1944 - Deslumbramento
  • 1945 - Rainha Vitória
  • 1945 - O Pirata
  • 1945 - Chuva
  • 1945 - Sereia Louca
  • 1946 - Avatar
  • 1946 - Ana Christie
  • 1947 - A Filha de Tório
  • 1948 - Já É Manhã no Mar
  • 1948 - Chuva
  • 1948 - Águia de Duas Cabeças
  • 1948 - A Família e a Festa na Roça
  • 1948 - Dona do Mundo
  • 1948 - Mulheres
  • 1949 - Nossa Querida Gilda
  • 1949 - Sorriso de Gioconda
  • 1949 - O Bar do Crepúsculo
  • 1949 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1949 - Anita Garibaldi
  • 1950 - As Árvores Morrem em Pé
  • 1950 - Loucuras de Madame Vidal
  • 1951 - A Doce Inimiga
  • 1951 - Ninotchka
  • 1951 - Irene
  • 1953 - O Imperador Galante
  • 1954 - Os Inocentes
  • 1954 - O Homem da Minha Vida
  • 1954 - Helena de Troia
  • 1954 - Figueira do Inferno
  • 1955 - Leonora (Porto Alegre)
  • 1958 - O Processo de Jesus
  • 1959 - Tia Mame
  • 1960 - Auto da Compadecida
  • 1960 - A Compadecida
  • 1962 - Tia Mame
  • 1962 - Chuva
  • 1964 - Tia Mame (em Curitiba)
  • 1964 - Você Pode Ser um Assassino
  • 1965 - O Noviço (em Curitiba)
  • 1966 - Senhora na Boca do Lixo
  • 1970 - O Comprador de Fazendas
  • 1971 - Um Vizinho em Nossas Vidas
  • 1972 - Tia Mame (no Teatro Nacional, Sala Martins Penna, em Brasília)

Como produtoraEditar

  • 1951 - Ninotchka[2]

FilmografiaEditar

CinemaEditar

  • 1941 - 24 Horas de Sonho ... Clarice, Baronesa das Torres Altas
  • 1937 - Mulher que passa

TelevisãoEditar

Referências

  1. https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:778P-X7W2?from=lynx1UIV8&treeref=GWTD-BCP
  2. a b c d e f g h i j «Dulcina de Moraes». Itaú Cultural. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  3. a b c d e Tarcila Rezende (ed.). «Conheça histórias de quem conviveu com Dulcina de Moraes em Brasília». Correio Braziliense. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  4. a b c d e f g Sérgio Fonta (ed.). «Biografia de Dulcina de Moraes». Funarte. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  5. a b c Wikimedia Foundation (ed.). «Dulcina de Moraes, o monumento». GPSLifetime. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  6. a b Wikimedia Foundation (ed.). «Dulcina de Moraes». Meta-Wiki. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  7. Sucursal de Brasília (ed.). «Dulcina de Moraes é enterrada». Folha de S.Paulo. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  8. «Faculdade Dulcina de Moraes luta para sobreviver a falhas de gestão». Correio Braziliense. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  9. «Parte do teto da sala do Teatro Dulcina de Moraes desaba no Conic». Metrópoles. Consultado em 29 de dezembro de 2019 

Ligações externasEditar