Edmundo Pedro

político português (1918-2018)
Edmundo Pedro
Edmundo Pedro
Deputado na I, III e V legislaturas Portugal Portugal
Dados pessoais
Nascimento 8 de novembro de 1918
Samouco, Portugal
Morte 27 de janeiro de 2018 (99 anos)
Lisboa, Portugal
Partido PS

Edmundo Pedro (Samouco, 8 de novembro de 1918Lisboa, 27 de janeiro de 2018) foi um militante, político e escritor português.

BiografiaEditar

Filho de Gabriel Pedro, um histórico da resistência antifascista em Portugal, aderiu à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas em 1931, sendo preso no ano seguinte, com apenas 15 anos de idade, por participar na preparação de uma greve nas oficinas do Arsenal do Alfeite.[1]

Libertado um ano depois, voltou à ação política, junto das escolas industriais da altura, sendo preso novamente em 1936. Esteve nas prisões do Aljube, Peniche e Caxias antes de ser enviado para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, juntamente com o pai. Ali esteve preso durante dez anos, sendo o mais jovem prisioneiro político do campo[1].

Durante a prisão, rompe com o Partido Comunista Português (PCP), depois de ser suspenso por planear uma fuga sem autorização do partido. Libertado em 1946, regressa a Portugal e à luta política[1].

Participa no assalto ao quartel militar de Beja, em 1962, e volta a ser preso, por mais três anos[1].

Aderiu ao Partido Socialista (PS) depois da Revolução do 25 de Abril, sendo eleito deputado à Assembleia da República na I (1976-80) e na III (1983-85) Legislaturas pelo círculo de Lisboa[1].

Foi ainda presidente da RTP entre 1977 e 1978[1].

Já em 1978, após a implantação do regime democrático, voltou a ser preso, acusado da posse ilícita de material de guerra e de um obscuro negócio de eletrodomésticos. Declarou que estava apenas a juntar as armas que tinham sido entregues ao Partido Socialista durante o Verão Quente de 1975, para serem devolvidas ao Exército. Foi absolvido meio ano depois e posto em liberdade da prisão de Caxias.

Regressou à Assembleia da República durante a V Legislatura (1987-91), novamente eleito pelo círculo de Lisboa[1].

A 9 de junho de 1994, foi feito Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, tendo sido elevado a Grã-Cruz da mesma ordem a 9 de junho de 2005.[2]

A 8 de novembro de 2012, aquando da publicação do terceiro volume das suas memórias, referiu que as armas estavam a ser por si recolhidas e seriam entregues de volta às Forças Armadas, de quem as tinha recebido, no seguimento dos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, sendo que isto se processava por ordens diretas de António Ramalho Eanes[3][4][1].

Morreu a 27 de janeiro de 2018, em Lisboa, aos 99 anos de idade.[5]

TestemunhosEditar

Em 2007, dá início a publicação de sua grande coleção de memórias que sairá em três volumes pela editora Âncora. De especial interesse são os trechos em que relata sua prisão de 10 anos no Campo do Tarrafal, Em 2014, por ocasião das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, deu o seu testemunho sobre a prisão do Tarrafal à jornalista da RDP Antena 1, Ana Aranha, para o programa No limite da dor[6], sobre a tortura durante o regime fascista do Estado Novo.

PolêmicasEditar

Em Memórias: um combate pela liberdade, Edmundo Pedro não foge às polêmicas e duas merecem ser lembradas aqui. A primeira delas foi com José Gilberto Oliveira, autor de Memória viva do Tarrafal, a quem acusa de ser carreirista. Segundo Edmundo Pedro, o colega de partido escreveu e testemunhou sobre o campo com o único objetivo de ficar bem aos olhos do partido.[7]. Outra polêmica é com a coletânea Tarrafal, testemunhos, que, segundo ele, não deu o devido mérito à tentativa de fuga que o autor e seu pai, Gabriel Pedro, empreenderam em meados dos anos 40. Na ocasião, um pequeno grupo, do qual pai e filho faziam parte, conseguiu de fato sair do campo e permanecer foragido durante dias, até voltar a ser preso pelas autoridades locais[8] Apesar de parecer modesta, foi a maior tentativa de fuga empreendida durante todos os anos de duração do campo.

Obras publicadasEditar

  • 45 Anos de Luta pela Democracia Sindical : 18 de Janeiro de 1934 - 18 de Janeiro de 1979 : Reflexões de um Militante. Lisboa : Fundação José Fontana, 1979.
  • O Processo das Armas. Lisboa : Inquérito, 1987.
  • Memórias: Um Combate pela Liberdade. Vol. I, Lisboa : Âncora Editora, 2007. ISBN 978-972-780-187-9
  • Memórias: Um Combate pela Liberdade. Vol. II, Lisboa : Âncora Editora, 2011. ISBN 978-972-780-308-8
  • Memórias: Um Combate pela Liberdade. Vol. III, Lisboa : Âncora Editora, 2012. ISBN 978-972-780-372-9
  • Pavel : Um Homem não se Apaga. Lisboa : Parsifal, 2014. ISBN 978-989-98521-5-0[9]


Referências

  1. a b c d e f g h PEDRO, Edmundo. Memórias: Um Combate pela Liberdade, 3 vols (ver obras publicadas).
  2. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Edmundo Pedro". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 27 de janeiro de 2018 
  3. PEDRO, Edmundo. O Processo das Armas. Lisboa : Inquérito, 1987
  4. Jorna Público, 9 de novembro de 2012.
  5. Morreu dirigente histórico do PS Edmundo Pedro, JN 27.1.2018
  6. No Limite da Dor: entrevista a Edmundo Pedro.
  7. Pedro, Edmundo (2007). Memórias: um combate pela liberdade. Lisboa: Âncora. 261 páginas 
  8. Pedro, Edmundo (2007). Memórias: um combate pela liberdade. Lisboa: Âncora. pp. 493– 519 
  9. Prefácio de Mário Soares. Inclui um capítulo da autoria de Zínia Rodriguez, filha de Pavel.