Energia alimentar

A energia alimentar, valor energético ou valor calórico dos alimentos é a quantidade de energia na comida que é disponível ao organismo para fins de seu metabolismo.

Os valores para a energia alimentar são normalmente expressados em calorias; mais precisamente, em calorias "grandes", ou quilocalorias (kcal). Elas podem também ser expressadas em joules (J) ou quilojoules (kJ).

O ser humano, bem como a maioria dos animais, absorve uma parte do alimento por meio da digestão. O corpo extrai energia das substâncias absorvidas pelo proceso de respiração celular, que as combina com oxigênio do ar produzindo água, dióxido de carbono, e outros subprodutos, como uréia. Essa oxidação liberta energia que o corpo usa para produzir outras substâncias necessárias a seu funcionamento (como ATP), para manter a temperatura interna, e para acionar os músculos que sustentam e movimentam o corpo.

As primeiras tentativas de medir a energia alimentar eram baseadas na combustão do alimento seco em um calorímetro. Esse processo super-estima o valor energético pois a combustão consome inclusive as partes dos alimentos que não são digeridas, como fibras e óleos essenciais. Medidas mais diretas do conteúdo energético foram desenvolvidas por Wilbur Olin Atwater por volta de 1887.[1]

Tabela de calorias de alguns alimentosEditar

Alimentos Quantidade kcal
Alcatra frita 2 fatias (100 g) 235
Bacon frito 2 cubos (60 g) 396
Costeleta de porco 2 unidades (100 g) 483
Apresuntado 1 fatia (15 g) 22
Mortadela 1 fatia fina (15 g) 41
Salaminho 1 fatia pequena (2,5 g) 18
Camarão frito 1 porção (100 g) 310
Casquinha de Siri 1 unidade (200 g) 413
Lula cozida 1 pires de chá (100 g) 93
Abacaxi 1 fatia (80 g) 50
Figo maduro 1 unidade (50 g) 68
Maçã vermelha 1 unidade (130 g) 85
Alface 2 folhas (20 g) 4
Brócolis 1 pires de chá (80 g) 23
Cebola 1 unidade (70 g) 32
Pão francês 1 unidade (50 g) 135
Pão de queijo 1 unidade (20 g) 68
Pão integral de trigo 1 fatia(100 g) 261
Lasanha 1 porção (100 g) 139
Macarrão à carbonara 1 prato (100 g) 362
Pizza quatro queijos 1 fatia (140 g) 432
Cerveja 1 lata de 350 ml 147
Champanhe 1 taça de 125 ml 85
Uísque 1 dose de 100 ml 240
Refrigerante de Cola 1 lata de 350 ml 137
Refrigerante de Guaraná 1 copo de 240 ml 75
Refrigerante de Limão 1 lata de 350 ml 115
Leite condensado 1 lata (395 g) 1300
Biscoito recheado 1 pacote de 140 g 700

Gasto de quilocalorias em atividadesEditar

Atividade Quilocalorias gastas em 1 hora
Andar 5 km/h 350
Correr 800
Ficar sentado 70
Tomar banho 300
Varrer 250
Lavar roupa 200
Dormir 60
Escovar os dentes 250
Jogar futebol 550
Ler 80
Assistir TV 70
Jogar videogame 150
Pedalar 450
Cantar 150
Falar 100
Comer sentado 100
Nadar 500
Amamentar 100
Usar o computador 120
Pentear o cabelo 250
Rir 90
Usar o telefone 200
Bater palma 120
Meditar 50
Beber água 80
Subir/descer escada 670
Passar roupa 250
Dançar 400
Fazer comida 250
Brincar 200

Cálculo de calorias em alimentosEditar

Para fazer o cálculo de quilocalorias (kcal) em alimentos basta multiplicar o peso/g de carboidratos e proteínas por 4, e o peso/g dos lipídios por 9.

Exemplo: Considerando que os valores de um alimento são: CHO=13,23g Proteínas=2,3g Lipídios=2,35g

Então o cálculo de quilocalorias é:

(13,23+2,3)*4=62,12

2,35*9=21,15

62,12 + 21,15 = 83,27

Total= 83,27 kcal

Apesar de existirem cálculos fixos para cada alimento, existem variações na quantidade de energia recebida por eles. A começar pelo próprio alimento: vegetais, dentro da mesma espécie, podem apresentar variações que alteram a energia disponível. Isso acontece porque a parede celular pode variar em mais ou menos espessa, o que altera a absorção do nutriente. Além disso, o tempo de cozimento também pode influenciar na disponibilidade energética.

O organismo que está consumindo o nutriente também pode alterar a quantidade calórica. Isso significa que para duas pessoas que consumam um mesmo alimento, a quantidade de calorias absorvidas é diferente, pois cada organismo possui características únicas, e estas dependem da ascendência de cada população. Russos, por exemplo, possuem intestinos maiores do que italianos, o que significa que os alimentos percorrem um caminho mais longo no corpo dos russos, resultando em mais calorias absorvidas. A quantidade e os tipos de enzimas que cada pessoa possui também variam.

Amilase e lactase são enzimas importantes no processo digestório, e suas quantidades variam de pessoa para pessoa, resultando em maior ou menor absorção nutricional. A microbiota, ou seja, os microrganismos que habitam nosso corpo, são atuantes no sistema digestivo, como as bactérias. Além disso, certas populações possuem bactérias específicas para diferentes tipos de comida, resultado de anos de evolução alimentar em relação ao estilo de comer de diferentes civilizações humanas. A microbiota dos japoneses, por exemplo, possui espécies de micróbios com maior capacidade de quebrar algas. Isto significa que um japonês adquire mais calorias comendo algas do que um europeu ou um estadunidense.[2][3]

Referências

  1. Allison Marsh (2020): "How Counting Calories Became a Science: Calorimeters defined the nutritional value of food and the output of steam generators" Online article on the IEEE Spectrum website, dated 2020-12-29. Accessed on 2022-01-20.
  2. Leach, J. D., Gibson, G. R., & Van Loo, J. (2006). Human evolution, nutritional ecology and prebiotics in ancient diet. Bioscience and microflora, 25(1), 1-8
  3. Carmody, R. N., Weintraub, G. S., & Wrangham, R. W. (2011). Energetic consequences of thermal and nonthermal food processing. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(48), 19199-19203.
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