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Dulcina de Moraes
Dulcina na peça Pigmalião, de George Bernard Shaw, 1943
(Acervo CEDOC/Funarte)
Nascimento 3 de fevereiro de 1908
Valença, Rio de Janeiro[1]
Morte 27 de agosto de 1996 (88 anos)
Brasília
Ocupação Atriz
Cônjuge Odilon Azevedo

(1930-1966)

Dulcina de Moraes (Valença, 3 de fevereiro de 1908Brasília, 27 de agosto de 1996) foi uma atriz de teatro brasileira. Fundadora da Fundação Brasileira de Teatro, FBT, depois transformada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília.

Índice

BiografiaEditar

Era filha de dois grandes nomes da época: Átila e Conchita de Moraes. O seu nome é uma homenagem a sua avó materna Dulcina de Los Rios Vallina, que também era atriz.

Os pais de Dulcina estavam hospedados em um hotel em Valença, no Rio de Janeiro, excursionando com uma companhia de teatro, quando Conchita entrou em trabalho de parto. O dono do hotel, ao ver que Dulcina iria nascer, proibiu que os pais dela ficassem lá. Diante da situação, o elenco se revoltou e se recusou a continuar hospedado no local. A Condessa de Valença soube do ocorrido e rapidamente disponibilizou uma casa desabitada para Conchita dar a luz. A população local se solidarizou, levando mantimentos para Conchita até que, finalmente, Dulcina nasceu.

Com apenas um mês de vida, Dulcina já estava em cena, no lugar de uma boneca que ocupava o berço utilizado na peça.

Aos 15 anos estreou o espetáculo "Travessuras de Berta", pela companhia Brasileira de Comédia no Teatro Trianon.

Em 1925 é contratada pela companhia Leopoldo Fróes, uma das mais importantes da época, como Jeannine, papel principal de "Lua Cheia", de André Birabeau.[2]

Em 4 de julho de 1930, casa-se com o ator e escritor Odilon Azevedo.

Em 1935, ao lado do marido Odilon Azevedo, funda a Cia. Dulcina-Odilon, responsável por êxitos nos palcos nacionais. A Cia. foi a primeira a apresentar ao público brasileiro autores como García Lorca (Bodas de Sangue), D’Annunzio (A Filha de Iório), Bernard Shaw (César e Cleópatra, Santa Joana, Pigmaleão) e Jean Giraudoux (Anfitrião 38).[3]

Recebe a medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, como melhor atriz do ano pelo conjunto de trabalhos em 1939.[2]

Com seu grande talento e estilo próprio, Dulcina se destacou em inúmeras peças teatrais que participou, sendo considerada uma das melhoras atrizes da história do teatro brasileiro.

Alguns dos trabalhos de maior sucesso de Dulcina foram as peças "Amor", em 1933, e "A Chuva", em 1945. Ambas as peças permaneceram anos em cartaz e percorreram todo o país.

Em 1955, Dulcina inaugurou a Fundação Brasileira de Teatro, dedicando-se integralmente a este projeto, primeiro no prédio onde hoje está o teatro que leva seu nome, no centro do Rio de Janeiro, e mais tarde, em 1972, em Brasília, formando centenas de atores.[4]

Em 1966, morre o marido e companheiro de palco Odilon Azevedo.

Em 1972, transfere a FBT para Brasília e muda-se para a cidade. Em 21 de abril de 1980, inaugura o Teatro Dulcina em Brasília.

Entre 1973 e 1980, Dulcina não atuou em nenhuma peça porque estava se dedicando a transferir a FBT para Brasília e a inaugurar o Teatro Dulcina. Mas em 1981, ela voltou a atuar na peça "O Melhor dos Pecados", texto de Sérgio Viotti e com direção de Bibi Ferreira.

Em 1982, Dulcina criou em Brasília a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, prolongamento da Fundação Brasileira de Teatro. À partir daí, Dulcina se dedicou exclusivamente a dar aulas de teatro na faculdade. A atriz morava sozinha na Asa Sul, em Brasília, num apartamento que ganhou do Presidente Emílio Garrastazu Médici e raramente falava com a imprensa.

Em 1990, a FBT chegou a estar à beira da falência, mas amigos de Dulcina organizaram a campanha "Viva Dulcina!", cuja renda salvou a fundação.

Em agosto de 1996, Dulcina foi internada no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília, para tratar uma diverticulite. Ela não resistiu à doença e morreu em 27 de agosto de 1996, aos 88 anos. Foi enterrada no cemitério Campo da Esperança, em Brasília.[5] [6]

LegadoEditar

Os autores nacionais também tiveram sua vez no repertório de Dulcina, como Viriato Correia (A Marquesa de Santos), Raimundo Magalhães Júnior (O Imperador Galante) e Maria Jacintha (Convite à Vida, Conflito, Já é Manhã no Mar), entre muitos outros.


EspetáculosEditar

Como atrizEditar

 
Dulcina de Moraes , foto sem data.
  • 1923 - O Discípulo Amado
  • 1923 - Zuzu
  • 1923 - Travessuras de Berta
  • 1923 - Fogo de Vista
  • 1923 - Viúva dos 500
  • 1924 - As Libélulas do Amor
  • 1925 - As Mulheres Não Querem Alma
  • 1925 - Partida para Citera
  • 1925 - Lua Cheia
  • 1925 - O Pulo do Gato
  • 1925 - A Melhor Aventura
  • 1926 - A Musa do Tango
  • 1926 - A Mulher de César
  • 1926 - O Homem das Cinco e Meia
  • 1927 - Vida e Morte de Santa Teresinha do Menino Jesus
  • 1929 - Chauffeur
  • 1930 - Com Amor não se Brinca
  • 1930 - O Rei dos Piratas
  • 1930 - A Descoberta da América
  • 1930 - O Hotel dos Amores
  • 1930 - O Homem de Fraque Preto
  • 1930 - Amor... Que Praga!
  • 1930 - Felicidade
  • 1930 - Coitado do Xavier
  • 1931 - A Vida É Um Sonho
  • 1931 - Um Tostãozinho de Gente
  • 1931 - Sorrisos de Mulher
  • 1931 - Manhãs de Sol
  • 1931 - Casamento a Yankee
  • 1933 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1933 - Amor
  • 1934 - Ela e Eu
  • 1934 - Canção da Felicidade
  • 1934 - O Último Lord
  • 1934 - A Bela e a Fera
  • 1934 - Fredaine Vai Casar
  • 1934 - Matei!
  • 1934 - Bebezinho de Paris
  • 1935 - O Pássaro que Foge
  • 1935 - No Mundo da Lua
  • 1935 - Lê Bonheur
  • 1935 - Esta Noite ou Nunca
  • 1935 - Mascote
  • 1935 - Alegria de Amar
  • 1935 - Pancada de Amor
  • 1935 - O Nono Mandamento
  • 1936 - Mas, Que Pequena!
  • 1936 - Noites de Carnaval
  • 1937 - Certa Noite em Nova York
  • 1937 - Fontes Luminosas
  • 1938 - A Mentirosa
  • 1938 - O Oficial da Guarda
  • 1938 - A Marquesa de Santos
  • 1938 - Alegria de Amor
  • 1939 - Secretário de Madame
  • 1939 - Senhorita Minha Mãe
  • 1939 - Grã-Fina
  • 1939 - Cara ou Coroa
  • 1939 - Zazá
  • 1939 - Uma Mulher Livre
  • 1939 - Experiência de Amor
  • 1939 - A Voz Humana
  • 1939 - Conflito
  • 1940 - Sinhá Moça Chorou
  • 1941 - Os Homens Preferem as Viúvas
  • 1941 - As Loucuras de Madame Vidal
  • 1941 - Sinfonia Inacabada
  • 1941 - Nunca Me Deixarás
  • 1941 - A Comédia do Coração
  • 1941 - Alvorada
  • 1942 - Pigmalião
  • 1942 - A Mulher Inatingível
  • 1942 - Do Mundo Nada Se Leva
  • 1943 - Delírio
  • 1943 - Uma Mulher do Outro Mundo
  • 1943 - Os Maridos de Vitória
  • 1944 - César e Cleopatra
  • 1944 - Santa Joana
  • 1944 - Bodas de Sangue
  • 1944 - Anfitrião 38
  • 1944 - Convite à Vida
  • 1944 - Deslumbramento
  • 1945 - Rainha Vitória
  • 1945 - O Pirata
  • 1945 - Chuva
  • 1945 - Sereia Louca
  • 1946 - Avatar
  • 1946 - Ana Christie
  • 1947 - A Filha de Iório
  • 1948 - Já É Manhã no Mar
  • 1948 - Águia de Duas Cabeças
  • 1948 - A Família e a Festa na Roça
  • 1948 - Dona do Mundo
  • 1948 - Mulheres
  • 1949 - Nossa Querida Gilda
  • 1949 - Sorriso de Gioconda
  • 1949 - O Bar do Crepúsculo
  • 1949 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1949 - Anita Garibaldi
  • 1950 - Loucuras de Madame Vidal
  • 1950 - Chuva
  • 1951 - A Doce Inimiga
  • 1952 - Vivendo em Pecado
  • 1953 - O Imperador Galante
  • 1954 - O Homem da Minha Vida
  • 1954 - Helena de Tróia
  • 1954 - Figueira do Inferno
  • 1955 - Porto Alegre RS - Leonora
  • 1959 - Tia Mame
  • 1963 - Tchin-Tchin
  • 1963 - Os Sábios se Divertem
  • 1963 - Oito Mulheres
  • 1965 - Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio
  • 1965 - O Noviço
  • 1967 - O Inspetor Geral
  • 1967 - A Ópera dos Três Vinténs
  • 1969 - Catarina... da Russia
  • 1970 - Como É Que Eu Posso Ouvir Você Com a Torneira Aberta?
  • 1971 - Um Vizinho em Nossas Vidas
  • 1972 - Tia Mame (no Teatro Nacional, Sala Martins Penna, em Brasília)
  • 1981 - O Melhor dos Pecados

Como diretoraEditar

  • 1923 - O Discípulo Amado
  • 1923 - Viúva dos 500
  • 1924 - As Libélulas do Amor
  • 1925 - As Mulheres Não Querem Alma
  • 1925 - O Pulo do Gato
  • 1925 - A Melhor Aventura
  • 1926 - A Musa do Tango
  • 1929 - Chauffeur
  • 1930 - Amor... Que Praga!
  • 1930 - Coitado do Xavier
  • 1931 - Manhãs de Sol
  • 1933 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1935 - Lê Bonheur
  • 1935 - Mascote
  • 1935 - Alegria de Amar
  • 1935 - Pancada de Amor
  • 1935 - O Nono Mandamento
  • 1936 - Mas, Que Pequena!
  • 1936 - Noites de Carnaval
  • 1937 - Certa Noite em Nova York
  • 1937 - Fontes Luminosas
  • 1938 - A Mentirosa
  • 1938 - O Oficial da Guarda
  • 1938 - A Marquesa de Santos
  • 1938 - Alegria de Amor
  • 1939 - Secretário de Madame
  • 1939 - Senhorita Minha Mãe
  • 1939 - Grã-Fina
  • 1939 - Cara ou Coroa
  • 1939 - Zazá
  • 1939 - Uma Mulher Livre
  • 1939 - Experiência de Amor
  • 1939 - A Voz Humana
  • 1939 - Conflito
  • 1940 - Sinhá Moça Chorou
  • 1941 - Os Homens Preferem as Viúvas
  • 1941 - As Loucuras de Madame Vidal
  • 1941 - Sinfonia Inacabada
  • 1941 - Nunca Me Deixarás
  • 1941 - A Comédia do Coração
  • 1941 - Alvorada
  • 1942 - Pigmalião
  • 1942 - A Mulher Inatingível
  • 1942 - Do Mundo Nada Se Leva
  • 1943 - Delírio
  • 1943 - Uma Mulher do Outro Mundo
  • 1943 - Os Maridos de Vitória
  • 1944 - Santa Joana
  • 1944 - Anfitrião 38
  • 1944 - Convite à Vida
  • 1944 - Deslumbramento
  • 1945 - Rainha Vitória
  • 1945 - O Pirata
  • 1945 - Chuva
  • 1945 - Sereia Louca
  • 1946 - Avatar
  • 1946 - Ana Christie
  • 1947 - A Filha de Iório
  • 1948 - Já É Manhã no Mar
  • 1948 - Chuva
  • 1948 - Águia de Duas Cabeças
  • 1948 - A Família e a Festa na Roça
  • 1948 - Dona do Mundo
  • 1948 - Mulheres
  • 1949 - Nossa Querida Gilda
  • 1949 - Sorriso de Gioconda
  • 1949 - O Bar do Crepúsculo
  • 1949 - As Solteironas dos Chapéus Verdes
  • 1949 - Anita Garibaldi
  • 1950 - As Árvores Morrem em Pé
  • 1950 - Loucuras de Madame Vidal
  • 1951 - A Doce Inimiga
  • 1951 - Ninotchka
  • 1951 - Irene
  • 1953 - O Imperador Galante
  • 1954 - Os Inocentes
  • 1954 - O Homem da Minha Vida
  • 1954 - Helena de Tróia
  • 1954 - Figueira do Inferno
  • 1955 - Porto Alegre RS - Leonora
  • 1958 - O Processo de Jesus
  • 1959 - Tia Mame
  • 1960 - Auto da Compadecida
  • 1960 - A Compadecida
  • 1962 - Tia Mame
  • 1962 - Chuva
  • 1964 - Curitiba PR - Tia Mame
  • 1964 - Você Pode Ser um Assassino
  • 1965 - Curitiba PR - O Noviço
  • 1966 - Senhora da Boca do Lixo
  • 1966 - Senhora na Boca do Lixo
  • 1970 - O Comprador de Fazendas
  • 1971 - Um Vizinho em Nossas Vidas
  • 1972 - Tia Mame (no Teatro Nacional, Sala Martins Penna, em Brasília)

Como produtoraEditar

  • 1951 - Ninotchka [2]

FilmografiaEditar

CinemaEditar

  • 1941 - 24 Horas de Sonho ... Clarice, Baronesa das Torres Altas
  • 1937 - Mulher que passa

TelevisãoEditar

Referências

  1. http://www.memorialdafama.com/biografiasCD/DulcinadeMoraes.html
  2. a b c [1] Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "itaucultural.org.br" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  3. Itaú Cultural
  4. Brasil Memória das Artes
  5. MOMENTOS DA CARREIRA DE DULCINA
  6. Dulcina de Moraes é enterrada

Ligações externasEditar

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